Chuvas no Ceará devem se estender para julho e agosto; entenda motivos

Neste ano, apenas fevereiro fechou com precipitações abaixo da média

Escrito por André Costa, andre.costa@svm.com.br

Ceará
Legenda: A região litorânea tende a registrar os maiores volumes
Foto: Arquivo/Diário do Nordeste

Vai dar praia no mês das férias no Ceará? Essa pergunta quando feita em anos passados era de fácil resposta, afinal, julho costuma ter baixos índices pluviométricos, cuja média histórica para o período é de apenas 15,4 milímetros. Se, em julho, as médias já são baixas, em agosto, ainda mais. A normal pluviométrica para o mês é de apenas 4,9 mm.

Mas, em 2022, tendo por base o prolongamento inesperado e atípico das chuvas que se estende para além da quadra-chuvosa,  tudo pode acontecer. Inclusive, é o que preveem meteorologistas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) entrevistado o Diário do Nordeste. 

Segundo eles, o Estado tem tendência de continuidade das chuvas em julho e até mesmo para agosto. Alguns dos fenômenos indutores das chuvas, neste período, são o aquecimento das águas superficiais do Atlântico Tropical e o resfriamento das águas superficiais do Pacífico Tropical (La Ñina).

Essa combinação de fatores "trazem bastante umidade e formam os chamados Complexos Convectivos de Mesoescala, sobretudo na região litorânea", conforme explica o especialista Flaviano Fernandes, do Inmet.

Desta forma, a análise do meteorologista aponta que "na região Sul do Ceará, a previsão para os próximos dois meses é de chuvas dentro da normalidade e, nas demais áreas, chuva acima da média em torno de 10mm a 50 milímetros". A meteorologista da Funceme, Rafaela Gomes, aponta tendência semelhante.

"Para os próximos dias (final de junho e começo de julho) é esperado anomalias positivas de chuva em todo o Centro-norte do Estado em decorrência da formação de áreas de instabilidade que se formam sobre o Oceano ou sobre o continente", detalha Rafaela.

A especialista reforça, ainda, que "leste do Nordeste Brasileiro está sob influência da estação chuvosa, causada principalmente pelos distúrbios ondulatórios de leste e que, dependendo da intensidade desse sistema, poderá ocasionar chuvas no Ceará".

Caso esses prognósticos, na prática, se confirmem, o Ceará completará cinco meses consecutivos de pluviometria dentro ou acima da média.

  • Janeiro: 163.7 mm / 65,9% acima da média
  • Fevereiro: 64.5 mm / 45,6% abaixo da média 
  • Março: 265.5 mm / 30,5% acima da média
  • Abril: 182.4 mm / em torno da média
  • Maio: 108.8 mm / 20,2% acima da média
  • Junho: 75.9 mm / 102,5% acima da média

Neste ano, apenas fevereiro fechou com precipitações abaixo da média. Naquele mês, as chuvas ficaram 45% abaixo da normal climatológica para o período, que é de 118.6 milímetros.

O mês com maior variação tem sido junho, com índices mais que 100% acima da média. Já março, foi o mês com maior volume acumulado absoluto, com 265.5 milímetros, o que representa 30,5% acima da média histórica.

Anos anteriores

O histórico das últimas duas décadas para o mês de julho está equilibrado. Conforme levantamento do Diário do Nordeste, em 20 anos, a metade foi de chuvas acima da média (2021, 2020, 2019, 2017, 2015, 2013, 2011, 2009, 2004 e 2002) e a outra metade de precipitações aquém da normal climatológica.

Neste intervalo, julho mais chuvoso foi o de 2009, quando o mês fechou com 41,1 milímetros, índice 167,3% superior à média. Já o mês com menor volume acumulado foi em 2006, quando julho chegou ao fim com apenas 1 milímetro, variação negativa de 93,8%.

Em agosto, também no período dos últimos 20 anos, em apenas três anos agosto fechou acima da média (2011, 2009 e 2008).