Legislativo Judiciário Executivo

Dra. Silvana critica ausência de igrejas em pacto contra feminicídio e rasga documento em discurso

A deputada do PL foi rebatida por Larissa Gaspar, que reforçou a importância da união dos Poderes no combate ao crime.

Duas mulheres discursam em tribunas com microfone na Assembleia Legislativa do Ceará; à esquerda, mulher de blusa clara gesticula enquanto fala; à direita, mulher de blazer vermelho escuta atentamente, em ambiente institucional de plenário.
Legenda: Dra. Silvana rasgou o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio e fez críticas ao documento, no que foi rebatida por Larissa Gaspar.
Foto: Júnior Pio/Alece.

A deputada estadual Dra. Silvana (PL) "rasgou", nesta quinta-feira (5), o "Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio" durante discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). Ela afirmou que a iniciativa é um "fingimento" porque não "inclui as igrejas". 

"Sem as igrejas, sem jesus, é impossível combater o feminicídio", disse. Para a parlamentar, o número de feminicídios tem crescido porque as pessoas "não estão seguindo o Santo Evangelho". "Mas enquanto continuar essa atrocidade de se matar mulheres, de se tentar esvaziar as pessoas da fé, o feminicídio vai continuar crescendo, infelizmente", argumentou.

A deputada estadual Larissa Gaspar (PT) rebateu as críticas e disse "lamentar" que a colega tenha rasgado o pacto. Ela reforçou a "importância da construção e assinatura" do pacto e disse que diversos movimentos, inclusive os religiosos e as Igrejas, serão convocadas para criar as estratégias de combate ao feminicídio. 

"Apenas a institucionalização do pacto foi feita entre os Poderes, porque estão devidamente estabelecidos pela nossa Constituição e, portanto, devem fazer parte da construção dessa iniciativa", argumentou a deputada petista. Na sequência, ela convidou Dra. Silvana a colaborar com o Pacto contra o Feminicídio, que tem sido construído dentro da Alece, desde 2025. 

Veja o discurso de Dra. Silvana:

O Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio foi lançado pelo Governo Lula (PT) nesta quarta-feira (4) e uniu o Poder Legislativo e Poder Judiciário em um compromisso para enfrentar a violência letal contra mulheres e meninas no Brasil.

Durante o discurso, Dra. Silvana afirmou, no entanto, que o "pacto está errado". "Enquanto não incluir Deus, a Igreja, a família, (...) não vai ajudar a combater o feminicídio", defendeu. "Se no pacto tivesse escrito que estava fazendo um pacto com as igrejas, com as religiões, contra o feminicídio, aí essa deputada não rasgava não". 

O argumento foi respondido por Gaspar: "É óbvio que esses Poderes convocarão toda a sociedade civil, movimentos sociais, movimentos sindicais, movimentos religiosos, igrejas, todas as organizações da sociedade civil para pensar, juntos, estratégias". "Eu lamento que ela tenha rasgado esse pacto, porque é fundamental a união dos Três Poderes para enfrentar a violência contra a mulher", acrescentou. 

Veja a resposta de Larissa Gaspar:

Embate sobre o combate ao feminicídio

Oposição à gestão petista, Dra. Silvana alegou que o Governo Lula "ameaça" a família, ao "tentar criar uma queda de braço entre homens e mulheres". "Sou a favor da família patriarcal. Eu digo isso para as feministas ficarem doidas, convulsionarem, terem umas três crises de convulsão e mais um AVC", acrescentou. 

"Quem está dizendo é uma mulher. Uma família organizada, feliz, onde a mulher é o vaso mais frágil, lindo e precioso de uma família, tem que ser tratada como uma pétala de rosa, como um cristal abençoado, isso é que Cristo prega, é isso que defendo", disse.

A deputada do PL pontuou ainda que os casos de feminicídio tem crescido durante o Governo Lula, que ela chamou de "governo de desmando contra as mulheres". 

Em 2025, o Brasil teve um novo recorde de violência letal contra mulheres: foram 1.470 feminicídios de janeiro a dezembro, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então.

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Em resposta, Larissa Gaspar pontuou que a razão para o aumento de "mais de 300% dos casos de feminicídio no País durante a última década" é o "desgoverno anterior", em referência a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

"Ele destruiu o maior programa de enfrentamento à violência contra a mulher desse País, que era o programa Mulher Viver Sem Violência, onde havia a previsão de construção de Casas da Mulher Brasileira, como temos aqui, no Ceará. Essas Casas deveriam existir em todas as capitais brasileiras, mas não existem porque Bolsonaro acabou com o programa", argumento Gaspar. 

Ela acrescentou ainda que o Governo Bolsonaro "destruiu, descaracterizou e deu outra conotação" ao Ministério das Mulheres e "e não executava nem 25% do orçamento previsto" para as políticas voltadas as mulheres.

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