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Cármen Lúcia rebate advogado de Ramagem: 'Sabe a distinção entre voto auditável e impresso?'

Ministra do STF defendeu a urnas e o processo eleitoral, que foi amplamente atacado no contexto da suposta tentativa de golpe de Estado

Escrito por
Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
(Atualizado às 18:53)
Foto de ministra Cármen Lúcia durante julgamento do núcleo 1 do golpe no STF onde rebate advogado de Ramagem
Legenda: Ministra rebateu declarações de advogado durante julgamento
Foto: Luiz Silveira/STF

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu o advogado do réu Alexandre Ramagem, Paulo Cintra, sobre falas dele durante o julgamento do Núcleo 1 da tentativa de golpe de estado nesta terça-feira (2). Segundo a ministra, a defesa teria dito que voto impresso e auditável eram sinônimos. 

"Vossa Senhoria sabe a distinção entre processo eleitoral auditável e voto impresso? Porque repetiu como se fosse sinônimo e não é, porque o processo eleitoral é amplamente auditável no Brasil, passamos por uma auditoria, e para que não fique para quem assiste [o julgamento] a ideia de que não é auditável. Uma coisa é a eleição com processo auditável, outra coisa é o voto impresso", comentou Cármen. 

Veja o momento 

O advogado respondeu e disse só usou os termos como sinônimos pois, no contexto da investigação, isso ocorreu. Neste momento, a ministra rebateu novamente a fala.

"Uma coisa é a eleição com processo auditável, outra coisa é o voto impresso. O que se fez foi o tempo todo dizer que precisava de voto impresso, que tem a ver com o segredo do voto, a lisura e a rigidez do direito de cada cidadã e cidadão votar só de acordo com o que ele pensa e ninguém saber disso", pontuou. 

Cintra chegou a utilizar a frase "A minha opinião" durante sua resposta à ministra, e Cármen Lúcia disparou: "Não se trata de opinião, é fato que o sistema eleitoral brasileiro é auditável. Ponto!".

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Defesa nega participação de Ramagem 

Em sua sustentação oral, o negou que o deputado federal Ramagem tenha participação em organização criminosa que planejou a tentativa de golpe. 

A defesa negou que Ramagem atuou elaborando uma mensagem de descrédito às urnas. Paulo ainda disse que os trechos que se têm falam de pensamentos "publicizados" por Bolsonaro: "Ramagem não atuou para orientar, não era e ensaísta de Jair Bolsonaro, ele compilava pensamentos do presidente. Isso aconteceu nesse documento, presidente.docx e também no documento presidenteinformatse.docx". 

Ainda conforme ele, “não há prova concreta de que esses documentos [sigilosos da Abin] tenham sido transmitidos”.

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