Izolda Cela diz que é "precipitado" o apoio a nomes para a sucessão estadual

A mandatária é um dos quatro nomes do PDT cotados para concorrer ao Palácio da Abolição em outubro deste ano

Izolda Cela
Legenda: A governadora considera "precipitado" apoio a nomes para a sucessão estadual nesse momento
Foto: Fabiane de Paula

Apesar de preferir não falar sobre a disputa eleitoral para o Governo do Ceará, a governadora Izolda Cela (PDT) esteve no centro do embate político entre o PT e o PDT sobre a sucessão estadual.

Nos últimos dias, pedetistas têm se mobilizado em torno do nome do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT), enquanto lideranças petistas têm manifestado preferência para escolha de Izolda como candidata. Para a governadora, no entanto, é "precipitado" o apoio a nomes agora.

Em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, nessa terça-feira (19), Izolda disse ainda que não considera que esses apoios devam ser "um assunto importante nesse momento" e que existe "um fluxo que vai possibilitar a melhor definição".  

Iniciado pelo prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT), o movimento de apoio em torno de Roberto Cláudio tem ganhado força entre os pedetistas, inclusive com forte mobilização dos vereadores da capital cearense. Partidos aliados, como o PSB, também já manifestaram publicamente a defesa do nome do ex-prefeito.

Por outro lado, o PT do ex-governador Camilo Santana tem resistências ao nome de Roberto Cláudio. Uma das principais lideranças contrárias a escolha do ex-prefeito para a cabeça de chapa governista é a deputada federal Luizianne Lins (PT).

Com grande força dentro da legenda petista, o deputado José Guimarães disse que o PT quer discutir nomes e que pode voltar a pensar em candidatura própria "a depender desse nome e do caminho que o PDT escolher".

'Precipitado'

Em resposta à fala de Guimarães, o vice-presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Adail Júnior (PDT), reforçou a preferência pelo nome de Roberto Cláudio e chegou a insinuar que Izolda teria “sangue petista”.

Para a governadora, é normal que haja alguns "mais acalorados". "Só precisamos dar o devido lugar, o devido peso a isso para não atrapalhar o essencial", ressaltou. Ela garante ainda que esse embate não interfere, por exemplo, "na busca de unidade" dentro do PDT para a sucessão estadual.

"(Mas) Eu acho precipitado o apoio a nomes e fazer disso um assunto importante do momento. Não precisa disso. Eu penso que temos um fluxo em um tempo que o calendário permite e que vai possibilitar a melhor definição. Eu apoio o que for a melhor definição da situação para o nosso estado. Me interessa que o trabalho siga".
Izolda Cela
Governadora do Ceará

Segurança pública

Os problemas da segurança pública no Estado continuam a ser um dos temas mais criticados pela oposição ao Governo, inclusive com forte probabilidade do debate ser levado para o centro da discussão na campanha eleitoral.

Para a governadora Izolda Cela, a forma de enfrentar as críticas é "com a verdade". "Não esperem de mim promessas ilusórias, minimizar as coisas. Tendo sempre a visão da complexidade da realidade desse problema da violência, que é um problema que afeta a todo País", ressalta.

A governadora cita que a responsabilidade de coordenação do combate ao crime deveria vir do governo federal, para possibilitar mais chances de resolver o problema. "Mas infelizmente, nós não temos isso", critica.

Ela diz que a ausência dessa coordenação "não imobiliza" a gestão estadual na busca por soluções para os problemas na área. Ela cita como exemplo o fortalecimento da articulação entre os órgãos, o diálogo com a pesquisa acadêmica desenvolvida na área, além da utilização de recursos tecnológicos.

A gestora lembra episódios como o ataque de facções ocorrido no início de 2019 e o motim de forças militares no início de 2020 – que caracteriza como "situações dramáticas" no Estado.

"Após toda aquela interferência, se vê a explosão de homicídios, de violência e que depois é um custo para retomar e reequilibrar. Estamos em um momento de redução, mas a comemoração disso é breve, porque sabemos que muito ainda nos desafia", afirma.

Garantir ritmo das entregas

Izolda Cela assumiu o comando do Governo do Ceará garantindo a continuidade da gestão iniciada pelo ex-governador Camilo Santana. Ela explica que os pilares e prioridades do governo foram estabelecidos e devem ser seguidos nos próximos nove meses até o fim do mandato.

"O que me move é garantir ritmo nas entregas. Isso é algo importante e que demanda acompanhamento, gerenciamento das ações para fazer as entregas de obras e serviços que estão planejadas nesse tempo", reforça.

Um dos focos, segundo a governadora, é a preparação dos jovens para o mundo do trabalho, principalmente voltado à novas tecnologias e ao mercado de trabalho voltado ao digital. "Temos um apagão de mão de obra nessa área e que, ao longo dos dez anos, a projeção é que haja insuficiência nessa oferta. Então, vamos botar os jovens nessa história, de forma mais focada e efetiva", afirma.

Izolda Cela
Legenda: Izolda Cela assumiu o Governo no dia 2 de abril com discurso de continuidade da gestão antes comandada por Camilo Santana
Foto: Fabiane de Paula

Ela cita, inclusive, parcerias com o setor produtivo para que as empresas tenham, dentro da pauta de responsabilidade social, "esse compromisso com o jovem cearense".

Emergência sanitária

Em decisão recente, o Governo do Ceará decidiu retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes fechados. O passaporte vacinal, por outro lado, continua obrigatório em todo o Estado.

Dentro da continuidade do combate à pandemia de Covid-19, outra preocupação é o anúncio, pelo governo federal, do fim da emergência sanitária no País. Para a governadora Izolda Cela, falta o Ministério da Saúde explicar melhor como isso deve ocorrer.

"Precisa explicar a progressividade com que isso vai acontecer. Se for algo de forma abrupta, pode causar descontinuidade e problemas para as gestões, (...) que procederam atividades formais de aquisição e contratações baseados na situação especial de emergência em saúde", explica.

Segundo ela, é aguardada uma reunião do Ministério da Saúde com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) na próxima semana sobre o tema. "Para que o Ministério possa ouví-los e que haja essa progressividade para não causar problemas", completa.