Vitrine política: prefeitos crescem nas redes sociais com visibilidade do Carnaval; veja a lista

Gestores de municípios do litoral lideram o crescimento de seguidores entre prefeitos em fevereiro.

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: Da esquerda para a direita: Gabi Aquino, prefeita de Paracuru; Ana Afif, prefeita de Cascavel; Roberta de Bismarck, prefeita de Aracati; e Bruno Gonçalves, prefeito de Aquiraz.
Foto: Montagem

O Carnaval de 2026 no Ceará não movimentou apenas trios elétricos e blocos de rua. Também impulsionou algoritmos e deu visibilidade a gestores. Um levantamento feito pela coluna, com base em dados da rede social Instagram, mostra que quatro prefeitos do Interior lideraram o crescimento proporcional de seguidores no mês de fevereiro, justamente no período em que seus municípios realizaram algumas das maiores festas do Estado. 

Os números revelam uma conexão direta entre vitrine turística, presença digital e capital político. 

Quem mais cresceu nas redes 

Confira a variação no número de seguidores durante o mês: 

  • Gabi Aquino (Paracuru): de 47,9 mil para 57,8 mil, alta de 9,8 mil seguidores;
  • Ana Afif (Cascavel): de 88,5 mil para 93,9 mil, alta de 5,3 mil seguidores;
  • Roberta de Bismarck (Aracati): de 50,9 mil para 55,9 mil, alta de 5 mil;
  • Bruno Gonçalves (Aquiraz): de 218,6 mil para 223,3 mil, alta de 4,6 mil. 

Os quatro gestores têm algo em comum: comandam municípios litorâneos que apostaram alto na programação carnavalesca e utilizaram as redes sociais como ferramenta de divulgação. 

Turismo, economia e visibilidade 

O debate sobre gasto público com festas populares é recorrente no Brasil. Em um País onde saúde, educação e segurança enfrentam desafios estruturais, a aplicação de recursos em grandes eventos é constantemente questionada. 

A ponderação é legítima. Mas o contexto importa. 

No caso das cidades citadas, trata-se de municípios cuja principal matriz econômica é o turismo. A lógica adotada é a de investimento com retorno. E os números reforçam essa tese.

 

De acordo com o secretário estadual do Turismo do Ceará, Eduardo Bismarck, o Ceará recebeu 211 mil turistas no período carnavalesco, alta de 12% em relação ao ano anterior. A taxa de ocupação hoteleira ultrapassou 90% nas regiões com maior programação.

R$ 905 milhões
foi a movimentação financeira do Carnaval no Estado, crescimento de 20%.

Somente em Aracati, segundo o secretário, mais de 1 milhão de foliões circularam durante os quatro dias de festa. O volume expressivo evidencia a capacidade de geração de renda direta e indireta para comerciantes, ambulantes, rede hoteleira e trabalhadores informais. A festa na cidade reuniu atrações locais e também nacionais como os baianos Leo Santana, Daniela Mercury e 'O Kanalha'.

Em cidades como Aracati, Cascavel, Paracuru e Aquiraz, o Carnaval deixou dividendos econômicos e ampliou a vitrine turística. 

Política na era do algoritmo 

Há um elemento adicional nesse cenário: a comunicação política. 

As redes sociais tornaram-se extensão da gestão pública. Prefeitos passaram a utilizar suas contas como canal para anunciar atrações, divulgar programação e mostrar bastidores. 

O resultado aparece nos números. Entre os prefeitos cearenses, esses quatro foram os que mais cresceram em números de seguidores no período.  

O debate que permanece 

O Carnaval deste ano reforça uma realidade: em cidades turísticas, festas populares podem funcionar como política pública de desenvolvimento econômico. 

Mas isso não elimina a necessidade de transparência nos contratos, planejamento financeiro e avaliação de resultados. 

No curto prazo, os números indicam que os prefeitos ganharam em dois campos: na economia local e na popularidade digital. 

No médio e longo prazo, o desafio será transformar os ganhos em melhoria real da qualidade de vida da população.