Simpósio sobre cranioestenose em Fortaleza aborda diagnóstico precoce e tratamento adequado

O evento ocorreu na Universidade de Fortaleza (Unifor) neste sábado (22).

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Participantes do simpósio sobre cranioestenose.
Legenda: O simpósio reuniu famílias de pacientes e a comunidade médica.
Foto: Ares Soares.

Conscientização sobre diagnóstico precoce, intercâmbio de conhecimento e construção de caminhos para que a saúde pública e privada garantam um tratamento ágil e adequado aos pacientes. Esses foram os principais objetivos do I Simpósio de Cranioestenose e Cirurgia Craniofacial de Fortaleza, ocorrido neste sábado (22).

O evento foi sediado na Universidade de Fortaleza (Unifor) e contou com a participação da comunidade médica e de familiares de pacientes com a síndrome — caracterizada pelo fechamento antecipado de uma ou mais suturas cranianas, o que pode causar prejuízo à expansão cerebral e atraso ao desenvolvimento neurológico.

Para Natália Jereissati, uma das palestrantes e idealizadora do evento, é de extrema importância que as famílias possam mostrar suas dores e relatar a dificuldade de chegar até as informações corretas sobre a condição. "A gente entendeu que é muito poderoso esse encontro das famílias com os médicos", disse ela.

Natália e Igor Macêdo são pais de João, hoje com oito anos, diagnosticado ainda recém-nascido com a síndrome de Apert, considerada uma doença rara e genética. O casal teve de buscar informações fora do País sobre a condição do filho, e, hoje, atua para que outros pais e mães tenham caminhos mais facilitados ao tratamento.

Natália Jereissati e Igor Macêdo palestram durante simpósio.
Legenda: Natália Jereissati e Igor Macêdo são pais de João, que foi diagnosticado com síndrome de Apert. Eles palestraram durante o evento.
Foto: Ares Soares.

"O simpósio tem caráter de educação, de trazer informação, seja paras famílias que têm algum filho ou que vão ter um filho que vai nascer com a síndrome, e juntar classe médica, o governo, os principais participantes, para que essa jornada do paciente seja a mais suave e tenha o maior sucesso possível", complementou o palestrante Igor Macêdo.

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Diagnóstico precisa ser feito o mais rápido possível

Outro palestrante do simpósio foi o neurocirurgião pediátrico Eduardo Jucá, professor de Medicina da Unifor e atual presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica. Segundo ele, é preciso que toda a sociedade conheça a cranioestenose e saiba a importância do diagnóstico precoce para o melhor tratamento.

"Faz parte da nossa missão, hoje, tornar a cranioestenose mais conhecida, de domínio público, porque o diagnóstico tem que ser na hora certa", reforçou o profissional.

Geralmente, a descoberta parte da suspeita da família a respeito da alteração do formato da cabeça da criança. "Um crânio mais alongado, mais achatado, assimétrico. A impressão vem da família", relata o médico.

Eduardo Jucá palestra durante simpósio. Ele usa terno cinza e camisa social branca.
Legenda: Eduardo Jucá é o atual presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica.
Foto: Ares Soares.

Após a suspeita e acionado o médico especialista, são solicitados exames complementares para fechar o diagnóstico, como ultrassom das suturas cranianas ou tomografia computadorizada. "O tratamento é com cirurgia, com abertura da sutura e remodelamento craniano, dando espaço para o cérebro expandir", explicou Jucá.

O ideal seria que os bebês fossem operados ainda recém-nascidos, com quatro a seis meses de idade.

"Para quem não recebe o tratamento a tempo, temos restrição do crescimento craniano, com pressão no cérebro, e prejuízo ao desenvolvimento", cita o presidente da SBNPed.

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Técnicas avançadas de tratamento

Convidada do simpósio, a neurocirurgiã pediátrica da Santa Casa do Pará, Simone Rogério, afirmou que o Brasil tem avançado em técnicas cirúrgicas para o tratamento da cranioestenose, mas reconheceu que ainda há limitação em relação aos materiais necessários — especialmente nas unidades públicas de saúde.

"Estamos bem no Brasil, em termos, também, de avanço diagnóstico complementar, como tomografia, ultrassom. [...] O grande desafio é passar isso para o conhecimento da população, e às vezes para os nossos próprios colegas", observou a profissional.

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Estudantes de Medicina também foram convocados para assistir às palestras e expandir seus conhecimentos sobre a neurocirurgia pediátrica. Um dos que estiveram presentes foi Mateus Oliveira, que vê a cranioestenose não como uma condição rara, mas como uma prevalência na área.

"É uma especialidade que precisa vir à tona, precisa ser debatida. A cranioestenose, principalmente. Então, para mim, é muito enriquecedor [participar do simpósio]. É muito gratificante estar aqui ao lado de grandes profissionais", celebrou o universitário.

"O estudante de Medicina precisa ter contato com todas as áreas e tem que estar com a mente aberta. O foco é se formar um bom médico generalista, com bom raciocínio clínico, mas tem que ter referências e estar próximo desses profissionais para trilhar aquilo que ele quer. E a única maneira de decidir o que quer é tendo contato", complementou Mateus.

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