Avô e avó têm cheiro de lar, de sabedoria e de vida

Incluí-los no meu coração é integrar em mim todas as partes que me compõem. Partes essas que me dão orgulho

Foto: shutterstock

Dia 26 de julho é dia dos avós e um momento relevante para lembrar que estamos aqui porque, em algum momento da história, nossos avós olharam um para o outro e deram seu grande sim. E os frutos desse sim vieram, continuam e continuarão vindo.

Honrar avô e avó é dar a eles o lugar que eles merecem na nossa história, dar o direito de pertencimento e concordar com a partilha do mesmo sistema familiar. É reconhecer que a vida veio através deles e chegou até a mim, como um presente. É honrar o remetente.

Ouça o texto na voz de Samantha Marques: 

A ordem da família nos ensina muito. Porque nossos avós, assim como nossos pais, nos deram o melhor com o que eles tinham. Eles nos deram quem eles são. E hoje, nós oferecemos exatamente isso a eles.

Olhar para eles e nos ver neles, e eles na gente, é como testemunhar os segredos de um show de mágica. É a sensação de que a conta matemática bateu certinho e a frase “tenho a quem puxar” nunca fez tanto sentido.

Eu já me peguei pensando bastante em quais heranças recebi dos meus avós. O que é meu, mas veio deles. De um lado da família e de outro. E quando eu cheguei nas minhas conclusões, meu deu um calor no coração que foi me aquecendo tão confortavelmente. A habilidade de contar histórias, de dar afeto, o amor por flores, a confiança na minha fé, a letra bonita, o humor no dia-a-dia, o apreço por doces. Que pacote recheado!

Às vezes me transporto para o lugar e o momento das suas fotos preto e branco. Penso em quantas escolhas difíceis eles devem ter que ter feito e sabe, oferecer meus ouvidos para esses relatos é um ato de validação, de carinho por esses momentos.

Aprender a lidar com os esquecimentos deles não é nada comparado a paciência que eles tiveram para me ensinar a falar, comer, andar, ler e escrever.

Incluí-los no meu coração é integrar em mim todas as partes que me compõem. Partes essas que me dão orgulho e outras que preciso me trabalhar, mas sempre partes que falam de mim e da nossa linhagem.

Vejo neles uma possibilidade do encontro entre o antigo e o novo, a oportunidade de aprender, de ver os fins conversando com os inícios. Vejo neles as minhas mais profundas raízes que me dão forças para bater mais forte minhas asas e a ideia de “foi aqui onde tudo começou”. A sensação de “eu sei de onde vim” e “eu sei para onde voltar se precisar”.

Avô e avó tem cheiro de lar. De sabedoria. De vida.

Nossa ancestralidade é sábia. Com menos informações científicas e mais informações sensitivas, havia sempre um remédio natural para aliviar a dor e um truque na cozinha que fazia as comidas terem um gosto único de casa. Chegar naquele jardim e ver a rede armada me esperando, o melhor boas-vindas que já recebi.

Quando penso em vocês, penso nas tardes que eram vividas sem pressa. Quando a única tarefa do dia era pôr e tirar a mesa e o sol ia entrando pela casa, banhando cada cômodo de luz laranja. Obrigada por me lembrarem que tudo tem seu tempo e o tempo é nosso amigo.

Vovôs e vovós, obrigada pelo sim dado por cada um de vocês. Recebo-os com amor e os dou a vocês também o meu sim, com todo amor. Feliz dia!

Camilla Angelim
Psicóloga clínica, Gestalt-terapeuta e consteladora familiar

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