'Se ele fez e ficar provado, tem que responder’, diz pai de investigado por morte de cão Orelha
Homem ainda apontou a falta de provas do caso.
O pai de um dos adolescentes investigados pela morte do cachorro conhecido como Orelha, em Florianópolis (SC), disse que quer justiça e, caso seja comprovado que o filho está envolvido, apoiará a punição.
Em entrevista ao Fantástico, exibida nesse domingo (1º) sem identificar o homem, ele frisou que a família não "passa a mão da cabeça" do jovem e apontou a falta de provas até o momento.
"A educação que eu e minha esposa damos para ele não foi de passar a mão na cabeça dele. Se ele fez alguma coisa e ficar provado, ele tem que responder. Mas tem que ser provado, porque até agora só foram acusações, acusações, acusações e não tem nada, não apresentaram absolutamente nada. A gente quer justiça tanto quanto as outras pessoas."
O advogado que representa duas famílias de investigados, Rodrigo Duarte da Silva, pediu a rapidez na coleta dos depoimentos para, diante disso, esclarecer os fatos.
"Que a verdade venha à tona e, a partir daí, todos os adolescentes que não têm culpa alguma no caso sejam publicamente inocentados e, se eventualmente algum deles tiver alguma parcela de contribuição com qualquer maus-tratos ou com qualquer pequeno delito de quiosque, ou de caminhar nas ruas e etc., que eles sejam, sim, responsabilizados, mas na medida da sua culpabilidade, por óbvio."
Falta de imagens do crime
Conforme o telejornal, a Polícia já ouviu mais de 20 testemunhas e analisa cerca de mil horas de gravações de imagens, registradas por câmeras de segurança da região da Praia Brava, no norte da capital catarinense, onde teria acontecido o caso.
Questionada pela reportagem, a delegada de Proteção Animal da Polícia Civil de Santa Catarina, Mardjoli Valcareggi, afirmou, até o momento, não haver testemunhas que presenciaram a agressão ao cão Orelha ou imagens do crime.
"O momento exato da agressão, nós não temos. Temos um feixe de indícios convergentes que levaram a essa suspeita de envolvimento de adolescente. E esse é o nosso desafio investigativo: nós juntarmos as peças do quebra-cabeça para a gente conseguir esclarecer o que aconteceu."
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O que aconteceu?
O cão tinha cerca de 10 anos e era um dos três cachorros mantidos como mascotes pela comunidade da área, que alimentava e cuidava dos animais.
"Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que aqui vivem", detalhou a Associação de Moradores da Praia Brava em nota no último dia 16 de janeiro.
Recentemente, ele desaparecera, sendo encontrado dias depois, caído e agonizando, por uma das pessoas que cuidava dele.
A mulher recolheu o animal e o levou a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade das lesões, ele foi submetido à eutanásia — procedimento indolor indicado para aliviar sofrimento intenso em casos irreversíveis em animais.
Conforme a Polícia Civil, um grupo de quatro adolescentes é suspeito de envolvimento nas agressões. Em 26 de janeiro, a autoridade realizou diligências em endereços ligados aos investigados.
A corporação ainda apura a informação de que um policial civil, supostamente pai de um dos suspeitos, teria coagido uma testemunha.
A delegada do caso, Mardjoli Valcareggi, confirmou que apura a denúncia de coação, mas negou que haveria o envolvimento de um agente de segurança no crime em si.