Estilo e liberdade: conheça a tendência da moda infantil agênero

Marcas de roupas infantis apostam em peças livres de gênero para desenvolver autonomia e personalidade às crianças no vestir

Escrito por Redação,

Verso
Legenda: Pippa aposta em roupas versáteis feitas de tecidos naturais para promover a sustentabilidade
Foto: Anie Barreto

No 'bê-á-bá' infantil, o "de menino" e o "de menina" são expressões que se repetem constantemente. Essa divisão que vai desde brinquedos a roupas costuma impor uma série de regras do que cada um pode ou não usar. Na contramão desse conceito, marcas de moda em Fortaleza estão surgindo com peças de roupas para crianças em que a única norma é deixá-las livres para brincar.

Sem determinação de cores, estampas ou modelagens para meninas ou meninos, as roupas são mais versáteis e confortáveis. Além disso, possibilitam que cada roupinha tenha uma vida útil maior, já que podem ser aproveitadas por irmãos e irmãs.

A advogada Alyne Jucá é mãe da pequena Maitê, de três anos, e sempre optou por colocar na criança roupas que a deixasse confortável. Quando descobriu a corrente da moda agênero infantil, peças que se caracterizam por vestir os pequenos sem regras sociais, resolveu apostar. "Passei a gostar de marcas sem gênero porque acho que dá liberdade para a criança em não ter padrão. São roupas mais livres e confortáveis", explica a advogada.

Há seis meses no mercado, a Ziguezá é uma dessas marcas que promove a liberdade de escolha da criança e nasceu a partir da dificuldade que uma das sócias, Carol Farias, encontrava em achar roupas para a filha de dois anos. "Ou tinha muito 'frufru' ou era muito básico e acabava optando por fast fashion. A ideia do sem gênero é pegar um público maior porque são peças mais básicas e mais fáceis de combinar entre si, além de serem bastante versáteis", explica Larissa Viegas, sócia de Carol.

Legenda: A Ziguezá investe em peças ajustáveis e que se transformam em outras de modo que as roupas possam ser usadas por mais tempo pelas crianças
Foto: Fotografia Noturna

Entre as opções estão shorts, leggings, macaquinhos, salopetes, vestidos, bodys e t-shirts. Todas elas com modelagem trabalhada para vestir meninos e meninas de um a cinco anos. A proposta da marca é também fazer com que essas roupas possam ser usadas à medida em que a criança cresça. Os vestidos viram uma batinha, já a legging vira uma bermuda, por exemplo.

Legenda: A Ziguezá investe em peças ajustáveis e que se transformam em outras de modo que as roupas possam ser usadas por mais tempo pelas crianças
Foto: Fotografia Noturna

Desenvolvimento infantil
Para desenvolver a autonomia e a personalidade infantil, na loja física da Ziguezá, o incentivo é que as crianças escolham as próprias roupas e façam as combinações. Assim, a atividade pode se tornar mais divertida.

"A gente está vivendo um momento de transição, no mercado, no comportamento, nos posicionamentos. É um púbico que está crescendo, e o mercado precisa acompanhar. Isso 'de menino' e 'de menina' é muito retrógrado. Se minha filha ou filho quer vestir algo, por que não deixar? A moda como um reflexo do social precisa acompanhar isso, a criança precisa se aceitar como ela é", argumenta Larissa sobre a importância desse debate.

Para Alyne, o conforto das roupas também influencia no humor das crianças. "A criança é um ser com vontades e que preza por cores, conforto, bem-estar e autoestima ao se vestir", afirma.

Roupa e manifesto
Outra marca local que segue na mesma linha é a BabyBeh, que nasceu da vontade de Gabriela Maia de "compartilhar ideias e ideais, falar sobre maternidade real, combater o machismo, celebrar a diversidade e poder ser veículo de transformação".

Legenda: A BabyBeh nasceu para quebrar estereótipos de gênero com peças confortáveis
Foto: Light Panic

Gabriela acredita que incentivar a liberdade de escolha é uma forma de investir na autoconfiança. "Restringir uma criança ao que uma peça de roupa, cor, modelo ou estampa pode ou não ser dela é limitar o desenvolvimento", pontua.

Esse manifesto é claro para Marissa Pimenta, mãe do pequeno Martin, de um ano, que acredita na liberdade da criança. "Por que não apostar? Não acredito que uma menina é mais menina porque usa vestido e um menino é mais menino porque não usa. Não são coisas que definem gênero e gosto de marcas que são coerentes com os meus posicionamentos como mãe", explica.

Para ela, dessa forma consegue ajudá-lo a desenvolver a criatividade, além de se tornar um indivíduo menos taxativo e julgador. "Ele é muito novo ainda, mas tento passar para ele os valores que eu acredito. Ninguém é melhor ou pior do que ninguém porque usa rosa, vestido ou macacão", declara.

Legenda: A BabyBeh nasceu para quebrar estereótipos de gênero com peças confortáveis
Foto: Light Panic

A BabyBeh também preza pelo meio ambiente e usa algodão sustentável na produção das t-shirts, macacões, bodies e vestidinhos. Além disso, todos os resíduos de malha são doados para artesãos que transformam esses retalhos em arte.

Com relação às dificuldades, Gabriela aponta o preconceito. "Já recebemos mensagens e unfollows em oposição ao posicionamento da marca, mas recebemos muito mais carinho nestes três anos de BabyBeh", para ela, a comunicação é a solução. "Ser agênero é um processo ainda em construção e que precisa ser colocado de maneira sensível, mas sem deixar que a ousadia desse debate desapareça", acrescenta.

Sustentabilidade
Recém-lançada, a Pippa carrega no DNA a versatilidade e conforto nas peças direcionadas para crianças de um a dez anos. Em sua primeira coleção, "Oba, a Pippa chegou", a marca apostou em usar tecidos naturais como viscose e linho e uma cartela de cores com tons mais fortes. Listras, poá e estampas também dão o tom das peças. Entre macacões, camisas e bermudinhas, as roupas investem em fugir do convencional.

Legenda: Pippa aposta em roupas versáteis feitas de tecidos naturais para promover a sustentabilidade
Foto: Anie Barreto

O agênero da Pippa surgiu de forma espontânea. "A partir do momento em que a gente decidiu priorizar o conforto e deixar as crianças mais livres, a roupa sem gênero acabou surgindo. Não queremos fazer da criança um miniadulto, nem uma menina que é princesinha, isso não é nossa filosofia", explica Bia Borba, sócia-fundadora e diretora criativa da marca.

Bia aponta ainda que os pais precisam conversar e incentivar seus filhos a questionarem esses padrões, já que essa nova geração está vindo mais consciente sobre questões que envolvem minorias sociais.