Mudanças simples no cotidiano reduzem pela metade chance de doenças como o câncer, indica pesquisa

Segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2025, os casos de câncer no Brasil poderão crescer em até 50%

Legenda: Atividade física associada a uma alimentação balanceada proporciona melhor qualidade de vida
Foto: FOTO: JOSÉ LEOMAR

Apesar do check-up de rotina realizado por mais de 30 anos, a cordelista Ivonete Moraes foi surpreendida por um câncer de mama. À época, com 64 anos, admite que negligenciava na alimentação, à base de muitos doces. Após tratar a doença, mudou completamente seus hábitos. "Hoje, não como mais macarrão, nem arroz branco. Também aboli o açúcar. Como peixe, alface, cenoura, tomate", explica.

A cordelista é mais um exemplo de que os maus hábitos alimentares, associados ao estresse, ao sedentarismo e a questão da própria idade, são capazes de comprometer o bem-estar. Segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2025, os casos de câncer no Brasil poderão crescer em até 50%, em decorrência do aumento e do envelhecimento da população.

Um terço das mortes causadas por 20 tipos de câncer no Brasil poderia ser evitado com algumas mudanças no estilo vida. Tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, alimentação não saudável e falta de atividade física são os cinco fatores de risco relacionados a 114 mil casos da doença (27% do total) e 63 mil mortes (34% do total) por ano no Brasil.

Esses dados, publicados na revista Cancer Epidemiology, fazem parte de um estudo realizado por pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e da Harvard University, nos EUA, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O levantamento, divulgado pela Agência Brasil, mostra ainda que a incidência de câncer de pulmão, de laringe, de orofaringe, de esôfago, de colón e de reto poderia ser reduzida pela metade, caso esses cinco fatores de risco fossem eliminados. Conforme o pesquisador da FMUSP, e um dos autores do estudo, Leandro Rezende, até o momento não se conhece outra forma de prevenir tantos casos da doença.

Rezende aponta que o tabagismo é responsável por 67 mil casos de câncer por ano no Brasil, o equivalente a 15,5% dos registros e 40 mil mortes. "Hoje, aproximadamente 10% da população fuma (antes, era mais de 30%). Quando o País adotou um pacote de medidas, leis e regulamentação do tabaco, como a tributação do cigarro, a proibição do consumo em local fechado, a gente teve um impacto bastante positivo na saúde da população", compara.

Consumo consciente

A nutricionista clínica e esportiva, Taís Nobre, reforça a importância de adotar hábitos saudáveis para prevenir problemas futuros. Por outro lado, reconhece que ainda é muito alto o consumo de açúcar, de conservantes, de corantes e de alimentos processados, a exemplo de salsichas, presuntos e industrializados. "Aquele pacotinho que está lá, prontinho na prateleira, vai ter substâncias cancerígenas", alerta a profissional.

Legenda: Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, recomenda o consumo de produtos in natura e que se evitem alimentos processados, em especial os ultraprocessados
Foto: FOTO: DIVULGAÇÃO

Leandro Rezende ressalta que é necessário a elaboração de mais políticas no campo da alimentação. "Rotulagem, restrições de marketing e aumento de impostos de produtos da indústria de alimentos para desestimular o consumo são propostas possíveis de serem implementadas", sugeriu. Ele lembra que o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, também recomenda o consumo de produtos in natura e que se evitem alimentos processados, em especial os ultraprocessados.

Qualidade de vida

Bem como o consumo de uma dieta regular, é necessário também olhar para o corpo, ressaltando que o sedentarismo, associado ao estresse, pode potencializar algumas doenças, a exemplo do câncer. "O nosso gene pode ser ativado ou mesmo silenciado por meio das nossas escolhas e do nosso estilo de vida. Então é melhor optar por alimentos naturais e dedicar, ao menos 30 minutos diários, a alguma atividade física. Isso garantirá melhor qualidade de vida".

Segundo a psicóloga Ana Rachel Sales, quem já está passando por um tratamento de doença grave, terá sequelas físicas e psicológicas. Porém, é possível que, a partir da busca por ferramentas que auxiliem na cura, haja uma sensação de alívio, fruto da percepção de que é possível superar questões específicas da doença por meio do autocuidado.

Ana Rachel afirma que essa é uma das características positivas que a vivência da doença pode oferecer, a possibilidade de adesão a novas rotinas e hábitos, e mais, a possibilidade de encarar problemas que surjam durante a vida com um olhar mais otimista.

"Entre essas ferramentas positivas essenciais está a busca pela alimentação adequada, balanceada, pois proporciona tanto a melhora física, devido às propriedades de cada alimento, quanto ajuda no humor, auxiliando na sensação de bem-estar do paciente. Ferramentas como essas contribuem diretamente com o processo de cura das doenças físicas e psicológicas", pontua.

 

Você tem interesse em receber mais conteúdo de entretenimento?