Erlan Bastos relatou diagnóstico de doença rara ao vivo antes de morrer
Jornalista faleceu no sábado (17), após dias internado na UTI.
Sepultado neste domingo (18) em Teresina, no Piauí, o jornalista Erlan Bastos, morto aos 32 anos, chegou a relatar ao vivo, durante a apresentação de seu programa, o diagnóstico grave que enfrentava. O comunicador comandava o “Bora Amapá”, na NC TV, afiliada da Band.
Em uma das edições do programa, Erlan contou que havia chegado a Macapá, cerca de um mês antes, “com inchaço na barriga e suando muito”. Segundo o jornalista, ele procurou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e recebeu apenas orientação para tomar remédios para gases. Como não apresentou melhora, retornou à unidade, mas relatou que não passou por exames mais aprofundados.
“Na terceira vez, pedi: doutor, por favor, peça um exame de sangue porque não estava normal”, relatou o jornalista. Na hora que foi para retornar, já era uma outra médica. Ela olha e fala: “teve uma pequena alteração no seu fígado, mas nada de mais, pode voltar para casa”. No dia seguinte eu voltei a passar mal novamente e, pela quarta vez, eu volto pra UPA.
Ao relatar a quarta ida à unidade de saúde, Erlan afirmou que a conduta médica mudou de forma brusca.
“O médico olha e fala bem assim: você tem que ir pro HE [Hospital de Emergência] agora porque você está com uma infecção. Naquela hora, fiquei em estado de choque, porque no dia anterior eu tinha passado por uma médica, que viu os mesmíssimos exames e me mandou pra casa. Fui para o HE e me internaram imediatamente, e passei quatro dias”, destacou.
Após a realização de novos exames, o jornalista recebeu o diagnóstico de tuberculose peritoneal, uma forma rara da doença. Ele chegou a ser internado novamente e foi entubado nesta sexta-feira (16), mas não resistiu. A morte do profissional foi confirmada no sábado (17).
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Conhecido pelo trabalho no jornalismo de entretenimento e de bastidores, Erlan construiu uma trajetória marcada por opinião forte, proximidade com o público e grande alcance nas redes sociais. Natural de Manaus, nasceu em uma família de poucos recursos, teve uma infância difícil e chegou a trabalhar como catador de latinhas.
Em busca de oportunidades, mudou-se para São Paulo, onde relatou ter vivido em situação de rua por cerca de três meses. Ganhou projeção nacional em 2018, com o canal “Hora da Venenosa”, no YouTube.
Erlan deixou a mãe, Elândia, irmãos e o companheiro. Em nota oficial, a NC TV Amapá lamentou a morte do apresentador e destacou que, mesmo em pouco tempo na emissora, ele marcou o jornalismo local pela postura firme, atuação crítica e compromisso com a verdade.