Veja como funcionam as hortas sociais de Fortaleza e quem tem direito a alimentos grátis
Projeto distribuiu mais de 60 mil quilos de alimentos em 2025 e beneficia cerca de três mil pessoas.
Promover o acesso gratuito a hortaliças frescas em áreas de insegurança alimentar por meio do cultivo no meio da Cidade. Esse é o objetivo das Hortas Sociais da Prefeitura de Fortaleza.
Em seis estufas espalhadas pela Capital, nos bairros Conjunto Ceará, Granja Portugal, Conjunto Palmeiras, Jacarecanga e Sapiranga, são cultivados alimentos como alface, couve-manteiga, coentro, pimenta-de-cheiro, maxixe e tomate-cereja. E distribuídos gratuitamente para a população.
Nos galpões onde são realizadas as colheitas, uma vez a cada 30 ou 40 dias, cerca de 400 cidadãos de cada bairro se enfileiram para receber os alimentos a partir das cinco da manhã. Cada colheita rende entre 700 quilos e uma tonelada de frutas e verduras. Atualmente, cerca de três mil pessoas são beneficiadas direta ou indiretamente pela iniciativa.
Mais do que distribuir alimentos, o projeto aposta na educação e segurança alimentar. Clara Cavalcante, coordenadora de Segurança Alimentar e Nutricional da Secretaria dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS) aponta que muitos beneficiários, antes das hortas, optavam por produtos industrializados, mais baratos e acessíveis, mas com menor valor nutricional.
A partir do momento que as pessoas começam a receber gratuitamente, elas passam a perceber os benefícios e começam também a priorizar esses alimentos
Vínculos e pertencimento graças às hortas
Voltado prioritariamente para idosos e pessoas em situação de insegurança alimentar, o projeto se tornou ainda espaço de convivência. De acordo com a coordenadora, a participação tem impacto direto na autoestima do público idoso. “Nessa idade, muitos ficam mais em casa e não se sentem tão úteis. Fazer parte de algo coletivo é importante”, elenca.
A dimensão social se reflete no cotidiano de quem participa. Alexandra Brito, 54, moradora da Jacarecanga, frequenta a horta há cerca de um ano. Ela conheceu o projeto ao ver a movimentação da comunidade e decidiu se aproximar. Hoje, atua como voluntária desde o preparo do terreno até a distribuição dos alimentos.
“A alimentação melhorou muito mesmo. A gente vê a diferença no gosto, no sabor, na textura. É tudo muito natural”, relata. Segundo ela, além da qualidade, há impacto no orçamento familiar. “Faz diferença no fim do mês. E, se a pessoa planta em casa, pode ter alimento diariamente.”
Alexandra também destaca o aspecto afetivo. Diz que criou amizades, desenvolveu novos conhecimentos e resgata memórias da infância no interior todas as vezes que come um alimento preparado pelos alimentos da horta.
“É comida caseira, direto do pé. A gente desacelera, larga o celular, mete a mão na terra. Vira uma família.”
Além da colheita, são realizadas oficinas quinzenais, campanhas e palestras sobre cultivo e alimentação saudável. Os participantes recebem mudas para implantar hortas caseiras, incentivando o chamado “quintal produtivo”. “Não é só receber. Existe um sentido, um aprendizado, uma participação social”, reforça a nutricionista responsável técnica do Município, Thays Mayara.
A psicóloga Thamara Dias, mestra em Psicologia Social e de Comunidades, avalia que hortas comunitárias funcionam como estratégias coletivas de enfrentamento não apenas da fome, mas das desigualdades. Ela ressalta que esses espaços promovem conscientização social e fortalecem a compreensão política e comunitária. “A coletividade aparece como saída. Isso impacta diretamente no dia a dia dessas pessoas”, afirma.
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Como receber os alimentos das hortas sociais?
Os alimentos são distribuídos mensalmente para idosos e pessoas de baixa renda cadastradas no projeto municipal, por ordem de chegada. Para se inscrever, é necessário apresentar RG, CPF, comprovante de residência e Número de Inscrição Social (NIS) diretamente em uma das hortas.
O que excede as colheitas é destinado a cozinhas solidárias e organizações que atendem populações vulneráveis. Só no ano passado, cerca de 17 projetos foram contemplados. “Se a pessoa não conseguiu chegar até aqui, através dessas organizações ela também consegue acessar os alimentos”, explica Thays Mayara.
Confira os endereços das Hortas Sociais
Horta Social Alameda das Palmeiras
Residencial Alameda das Palmeiras (Av. Coletora Central - ao lado do Posto de Saúde Acrísio Eufrasino de Pinho)
Horário de funcionamento: Segunda a sexta-feira, das 7h - 10h e 15h
Horta Social do Conjunto Palmeiras
Av. Castelo de Castro, 2842 - Conjunto Palmeiras
Horário de funcionamento: Segunda a sexta-feira, das 7h - 10h e 15h - 17h
Horta Social da Granja Portugal
Rua Humberto Lomeu, 1120 - Granja Portugal
Horário de funcionamento: Segunda a sexta-feira, das 7h - 10h e 15h - 17h
Horta Social do Conjunto Ceará
Local: Av. F, 540 - Conjunto Ceará
Horário de funcionamento: Segunda a sexta-feira, das 7h - 10h e 15h - 17h
Horta Social Sapiranga
Av. Dr. Corrêa Lima, s/n - Sapiranga (ao lado do Ecoponto Sapiranga II)
Horário de funcionamento: Segunda a sexta-feira, das 7h - 10h e 15h - 17h
Horta Social Jacarecanga
Avenida José Jatahy - s/n - Jacarecanga (ao lado da praça Carlos Jereissati
Horário de funcionamento: Segunda a sexta-feira, das 7h - 10h e 15h - 17h
*Estagiária sob supervisão das jornalistas Dahiana Araújo e Mariana Lazari.