Met Gala 2025: Uma Revolução Negra no Tapete Azul
Costura, cultura e poder. Celebridades se juntaram neste 5 de maio no Metropolitan Museum, em Nova Iorque, para celebrar a moda, presença e ancestralidade negra no Met Gala 2025
Vamos esquecer as definições do dicionário. Dandismo negro é sagacidade e excelência.
O Met Gala 2025, realizado hoje, no dia 5 de maio no Metropolitan Museum of Art trouxe à tona um dos temas mais impactantes de sua história: “Superfine: Tailoring Black Style”. Esta edição celebra o dandismo negro — um movimento estético e político e é a primeira a focar exclusivamente na moda masculina desde 2003, destacando a importância da alfaiataria na construção da identidade negra. O dress code “Tailored for You” incentivou os convidados a interpretarem o tema, mostrando que estilo, cultura e ativismo se misturam sim!
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Poucas pessoas brancas levaram o tema à risca e isso, por si só, é sofrível. Lugar de fala é apenas sobre vivência e identidade, não sobre quem pode ou não pode falar sobre algo, e em um evento que pede para que todos celebrem uma história tão importante, é decepcionante.
Mas vamos aos melhores (e meus preferidos) da noite:
Primeiramente, ele que nunca desaponta: Colman Domingo. Se esse look representasse uma das 12 etapas do dandismo negro, com certeza seria a “presença”. Um look que representa a presença física e visual como forma de resistência e afirmação.
A dupla de designers Dinasty e Soul Ogun representam perfeitamente a atitude do dandismo negro, como o estilo também é uma mistura de carisma e rebeldia. O dandismo negro não é só sobre se vestir bem, mas sobre um novo padrão de presença e atitude.
Whoopi Goldberg vestindo Thom Browne, numa perfeita reprodução de um look clássico de um dândi. Para mim, Whoopi representa a herança e o legado do dandismo negro.
A atriz e cantora Teyana Taylor certamente foi uma das mais deslumbrantes da noite. Seu look mostra como os acessórios são essenciais para o dândi negro, pois perante a imposição de vestimentas sem qualquer significado, eles passaram a utilizar acessórios como forma de resgatar suas raízes culturais.
Esse look do ator Brian Tyree com certeza é uma homenagem a um dos maiores expoentes do dandismo negro, o diretor criativo André Leon Talley. Lembra muito as vestimentas do movimento La Sape, que surgiu no Congo na década de 1960, onde os membros utilizavam ternos de alfaiataria europeus misturados com estampas africanas, como forma de protesto e afirmação da sua identidade cultural.
Doechii, uma das mais esperadas da noite e o maior fenômeno desse ano, representa o dandismo negro quando ele se refere à dança, cultura e performance. É a relação entre moda, música e movimento: roupas que vibram com a energia dos corpos negros em celebração e resistência.
O dandismo negro é, de fato, ma frequência, como disse Pharrell. Mas mais que isso: é estratégia de imagem e resistência.
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora.