Açudes do Ceará registram em março o maior volume para o mês em 7 anos

O reservatório que conquistou o maior aporte hídrico ao longo deste ano foi o Castanhão

Escrito por André Costa, andre.costa@svm.com.br

Ceará
Legenda: O Açude Ubaldinho foi o quarto a sangrar neste ano. O reservatório fica na divisa dos municípios de Cedro e Várzea Alegre, na região Centro-Sul do Ceará.
Foto: Reprodução

O mês de março chegou ao fim nesta quinta-feira (31) com expressivos índices pluviométricos. Este foi o oitavo melhor março dos últimos 49 anos no Ceará. O período teve 267 milímetros de chuvas acumuladas, o que representa volume 31,3% acima da média histórica. Tanta água teve impacto direto e positivo nos reservatórios.

Os açudes cearenses atingiram o melhor volume hídrico, para março, dos últimos sete anos. Conforme levantamento realizado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), a pedido do Diário do Nordeste, os 155 reservatórios monitorados pelo órgão têm atualmente 28,88% de volume.

Índice superior a esse só havia sido registrado em 31 de março de 2015, quando os açudes atingiram 29,29% de capacidade de armazenamento. O número de açudes sangrando neste ano também é alto, o terceiro maior dos últimos dez anos, atrás apenas de 2020 e 2019.

Este mês também concentra o terceiro menor número de reservatórios abaixo dos 30%, o que mostra que as chuvas deste mês estão bem distribuídas.

Recuperação na última década

Nos últimos dez anos, o Ceará acumulou um longo período de queda no volume hídrico, mais precisamente entre 2013 e 2018, ano em que março fechou com o menor percentual de capacidade média, quando considerado os 155 reservatórios cearenses monitorados pela Cogerh.  

Em 31 de março de 2018, o volume era de apenas 8,74%, bem distante dos 42,33% registrados em igual data do ano de 2013. No entanto, de 2019 em diante, o Estado ensaiou uma escalada progressiva.

Hoje, o índice ainda não representa uma longa segurança hídrica - especialistas estimam que o número ideal seja acima dos 40% - mas já traz garantias de abastecimento até a próxima quadra chuvosa.

Já os anos com menor número de açudes sangrando ao fim de março foram 2015, 2014 e 2013, com apenas um reservatório. Ao fim de março deste ano, já são 20 açudes que verteram, o dobro do registrado em igual período do ano passado. Confira lista: 

  • Acaraú Mirim,
  • São Vicente,
  • Caldeirões,
  • Do Coronel,
  • Muquém,
  • Valério,
  • Angicos,
  • Itaúna,
  • Gameleira,
  • Mundaú,
  • Quandú,
  • Batente,
  • Gavião,
  • Germinal,
  • Itapebussu,
  • Maranguapinho,
  • Tijuquinha,
  • Rosário,
  • Ubaldinho,
  • Barragem do Batalhão

Açude que estão na iminência de verter:

  • Sobral (99,7%),
  • Tucudunba (94,77%),
  • Itapajé (90,19%),
  • Acarape do Meio (90,37%)

Bacias hidrográficas

Apesar de o índice ser o terceiro melhor da década, algumas bacias hidrográficas estão em situação delicada. Das doze, as mais confortáveis são a do Coreaú (87,4%) a de Acaraú (72,3%) e a do Litoral (71,3%). Já as que apresentam sinal de alerta são de Banabuiú (7,2%) e Médio Jaguaribe (15,7%).

Essas duas concentram dois dos três maiores reservatórios do Estado. O Açude Banabuiú, terceiro maior do Ceará, está com apenas 8,22% de seu volume. Já o Castanhão, maior açude público do Nordeste, encontra-se com 16,03%.

Ele foi o reservatório que mais aportou água neste ano de 2022. Neste primeiro trimestre, o gigante das água conquistou aporte hídrico de quase 600 milhões de metros cúbicos. Sua capacidade máxima é de 6,7 bilhões de m³.