Artista do interior do Ceará fatura R$100 mil com trabalho sobre Folclore brasileiro no mercado NFT

Natural de Varjota, Renancio Monte tem recebido positivo retorno por meio do projeto e usou a venda de um personagem para ajudar ONG do Pantanal

Escrito por Diego Barbosa, diego.barbosa@svm.com.br

Verso
Legenda: Intitulado Coleção Crypto Legends, projeto do cearense Renancio Monte tem levado o conhecimento do Folclore nacional para outras praças
Foto: Divulgação

Renancio Monte integra o time de cearenses que tem ganhado destaque num mercado que movimenta milhões de dólares. Natural do município de Varjota, interior do Estado, o artista digital de apenas 26 anos iniciou no ramo do NFT - sigla para “Token não fungível”, ou seja, um signo de caráter único - promovendo conteúdos ativistas, sobre temáticas como desmatamento e extinção

Paralelo a esses assuntos, ele também tentava abordar o sertão e o cangaço nos trabalhos. Com o tempo, surgiu a vontade de criar uma coleção de NFT's com conteúdo mais educativo. Valendo-se da proporção internacional que a área de atuação é capaz de ter, Renancio desenvolveu um projeto focado especificamente na cultura brasileira

Legenda: Renancio Monte sempre foi apaixonado pelas lendas e causos de nosso povo, tentando de todos os modos mostrar ao mundo o que temos de mais valioso
Foto: Divulgação

Assim surgia a Coleção Crypto Legends, espécie de cartas animadas de personagens do Folclore nacional. A iniciativa despertou atenção de pessoas em todo o mundo, que não conheciam e ficaram apaixonadas pelas histórias do Curupira, Saci, Cuca e outras figuras.

O retorno com a iniciativa ultrapassou R$100 mil e gerou mais de R$40 mil para quem investiu e decidiu revender. Para Renancio, ter um grande público no segmento nem sempre é certeza de que haverá um bom lucro. 

“O maior desafio de criar uma trajetória com NFT é encontrar as pessoas certas. Por isso, é importante ter uma grande dedicação no marketing”, aconselha o artista. Ele, inclusive, utilizou o dinheiro arrecadado com a venda de um personagem do projeto para ajudar uma ONG do Pantanal, uma vez que a maioria das histórias mergulha nos guardiões da floresta. 

Aposta em meio ao home office

Apesar da expressiva repercussão, é recente a dedicação de Renancio ao mercado NFT. Foi a partir da pandemia de Covid-19 e da consequente necessidade do trabalho remoto que ele voltou a fazer as pazes com a criatividade. “A partir daquele momento, vi que o meu futuro estava no home office. Assim, comecei a estudar maneiras de trabalhar virtualmente”, diz.

A fagulha para a atuação no NFT acendeu quando ele e um amigo assistiram a uma reportagem sobre o tema. Até então, parecia impossível desenvolver algo nesse cenário, tendo em vista o investimento que alguns marketplaces – modelo de negócio surgido no Brasil em 2012, espécie de shopping center virtual – exigiam. 

Legenda: Exposição Virtual de um Grande Colecionador de Crypto Legends
Foto: Divulgação

Porém, depois de estudar bastante, a dupla encontrou um movimento acontecendo em um marketplace com taxas quase de graça. “Foi aí que tudo começou a acontecer, pois não precisaríamos mais de dinheiro para começar, apenas disposição e criatividade”.

Investir na cultura nacional pareceu um caminho oportuno. O varjotense sempre foi apaixonado pelas lendas e causos de nosso povo, tentando de todos os modos mostrar ao mundo o que temos de mais valioso. Segundo Renancio, vale a pena estar no mercado NFT. Neste ano, inclusive, ele acredita que o segmento estará cada vez mais em voga. Será comum ver artistas digitais atingindo valores antes impossíveis de se fazer com Arte Digital.

“Hoje não existe mais distância, principalmente depois do NFT e da introdução do Metaverso. É cada vez mais possível viver da arte em casa, no interior, e ter o mesmo sucesso e retorno financeiro de quem está em Fortaleza, São Paulo, Londres ou Nova York”.
Renancio Monte
Artista digital

Ao mesmo tempo, defende: “É preciso que o poder público, principalmente Secretarias de Cultura, estejam alinhadas com esse novo cenário e ofereçam oportunidade para que mais artistas possam ingressar nesse universo. É necessário conversar de maneira consciente sobre isso e mostrar os caminhos”.

Novos trabalhos

Para além das iniciativas no ciberespaço, o cearense também desenvolve projetos em diálogo com outras linguagens artísticas. Ele assinou, por exemplo, a maioria das capas dos livros do conterrâneo Mailson Furtado – poeta vencedor do Prêmio Jabuti em 2018 com a obra “à cidade”, cuja capa foi projetada por Renancio.

Trabalha ainda no ramo da publicidade como Design Gráfico e Motion Design, e busca dar suporte nas produções culturais da cidade onde nasceu e reside – a maioria delas por meio da Casa de Arte CriAr, com grande investimento nas Artes Cênicas.

Legenda: Encontro de Renancio Monte com Mailson Furtado depois da conquista do Prêmio Jabuti 2018 pelo livro "à cidade", de Mailson, do qual Renancio fez a capa
Foto: Arquivo pessoal

A história dele com a Arte Digital, por sua vez, começou há mais de 10 anos, a partir da atuação em algumas gráficas de Varjota. Sempre foi um sonho viver da arte pessoal, cuja inclinação está mais voltada para a fantasia e a aventura, com uma miríade de personagens e cenários na mente.

Por isso mesmo, Renancio decidiu não cursar faculdade e investir em formações focadas no que almejava trabalhar, tendo viajado várias vezes a São Paulo com essa meta. Depois de passar por algumas agências, decidiu estabelecer o trabalho no home office. 

“Meu sonho é conseguir cada vez mais espaço para que eu consiga inspirar outras pessoas a construir o próprio caminho com a Arte Digital, pois ainda é muito comum ver gente enterrar o talento por falta de oportunidade ou retorno financeiro”, declara.

Até lá, pretende fazer uma nova coleção de personagens – embora ainda esteja estudando o tema e o melhor momento para que isso aconteça. Mesmo que o processo talvez demore um pouco, não importa. Monte aproveita o retorno do NFT para finalmente casar neste ano e construir a própria casa.

Legenda: Encontro com Erik Johansson, um dos artistas digitais mais famosos do mundo, em uma das idas de Renancio Monte a São Paulo em busca de formação.
Foto: Arquivo pessoal

O artista elenca dicas para quem quer investir no mercado NFT e não sabe por onde começar. “O primeiro passo é mostrar quem é você e o que você faz. Toda a divulgação acontece no Twitter, logo mostre seus portfólios, fale dos seus melhores trabalhos. Você precisa estar focado em atrair pelo conceito do que desenvolve e pelo investimento”, detalha.

“Mostrar segurança de que você vai continuar construindo uma trajetória deixará os colecionadores mais confortáveis em comprar e segurar para revender posteriormente, quando o seu nome estiver mais popular. Estudar Educação Financeira e Criptomoedas também é muito importante antes de ingressar. É preciso ter consciência e humildade para entender que não existe certeza de que tudo dará certo no início. Não existe dinheiro fácil, é preciso dedicação”. 
Renancio Monte
Artista digital


Serviço
É possível acompanhar o trabalho de Renancio Monte por meio das redes sociais (@renancio.m)

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