Vídeos feitos por corretora morta em Goiás foram fundamentais para solução do caso, diz Polícia
Um dos arquivos, que poderia ter gravado crime, pode ter sido apagado.
Vídeos gravados e enviados pela corretora Daiane Alves momentos antes de desaparecer foram decisivos para que a Polícia Civil de Goiás esclarecesse o assassinato da vítima, após 43 dias de investigação.
O Fantástico exibiu as imagens nesse domingo (1º). O crime ocorreu em Caldas Novas, no interior do estado, e teve como autor confesso Cléber Rosa de Oliveira, síndico do prédio onde Daiane morava, segundo informou a Delegacia de Homicídios.
Daiane foi vista com vida pela última vez em 17 de dezembro de 2025, quando câmeras do elevador do condomínio registraram a corretora descendo ao subsolo do edifício. Após esse momento, ela desapareceu. O corpo só foi localizado semanas depois, em uma área de mata próxima à rodovia, após Cléber levar a Polícia até o local e confessar o crime. O filho dele, Maicon Douglas, também foi preso por suspeita de acobertar o homicídio e dificultar as investigações.
Conforme o depoimento do suspeito, o corpo da corretora foi abandonado a cerca de 15 metros da rodovia, em um trecho de mata fechada. Durante o período em que Daiane esteve desaparecida, segundo familiares, o síndico manteve a rotina normalmente no condomínio. “Foram 43 dias esperando um resultado, enquanto ele circulava como se nada tivesse acontecido”, relatou Nilse Pontes, mãe da corretora.
As investigações apontaram que o conflito entre vítima e suspeito começou em novembro de 2024, quando Daiane passou a administrar imóveis da família e, posteriormente, de outros moradores do prédio — função que antes era exercida por Cléber.
Familiares afirmam que o síndico impunha regras próprias no condomínio e aplicava punições a moradores, o que gerou atritos. Daiane chegou a ser afastada do prédio, mas retornou por decisão judicial.
O que a corretora gravou em vídeos?
Vídeos gravados pela corretora registraram os últimos momentos dela antes de ser morta. As imagens mostram a corretora dentro do apartamento sem energia elétrica, enquanto o restante do edifício permanece iluminado. Em seguida, Daiane entra no elevador e desce até a recepção do condomínio, área de acesso comum aos moradores.
As gravações foram enviadas ao G1 por uma amiga da vítima, Georgiana dos Passos.
Durante o trajeto registrado no vídeo, Daiane chega a se encontrar com outro morador dentro do elevador. Na recepção, é possível ver o reflexo da corretora na parede metálica do elevador e na tela de um notebook. No edifício, o acesso ao subsolo é restrito aos moradores.
Na última semana, a Polícia Civil realizou novas perícias no prédio. Segundo o delegado responsável pelo caso, André Barbosa, os trabalhos incluíram uma simulação para esclarecer a dinâmica dos fatos, com a possibilidade de disparos de arma de fogo.
Último vídeo gravado por corretora pode ter sido apagado
Para os investigadores, os vídeos enviados por Daiane à amiga Georgiana, que mora em Uberlândia (MG), foram decisivos. Um terceiro registro, que estaria sendo feito no subsolo, nunca chegou ao destino. “Ela estava gravando e me mandando na hora. Ia até a recepção para questionar o que estava acontecendo”, contou Georgiana ao Fantástico.
Segundo o delegado André Barbosa, o fato de o terceiro vídeo não ter sido enviado foi determinante. “Isso mostrou que ela não pretendia desaparecer. Algo interrompeu esse envio, o que nos indicou claramente que se tratava de um homicídio”, afirmou.
O inquérito está em andamento para esclarecer a participação de outros envolvidos e apurar possíveis falhas ou manipulações no sistema de segurança do condomínio.