Alimentação infantil: saiba como evitar engasgos nos primeiros anos de vida da criança

Amendoim, milho, feijão, castanha e pipoca devem ser mantidos longe do alcance dos pequenos. O alerta é da pediatra Olívia Bessa, professora do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza

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Legenda: É importante acompanhar cada etapa da criança, oferecendo ambiente seguro para uma alimentação adequada, de acordo com a faixa etária
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Apesar de o bebê já nascer sabendo mamar, é natural que, eventualmente, ele possa se engasgar mesmo no momento da amamentação. Os riscos permanecem quando a criança passa a consumir outros alimentos. Por isso, amendoim, milho, feijão, castanha e pipoca devem ser mantidos longe do alcance dos pequenos nos primeiros anos de vida.

Para evitar desesperos nessa situação de engasgo, a pediatra e professora do curso de medicina da Universidade de Fortaleza Olívia Bessa alerta sobre os riscos e indica a maneira mais confortável e segura de oferecer os alimentos para os bebês e crianças, especialmente, na fase de apresentação dos alimentos, a iniciar da amamentação.

Ao colocar o bebê no peito, a mãe deve escolher uma posição segura para amamentar, podendo apoiar as costas em uma cadeira, rede ou sofá. " Claro, que cada mãe e bebê costumam encontrar suas maneiras mais confortáveis e aconhedoras na hora das mamadas, mas para evitar engasgo, o ideal é que o bebê esteja na posição 'ventral', com o corpo bem próximo ao da mãe, todo voltado para ela", aconselha a pediatra.

Após os seis primeiros meses de vida, a criança apresenta necessidades nutricionais, as quais já não são mais atendidas somente com o a ingestão do leite materno, embora, a médica enfatize que este ainda continue sendo uma fonte importante de nutrientes para o desenvolvimento dos pequenos.

A partir dessa idade, a criança desenvolve maturidade fisiológica e neurológica para receber novos alimentos. “Nessa fase, ela já tem habilidade para sentar-se, facilitando a alimentação segura, oferecida por colher”, afirma.

Complemento alimentar

Mesmo com a evolução no desenvolvimento sensório motor do bebê é fundamental que a complementação alimentar seja introduzida de forma lenta e gradual. Nesse primeiro momento, a pediatra diz que podem ser oferecidos cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes. Outra sugestão é que os novos hábitos alimentares sejam colocados em prática de acordo com os horários de refeição da família, em intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da criança.

"Para evitar engasgos, esses alimentos devem ser muito bem cozidos, amassados em consistência pastosa (papas/purês), oferecidos de colher e gradativamente. “Na medida do desenvolvimento da criança, a consistência da refeição pode ser aumentada até chegar à alimentação da família", destaca a médica.

Caso queira acrescentar carnes na refeição da criança, o ideal é iniciar com esta proteína  bem desfiada e, somente quando perceber a evolução da criança no processo de mastigação, oferecer pedações pequenos.

Evitar

Dos grupos de alimentos que oferecem risco potencial para aspiração e sem dúvida devem ser evitados no cardápio das crianças de 1 a 2 anos de idade, a Dra. Olivia destaca o amendoim, milho, feijão, castanha, nozes e pipoca. Nessa idade, a criança não tem os dentes pré-molares que ficam na parte de trás da boca. Isso favorece que o alimento escorregue sem ser mastigado, ou mesmo seja aspirado, causando o engasgo. Os peixes com espinho também não são recomendados.

Apesar de os pequenos parecerem sempre muito espertos, a médica Olívia Bessa diz ser essencial respeitar a construção das etapas. “Ou seja, cada criança tem a sua singularidade e desenvolve o próprio ritmo de competências simples e complexas, passando por uma sequência gradual de crescimento e mudanças físicas, cognitivas, sócio-emocionais e de linguagem”, lembra a médica.

O desenvolvimento motor vai se aprimorando à medida que o cérebro vai amadurecendo, durante o crescimento da criança. Por volta do primeiro ano de idade, a maioria já é capaz de pegar a colher e beber em copos. Até os 2 anos, elas aprendem a segurar a colher com controle razoável e, entre os 3 e 4 anos, conseguem se alimentar sem ajuda.

Alerta

Os passos rumo à independência alimentar da criança são motivos de comemoração na família, afinal, eles já comem sozinhos. Mas lembre-se, junto à conquista do seu filho, vem o sinal de alerta com avisos luminosos sobre atenção redobrada, pois os velozes movimentos dos pequenos que, em um piscar de olhos ganham pés e mãos próprias, devem ser cuidadosamente observados.

Por isso, a importância de acompanhar cada etapa da criança, oferecendo um ambiente seguro para uma alimentação adequada, de acordo com a faixa etária de cada um, especialmente até os primeiros 4 anos de idade.

Com a intenção de garantir uma alimentação tranquila e segura, a especialista sugere que o bebê esteja sentado no cadeirão, ou quando maiores, à mesa junto à família. “Se eles comem andando ou correndo, podem ficar com o alimento na boca, sem que os pais percebam, com risco potencial de engasgo e aspiração”, pontua.

Mesmo com todos os cuidados para evitar, incidentes acontecem. Caso ocorra o engasgo, a pediatra recomenda. “É importante tentar manter a calma e saber agir com rapidez para ajudar a criança a expelir o alimento ou objeto que está causando o sufocamento”.

Primeiros socorros

A técnica para os primeiros socorros no caso de engasgo é a Manobra Heimlich. Em pé, a pessoa que está prestando o socorro deve ficar atrás da criança engasgada e, com as mãos abaixo das costelas, sobre o diafragma, logo acima do umbigo, realizar compressões de dentro para fora e de baixo para cima, vigorosamente, até a criança soltar pela boca o alimento ou objeto que impedia sua respiração.

No caso de um bebê menor de um ano, a atitude correta é o adulto, sentado, colocá-lo sobre as pernas segurando em seu queixo com uma das mãos, mas com a cabeça um pouco mais inclinada para baixo. Com a outra mão, ele deve bater cinco vezes seguidas com vigor nas costas, seguida de cinco compressões no peito até que a criança desengasgue.

“Se as manobras não surtirem efeito, os pais devem chamar o atendimento de urgência, mantendo os procedimentos até o socorro médico chegar. Um alerta importante é para nunca tentar usar os dedos para retirar o objeto da garganta da criança, pois a atitude poderá empurrá-lo ainda mais fundo, piorando a situação”, complemeta a pediatra. Olivia Bessa.