Vídeos feitos por corretora morta em Goiás foram fundamentais para solução do caso, diz Polícia

Um dos arquivos, que poderia ter gravado crime, pode ter sido apagado.

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Vídeo mostra apartamento com luzes apagadas no dia do crime.
Legenda: Vídeo mostra apartamento com luzes apagadas no dia do crime.
Foto: Reprodução/Globo

Vídeos gravados e enviados pela corretora Daiane Alves momentos antes de desaparecer foram decisivos para que a Polícia Civil de Goiás esclarecesse o assassinato da vítima, após 43 dias de investigação.

O Fantástico exibiu as imagens nesse domingo (1º). O crime ocorreu em Caldas Novas, no interior do estado, e teve como autor confesso Cléber Rosa de Oliveira, síndico do prédio onde Daiane morava, segundo informou a Delegacia de Homicídios.

Daiane foi vista com vida pela última vez em 17 de dezembro de 2025, quando câmeras do elevador do condomínio registraram a corretora descendo ao subsolo do edifício. Após esse momento, ela desapareceu. O corpo só foi localizado semanas depois, em uma área de mata próxima à rodovia, após Cléber levar a Polícia até o local e confessar o crime. O filho dele, Maicon Douglas, também foi preso por suspeita de acobertar o homicídio e dificultar as investigações.

Combinação de imagens mostra, à esquerda, o síndico Cléber Rosa de Oliveira sendo conduzido por agente da Polícia Civil ao local onde abandonou o corpo da corretora Daiane Alves Souza, e, à direita, a última imagem registrada da corretora Daiane Alves Souza antes de desaparecer em Caldas Novas, em Goiás.
Legenda: Mulher sumiu após ser vista descendo ao subsolo do prédio, em dezembro de 2025, para religar luz de apartamento que administrava no local.
Foto: Reprodução/TV Anhanguera e reprodução.

Conforme o depoimento do suspeito, o corpo da corretora foi abandonado a cerca de 15 metros da rodovia, em um trecho de mata fechada. Durante o período em que Daiane esteve desaparecida, segundo familiares, o síndico manteve a rotina normalmente no condomínio. “Foram 43 dias esperando um resultado, enquanto ele circulava como se nada tivesse acontecido”, relatou Nilse Pontes, mãe da corretora.

As investigações apontaram que o conflito entre vítima e suspeito começou em novembro de 2024, quando Daiane passou a administrar imóveis da família e, posteriormente, de outros moradores do prédio — função que antes era exercida por Cléber.

Familiares afirmam que o síndico impunha regras próprias no condomínio e aplicava punições a moradores, o que gerou atritos. Daiane chegou a ser afastada do prédio, mas retornou por decisão judicial.

O que a corretora gravou em vídeos?

Vídeos gravados pela corretora registraram os últimos momentos dela antes de ser morta. As imagens mostram a corretora dentro do apartamento sem energia elétrica, enquanto o restante do edifício permanece iluminado. Em seguida, Daiane entra no elevador e desce até a recepção do condomínio, área de acesso comum aos moradores.

As gravações foram enviadas ao G1 por uma amiga da vítima, Georgiana dos Passos. 

Durante o trajeto registrado no vídeo, Daiane chega a se encontrar com outro morador dentro do elevador. Na recepção, é possível ver o reflexo da corretora na parede metálica do elevador e na tela de um notebook. No edifício, o acesso ao subsolo é restrito aos moradores.

Na última semana, a Polícia Civil realizou novas perícias no prédio. Segundo o delegado responsável pelo caso, André Barbosa, os trabalhos incluíram uma simulação para esclarecer a dinâmica dos fatos, com a possibilidade de disparos de arma de fogo.

Último vídeo gravado por corretora pode ter sido apagado

Para os investigadores, os vídeos enviados por Daiane à amiga Georgiana, que mora em Uberlândia (MG), foram decisivos. Um terceiro registro, que estaria sendo feito no subsolo, nunca chegou ao destino. “Ela estava gravando e me mandando na hora. Ia até a recepção para questionar o que estava acontecendo”, contou Georgiana ao Fantástico.

Segundo o delegado André Barbosa, o fato de o terceiro vídeo não ter sido enviado foi determinante. “Isso mostrou que ela não pretendia desaparecer. Algo interrompeu esse envio, o que nos indicou claramente que se tratava de um homicídio”, afirmou.

O inquérito está em andamento para esclarecer a participação de outros envolvidos e apurar possíveis falhas ou manipulações no sistema de segurança do condomínio.