Vacina contra Covid-19 de Oxford induz 'forte resposta imune em idosos', anuncia universidade

Os idosos tiveram menos efeitos adversos, de acordo com resultados da fase dois de testes

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Legenda: Testes da fase 3 da vacina de Oxford são realizados no Reino Unido, Brasil, África do Sul e Estados Unidos
Foto: AFP

A vacina contra a Covid-19 produzida pela Universidade de Oxford e pelo laboratório AstraZeneca induziu '"forte resposta imune em idosos" que participaram da fase 2 de testes, de acordo com anúncio feito nesta segunda-feira (26). As informações são do portal G1.

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Os resultados preliminares anunciados hoje serão publicados em uma revista científica nas próximas semanas, de acordo com a universidade. A fase 2 foi realizada no Reino Unido, com um grupo de idosos de 56 a 69 anos e outro com voluntários acima dos 70 anos. 

Atualmente a vacina está na terceira etapa de testes em humanos, realizados no Brasil, Grã-Bretanha, África do Sul e Estados Unidos. Em julho, Oxford havia anunciado que a vacina se mostrou segura e capaz de produzir resposta imune até 56 dias após a administração da dose, a partir de resultados prévios das fases 1 e 2 de testes clínicos.

Os testes mais recentes indicam que a vacina estimulou resposta dos dois tipos de defesa: geração de anticorpos e resposta do sistema imune celular (células T).

De acordo com uma porta-voz do laboratório, as respostas de imunogenicidade foram semelhantes entre adultos mais velhos e mais jovens. "A reatogenicidade [geração de efeitos adversos] foi menor em adultos mais velhos, nos quais a gravidade da Covid-19 é maior", afirmou ainda. 

Conforme a universidade, os ensaios que estão ocorrendo irão fornecer mais dados sobre a vacina, mas o resultado inicial representa um marco importante e é encorajador.

A segunda etapa dos testes de uma vacina verifica a segurança e a capacidade da substância induzir resposta do sistema imune, com centenas de voluntários. Na fase 3, a candidata é testada em milhares de pessoas para avaliação em larga escala. 

Vacina no Brasil

Os voluntários brasileiros começaram a receber a vacina em julho. Em agosto, o Governo Federal assinou um acordo com Oxford e a AstraZeneca para a compra de lotes e transferência de tecnologia ao país.

A Fundação Oswaldo Cruz será responsável pela produção do imunizante no Brasil. Em outubro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que 30 milhões de doses da vacina devem estar disponíveis no país a partir de janeiro.

Pelo cronograma do Ministério da Saúde, a perspectiva é iniciar a fabricação industrial de 100 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca-Fiocruz em janeiro de 2021, com aceleração em abril, a partir da produção própria do ingrediente fármaco ativo (IFA). 

A vacinação da população depende da provação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência começou em outubro a análise do processo de registro da candidata. Caso os resultados de segurança e eficácia sejam positivos em todas as fases de testes, a ideia é que, com a análise já adiantada, se agilize o processo de registro da vacina. 

No Ceará, o secretário da Saúde, Carlos Roberto Martins, projetou que a vacinação contra a Covid-19 deve começar até julho de 2021, utilizando o imunizante produzido por Oxford. 

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