Produção da vacina de Oxford no Brasil custará R$ 1,8 bi por acordo e estrutura

O Ministério da Saúde informou que foi assinado um documento que baseará o acordo entre sobre a transferência de tecnologia

Brasil começa a testar vacina contra a Covid-19 de Oxford

Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordenadora dos estudos no País, informou que voluntários de 18 a 55 anos estão sendo testados desde terça-feira (23)

Fotografia de voluntário recebendo a vacina
Legenda: Testes serão realizados, principalmente, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Foto: Foto: AFP

Pesquisadores em São Paulo começaram a testar em voluntários uma vacina contra o coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford, informou a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) nesta quarta-feira (24).

A vacina, desenvolvida em conjunto com o grupo farmacêutico britânico AstraZeneca, é uma das mais promissoras entre as dezenas que pesquisadores de todo o mundo estão desenvolvendo. 

Covid-19: OMS espera produção de milhões de doses da vacina neste ano

Conhecida como ChAdOx1 nCoV-19, já está sendo testada em voluntários na Grã-Bretanha e começará a ser administrada esta semana na África do Sul.

A Unifesp, que coordena o estudo no Brasil, explicou em comunicado que seus pesquisadores começaram a aplicar as primeiras doses na última terça-feira (23) em profissionais da saúde com alta probabilidade de entrar em contato com o novo coronavírus, incluindo médicos, enfermeiros e motoristas de ambulâncias.

Os pesquisadores "começaram a recrutar voluntários no sábado (...) seguindo os protocolos estabelecidos para o estudo. Os participantes devem dar negativo para o SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19", informou a universidade em comunicado.

"A partir desta terça-feira (23), voluntários que tenham sorologia negativa já puderam receber a aplicação da vacina. Estão sendo recrutados profissionais de saúde de 18 a 55 anos que atuam prioritariamente dentro do Hospital São Paulo-Unifesp, na linha de frente do combate à Covid-19", apontou.

Os testes serão realizados principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O ministro da Saúde em exercício, Eduardo Pazuello, disse na terça-feira que o país estava perto de assinar um contrato para poder produzir a vacina localmente. 

Segundo a Universidade de Oxford, mais de 4.000 voluntários estão inscritos no ensaio clínico na Grã-Bretanha e outros 10.000 devem ser recrutados.

O Brasil foi selecionado por ser um dos países onde o vírus está se espalhando mais rapidamente. Possui o segundo maior número de casos e mortes no mundo, depois dos Estados Unidos, com mais de 1,1 milhão de pessoas infectadas e 52.000 mortes até agora.



O Ministério da Saúde está pretendendo investir R$ 1,8 bilhão para começar a produzir a vacina da farmacêutica AstraZeneca contra o novo coronavírus, cujos testes são conduzidos pela Universidade de Oxford.

Desse valor, R$ 522 milhões irão para a estrutura da unidade da Fiocruz que produz imunobiológicos, a Bio-Manguinhos, e R$ 1,3 bilhão é de despesa referente a pagamentos previstos no contrato de encomenda tecnológica.

> Fiocruz aposta em vacinação contra Covid-19 a partir de 2021


Em nota à imprensa divulgada nesta sexta-feira, 31, o ministério informou que foi assinado um documento que "dará base para o acordo entre os laboratórios sobre a transferência de tecnologia e produção de 100 milhões de vacinas contra a covid-19, caso seja comprovada sua eficácia e segurança". A pasta disse que esse entendimento é o passo seguinte nas negociações realizadas pelo governo federal, a embaixada do Reino Unido e a AstraZeneca.

A assinatura definitiva do acordo agora tem previsão para ocorrer na segunda semana de agosto, quando será garantido o acesso a 100 milhões de doses do insumo da vacina, "das quais 30 milhões de doses entre dezembro e janeiro e 70 milhões ao longo dos dois primeiros trimestres de 2021", detalhou o ministério.

O investimento na estrutura de Bio-Manguinhos terá o objetivo de ampliar a capacidade nacional de produção de vacinas. "Demos mais um passo importante para a formalização do acordo entre os laboratórios. Essa ação do governo federal significa um avanço para o desenvolvimento de tecnologia nacional e de proteção da população brasileira", afirmou na nota Camile Giaretta, diretora de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde.

O ministério informou que a Fiocruz recebeu informações técnicas da AstraZeneca que necessárias para a "definição dos principais equipamentos para o início da produção industrial". "Com sua larga experiência em produção de vacinas, a instituição também colocará à disposição sua capacidade técnica a serviço dos esforços mundiais para a aceleração do escalonamento industrial da vacina junto a outros parceiros", declarou a pasta.

O governo disse ainda que a vacina produzida por Bio-Manguinhos será distribuída pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), que atende o Sistema Único de Saúde (SUS).


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