Dia Nacional do Livro: conheça 6 títulos que se destacaram em 2020

Entre contos, romances e debates, manter o hábito de leitura estimula reflexão e criatividade

Legenda: Livro da filósofa Djamila Ribeiro é um dos destaques editoriais do ano
Foto: Divulgação

Seja para se informar, para estudar ou simplesmente por prazer, a leitura é hábito para se manter. Além de contribuir com o aprendizado, ler estimula a criatividade, a memória e a imaginação. Portanto, o Dia Nacional do Livro, comemorado nesta quinta-feira (29), celebra esta prática que tanto liberta.

A data foi escolhida em razão da fundação da Biblioteca Nacional, que aconteceu no dia 29 de outubro de 1810. Localizada no Rio de Janeiro, a Biblioteca é considerada a maior da América Latina pela Unesco, além de ser uma das dez maiores no mundo. Atualmente, o acervo conta com 9 milhões de itens.

Tendo surgidos em papiros escritos à mão, os livros evoluíram bastante ao longo do tempo. Com o crescimento da tecnologia, por exemplo, os livros digitais ganharam espaço nas bibliotecas pessoais. Porém, as versões físicas seguem com o mérito da experiência que ultrapassa o conteúdo.

Para comemorar a importância desta data, o Verso selecionou 6 títulos que se destacaram no ano de 2020, seja por indicação a prêmios, seja por quantidade de vendas e downloads. Confira a lista completa abaixo:

“Felicidade: Modos de usar”, de Mário Sérgio Cortella, Leandro Karnal e Luiz Felipe Pondé

A busca pela felicidade sempre foi assunto recorrente em produções culturais e filosóficas. Em tempos tão delicados, a discussão ganha ainda mais força. Tratando de um assunto que é de interesse geral, o livro surge a partir de um debate dos três pensadores, que discutem o que é felicidade, o que ela significa e quais os caminhos que as pessoas devem seguir para alcançá-la. O livro é a materialização de um debate ocorrido em maio de 2018, em comemoração os 15 anos da editora que o publicou.

Conhecidos por suas presenças em palestras, jornais e salas de aula, os autores compartilham suas histórias e referências acerca do tema, cada um com seu tom característico. Clássicos filósofos e escritores são citados, como Schopenhauer e Tolstói, bem como nomes contemporâneos, como Millôr Fernandes e Rita Lee. 

Com prefácio de Clóvis de Barros Filho, “Felicidade: modos de usar” é um dos ebooks mais vendidos da Amazon. A versão física do título também está disponível nas livrarias de todo o país.

Felicidade: Modos de usar
Mário Sérgio Cortella, Leandro Karnal e Luiz Felipe Pondé

Editora Planeta do Brasil
2019, 160 páginas
Físico: R$42,90
E-book: R$ 34,90

“O amanhã não está à venda”, de Ailton Krenak

Lançado em abril, ainda no início da pandemia do novo coronavírus no Brasil, “O amanhã não está à venda” traz uma reflexão pertinente sobre o estilo de vida que era até então vigente e que precisa, com urgência, ser reconsiderado. Em apenas 22 páginas, Ailton Krenak aborda a complexidade do isolamento social e questiona a ideia de "voltar à normalidade", sendo que esta devasta o planeta e amplifica desigualdades. 

O curto ensaio tem início no confinamento involuntário que Ailton e seu povo vivem, refugiados em seu território, às margens do Rio Doce, no interior de Minas Gerais. Jornalista, ativista socioambiental e uma das mais importantes lideranças do movimento indígena no país, Krenak convida os leitores a pensar o mundo da forma como os povos originários tentam ensinar há muito: é preciso desnaturalizar a miséria vivida por muitos e diminuir o consumo desenfreado, em prol do futuro do planeta e da humanidade.

Em tempos de distanciamento social, o recolhimento e o silêncio também se fazem necessários. O título foi um dos e-books gratuitos mais baixados da Amazon, o que faz a discussão ser ainda mais acessível e ampliada. 

O amanhã não está à venda
Ailton Krenak

Companhia das Letras
2020, 22 páginas
Gratuito

“O verão tardio”, de Luiz Ruffato

Um dos indicados do 62º Prêmio Jabuti, na categoria Romance Literário, “O verão tardio” traz a história de um homem que, abandonado pela mulher e pelos filhos, retorna à cidade natal e busca, de alguma forma, resgatar o passado. O leitor acompanha suas andanças pelo interior de Minas Gerais e seus encontros com velhos familiares e conhecidos. Entretanto, as tentativas de reatar laços não são bem sucedidas como espera.

Em seu sexto livro, Luiz Ruffato propõe uma reflexão sobre o diálogo - ou melhor, sobre a capacidade de uma sociedade em eliminar as possibilidades de algum. A depressão, a solidão e a exclusão são tramas que se enlaçam e reverberam nas relações rompidas. Os temas tratados remetem às teorias da modernidade líquida, de Zygmunt Bauman, que se caracteriza pela falta de laços fortes e de estabilidade.

No contexto em que tomamos consciência de uma existência volúvel e incerta, o verão de Ruffato surge como um alerta a não nos deixar esfriar nossos vínculos. O livro está disponível nas versões física e digital.

O verão tardio
Luiz Ruffato

Companhia das Letras
2019, 240 páginas
R$49,90

“Pequeno Manual Antirracista”, de Djamila Ribeiro

Segundo Djamila Ribeiro, filósofa e ativista, o primeiro passo para se enfrentar um problema é tomar consciência da sua existência. Em “Pequeno Manual Antirracista”, ela traz onze lições introdutórias sobre racismo, violência, cultura, afetos e desejos, de forma a iluminar questões muitas vezes ignoradas. Apesar de curto e contundente, o livro encaminha longos momentos de reflexão sobre uma sociedade atual que ainda discrimina e exclui.

Apesar de ter sido lançado no final de 2019, o título teve um crescimento considerável nas vendas após os protestos em apoio ao movimento Black Lives Matter, ocorridos nos meses de maio e junho deste ano. As manifestações motivadas pelo fim da brutalidade policial, que levou a morte de George Floyd e tantos outros, provocaram inúmeras reflexões e o interesse no entendimento das violências estruturais de uma sociedade.

Com caráter introdutório, o pequeno manual segue entre os livros mais vendidos da Amazon e é leitura ideal para iniciar discussões e instigar maiores reflexões e pesquisas acerca do tema. 

Pequeno Manual Antirracista
Djamila Ribeiro

Companhia das Letras
2019, 136 páginas
R$24,90

“Redemoinho em dia quente”, de Jarid Arraes

Se a região do Cariri é conhecida por sua quentura, o calor que emerge das histórias das mulheres de Jarid Arraes ser cada vez mais reconhecida. Indicado ao 62º Prêmio Jabuti, na categoria Contos, “Redemoinho em dia quente” traz uma coletânea que mistura realismo, fantasia e crítica social. A escritora cearense é também autora das obras “As Lendas de Dandara” e “Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis”.

As protagonistas do livro exalam potência e ancestralidade. Inseridas em um contexto de tradição e luta, as mulheres dos contos atingem complexidade mesmo em breves páginas. A primeira história traz uma senhora católica que, ao encontrar uma sacola com pílulas suspeitas, se aproxima ainda mais do adorado Padre Cícero. Já na última, a personagem Josélia é embalada no redemoinho de desejos de uma mulher que já muito viveu.

Jarid Arraes traz, no conhecido tom cordelista de seu trabalho, autenticidade às vivências plurais das mulheres que representa em seus contos, sejam elas jovens, velhas, lésbicas, bissexuais, pobres, negras.

Redemoinho em dia quente
Jarid Arraes

Alfaguara
2019, 152 páginas
R$39,90

“Torto arado”, de Itamar Vieira Junior

O primeiro capítulo de "Torto Arado" já denuncia o teor da obra: súbito, impactante e caloroso. No interior da Bahia, duas irmãs são marcadas - literalmente - pelos acontecimentos que as cercam. Ao crescerem, a realidade do sertão as separam por seus destinos distintos, ao mesmo tempo que as unem, tanto pela voz, quanto pela luta. Indicado ao Prêmio Jabuti, também na categoria Romance Literário, o livro de Itamar Vieira Junior aborda temas que atravessam as gerações, como a memória familiar, a exploração do povo do campo e o misticismo afro-brasileiro.

A história se passa por volta dos anos de 1960, na Fazenda Água Negra. Nela vivem os trabalhadores descendentes de uma escravidão abolida apenas no papel. Em capítulos intercalados, Belonísia e Bibiana narram não apenas suas histórias, mas a de muitos que, ainda hoje, vivem e lutam pelos direitos básicos de existência. Composto principalmente por vozes femininas, o romance surpreende pela sensibilidade que alcança. 

Entre as plantações e as festas de santos, o leitor mergulha na história como as personagens o fazem nos rios que as cercam. O misterioso mundo desenvolvido por Itamar Vieira Junior exige mais do que coragem, mas fôlego, para desbravá-lo.

Torto arado
Itamar Vieira Junior

Todavia
2019, 264 páginas
R$54,90

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