Após polêmica, BNB decide não renovar parceria com Inec e abre edital para convocar interessados

Organização liderava processos de contratação e acompanhamento dos programas de microcrédito em parceria com o banco desde 2003

O Banco do Nordeste (BNB) não irá renovar o Termo de Parceria com o Instituto Nordeste Cidadania (Inec) para a operacionalização do Crediamigo. Com a decisão, o vínculo entre as instituições segue vigente apenas até o dia 31 de dezembro deste ano.

A informação consta em comunicado interno do Inec aos seus colaboradores. Segundo o documento, o BNB confirmou o posicionamento em ofício e já teria publicado edital de credenciamento para o substituto do Inec nos serviços de contratação e acompanhamento do microcrédito.

Em nota, o BNB informou que abriu no dia 14 de outubro Edital de Credenciamento para instituições interessadas em participar da operacionalização de microcrédito produtivo orientado, bem como a prestação de serviços relacionados à oferta de outros produtos e serviços de microfinanças do Banco do Nordeste.

O Inec operacionalizava os programas desde 2003 e foi o estopim do pedido de destituição do então presidente do banco, Romildo Rolim. A justificativa é que desagradava ao Governo Federal o fato de diretores do Inec serem vinculados ao Partido dos Trabalhadores (PT).

"Essa situação é nova para todos nós, uma vez que desde que começou a operacionalizar os programas de microcrédito em parceria com o Banco do Nordeste, em 2003, o Inec sempre teve a alegria da renovação sistemática, em virtude da qualidade das entregas, da produtividade das equipes, da consistência dos processos", informa o comunicado do Inec.

O texto ainda informa que o quadro de colaboradores conta com mais de 6 mil profissionais distribuídos em cerca de 470 unidades localizadas em todos os nove estados do Nordeste e na região norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Em 2021, já teriam sido registrados R$ 9,7 bilhões em créditos concedidos a 2,5 milhões de microempreendedores.

"Nos próximos meses muitas providências serão adotadas para o encerramento do termo e reforçamos nosso compromisso em fazer tudo com o maior respeito, ética e solidariedade. Nossos cuidados e nossa atenção estarão permanentemente voltadas às pessoas, que são as responsáveis pelas conquistas que obtivemos até hoje e também pelo caminho de sucesso que ainda temos a percorrer", acrescenta o texto.

Entenda a polêmica

No dia 27 de setembro, o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto (PL-SP), publicou vídeo pedindo a destituição do presidente Romildo Rolim e de toda a diretoria do Banco do Nordeste (BNB).

O motivo, de acordo com ele, seria um contrato de R$ 600 milhões da instituição financeira com uma ONG. Trata-se do Inec (Instituto Nordeste Cidadania), entidade parceira do BNB na operacionalização do Crediamigo e Agroamigo.

À época, o BNB pontuou por meio de nota que o termo de parceria com o Inec existe desde 2003, quando teve início o processo de expansão do microcrédito produtivo e orientado do BNB e que a contratação está em conformidade com a legislação vigente.

Na ocasião, o banco também revelou que iniciou em 2019 estudos para reavaliar sua atuação no segmento de microcrédito contratando um banco de investimento para tal. O objetivo, de acordo com o Banco do Nordeste, era buscar melhor eficiência na atuação.

Em 30 de setembro, o Conselho de Administração do BNB decidiu pela destituição de Romildo Rolim da presidência e pela nomeação de Anderson Possa como presidente interino.

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