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Cada R$ 1 investido no Carnaval de Fortaleza em 2025 teve R$ 6 de retorno, diz Helena Barbosa

Secretária de Cultura de Fortaleza falou ao PontoPoder que impacto positivo na economia pode ser maior neste ano, com ampliação do número de polos da folia.

Escrito por
Bruno Leite bruno.leite@svm.com.br
Uma fotografia colorida e vibrante captura uma multidão densa celebrando o Carnaval em uma rua de Fortaleza. No centro, pessoas usam fantasias criativas e acessórios festivos, como tiaras de girassol, bonés coloridos e óculos escuros. Destacam-se um pequeno guarda-chuva de frevo colorido aberto e um guarda-chuva branco maior à direita. O clima é de alegria e proximidade, com foliões sorrindo sob o céu nublado. A profundidade de campo é rasa, mantendo o foco nas expressões das pessoas no plano médio enquanto o fundo se mistura em um mar de cores e movimento.
Legenda: Carnaval é um forte mecanismo de fortalecimento da economia local, segundo a gestora.
Foto: Thiago Gadelha.

A secretária municipal de Cultura de Fortaleza, Helena Barbosa, destacou o retorno da injeção de recursos públicos na realização do Ciclo Carnavalesco para a economia da capital cearense. 

Em entrevista ao PontoPoder, na segunda-feira (2), durante a abertura dos trabalhos do ano legislativo da Câmara Municipal, a gestora afirmou que uma pesquisa realizada em 2025 mostrou que para cada R$ 1 real investido pela Prefeitura de Fortaleza, houve um retorno de R$ 6 para a economia da cidade.

“Isso numa perspectiva de 21 para palcos. A gente agora tem 25 palcos e a cidade já entendeu o que é essa descentralização do Carnaval. Então, o público está ainda maior”, pontuou, dando conta que o reflexo na economia pode ser mais amplo que o do ano anterior.

Helena descreveu que o último fim de semana do pré-Carnaval — que contou com atrações como O Kannalha, BaianaSystem e Baqueta Clube de Ritmistas no Aterrinho da Praia de Iracema, além de 30 blocos em 54 apresentações em diferentes bairros da cidade — movimentou uma multidão.

“A gente ficou muito feliz que a cada ambulante que passava já estava tudo vendido. É muito bacana, não só na Praia de Iracema, mas a gente começa a circular nos outros territórios e o sentimento é o mesmo”, narrou a secretária, que classificou o reconhecimento dos empreendedores como “o grande termômetro”.

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“E isso diz muito quando a gente defende que cultura não é só gasto, é investimento, porque volta para a cidade, volta a fortalecer a circulação da economia e a gente está muito surpreso de forma positiva, do alcance que tem dado, mas, sobretudo, feliz com essa conquista”, considerou. 

Ao que disse Helena Barbosa, várias reuniões de planejamento, com diferentes órgãos do Município, estão no cronograma de realização do Carnaval de Fortaleza, para montar o plano operacional.

Cachês de artistas para o Carnaval

Perguntada sobre como a Prefeitura de Fortaleza avalia os cachês cobrados por artistas contratados para a folia — um assunto que tem sido objeto de reclamações de prefeitos ligados à Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece) — a titular da pasta da Cultura destacou que essa discussão está sendo tratada nacionalmente.

“O Brasil inteiro está vivendo isso, existe até essa discussão junto às redes dos prefeitos. Eu tendo a fazer um balanceamento: se tem um cachê que é maior, os outros eu faço menor para não impactar tanto o orçamento da Cultura, porque a nossa prioridade é o investimento no fortalecimento da cena local”, discorreu. 

A ação junto à “cena local” mencionada por ela, explicou Helena, vai muito além da contratação de artistas: “A gente tem o aumento de até 36% nos artistas, através de um fórum que a gente fez de Carnaval. Mas é importante dizer que há toda uma rede de trabalhadores da Cultura para a coisa acontecer. Aí falo dos técnicos, dos produtores, dos roadies, dos fornecedores”. 

Foto de Helena Barbosa e Evandro Leitão durante lançamento do Ciclo Carnavalesco 2026.
Legenda: Secretária Helena Barbosa, com o prefeito Evandro Leitão (PT), no lançamento do Ciclo Carnavalesco 2026, em janeiro.
Foto: Beatriz Boblitz/Prefeitura de Fortaleza.

“Quando a gente pega o orçamento geral, tende a focar muito nos cachês maiores, mas há investimento nessa estrutura que é necessária para fazer o artista se apresentar. O artista sozinho não consegue se apresentar, apesar de ser ele o grande produto”, completou.

Conforme detalhou, sua gestão investe em formação, em editais de fomento, na destinação de recursos para a periferia, para fomentar todas as fases da cadeia produtiva da cultura.

“Quando eu lanço o [programa] Cultura na Calçada, estou pensando no artista que está lá fazendo um reggae no Beira-Rio, um sarau na Parangaba, esse artista também precisa desse investimento para que daqui a pouco esteja também nos grandes palcos”, definiu. 

'Marca' do Carnaval de Fortaleza

Por fim, a secretária comentou sobre a marca do Carnaval de Fortaleza, que, de acordo com ela, é realizado numa cidade “totalmente fundamentada na pluralidade de territórios, de pessoas e de ritmos”. 

“Quando a gente fala de descentralizar, aliás, de democratizar, é importante que um plano de ação cultural consiga refletir esses territórios, esses corpos, esses ritmos. A nossa marca, para além da descentralização, que tem sido uma grande conquista, é também dizer o quanto são várias fortalezas em uma única cidade. E isso precisa ser representado em toda a nossa política”, concluiu. 

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