Após nota, aliados de Bolsonaro no Ceará pregam confiança e dizem que não há divisão nas bases

Vereadores e deputados garantem que mudança de postura do chefe do Executivo federal não causou racha nas bases eleitorais

BOlsonaro
Legenda: Aliados do presidente comentam sobre o recuo em relação aos ataques que preferiu contra o STF
Foto: Divulgação/PR

Vereadores e deputados cearenses aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) exaltaram a decisão dele de recuar em relação aos ataques que promoveu ao Judiciário, principalmente contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para os parlamentares, a decisão gerou dúvidas, mas não afetou a confiança no presidente, garantem. 

Nas redes sociais, o deputado federal Dr. Jaziel (PL) pediu paciência aos bolsonaristas como ele. “O movimento de aparente recuo feito pelo presidente só demonstra que ele não é golpista. Na verdade, os mais interessados na crise entre os poderes são a esquerda e os inimigos do presidente. Leiam a nota dele. Agora, esperem os próximos momentos. Logo veremos os resultados”, disse. 

Aliado de primeira ordem do presidente no Ceará, o deputado estadual André Fernandes (Republicanos) publicou foto ao lado de Bolsonaro durante a live de quinta-feira (9), horas depois de Bolsonaro ter publicado a nota. O cearense reafirmou a confiança no chefe do Executivo nacional. 

Ele ainda citou um trecho do livro “A Arte da Guerra”, uma manual de estratégia militar escrito pelo chinês Sun Tzu. “Um chefe que é capaz deve fingir ser incapaz; se está pronto, deve fingir-se despreparado; se estiver perto do inimigo, deve parecer estar longe”, disse o parlamentar. 

Gesto de estadista

O também deputado estadual Delegado Cavalcante (PTB) disse, em entrevista ao Diário do Nordeste, que “o presidente deu uma de estadista”. Segundo o parlamentar, a sensação é de que os seus eleitores compreenderam o posicionamento do presidente. 

“No dia 7 de setembro, a população foi às ruas e disse que está com ele (Bolsonaro), e quem manda na política é o povo, mas algumas ações que ele poderia ter tomado poderiam dar problema e beneficiar a esquerda, então o presidente resolveu recuar”, justificou o deputado. 

Segundo a deputada Dra. Silvana (PL), em sua base, o apoio ao presidente também se mantém “firme”. “Fiquei muito feliz com a postura de estadista do presidente, fazendo esse gesto em nome do bem do País”, declarou. 

“Quem ocupa uma posição de representação, está nessa situação por um voto de confiança das pessoas que o colocaram lá. Nem tudo que acontece nos bastidores da política, decisões, motivações, pode ser exposto. Isso é estratégia. Confiei meu voto e continuo confiando no presidente”, disse Soldado Noélio (Pros)

Confiança

Entre os vereadores da Capital, Carmelo Neto (Republicanos) reafirmou apoio ao presidente. Aos eleitores, pediu “ânimo e esperança”.

“As barreiras ultrapassadas pelo STF não serão esquecidas e os abusos que Alexandre de Moraes comentou em hipótese alguma serão menosprezados. O povo e o presidente deram nas ruas o recado sobre a atuação da Suprema Corte”, disse. O parlamentar ainda ponderou que ninguém está imune a críticas, mas pediu que os eleitores não se precipitem em relação à postura do presidente.

"Bolsonaro, como qualquer outro chefe de Estado, pode ser movido pelas emoções, então ele tensionou em sua fala, mas viu que havia extrapolado aquilo que defende, que é agir dentro das quatro linhas”, destacou o vereador Sargento Reginauro (Pros). Para ele, o presidente não poderia ter ameaçado descumprir decisões judiciais do ministro Alexandre de Moraes. 

“Mas ele fez um gesto de maturidade ao reconhecer isso e trabalhar para a harmonia entre os poderes. É isso que o povo clama: respeito à Constituição”, acrescentou. O vereador foi o único que reconheceu que o recuo do presidente causou um desencontro nas bases bolsonaristas. “Lógico que há uma divisão, mas a grande maioria entendeu que o presidente precisava dar um passo para trás”, ponderou Reginauro. 

A vereadora Priscila Costa (PSC) também usou as redes sociais para comentar a postura de Bolsonaro. “Nota do presidente em tom de ‘recuo’, impacta sim! Mas não é a 1ª vez, o choque da saída do Moro durou 72 horas, depois, muita gente pediu perdão por se precipitar! O Temer surge na cena, né? Foi ele que indicou Alexandre para o STF! Dá um nervoso, mas qualquer conclusão agora é precipitada”, disse. 

O deputado estadual Capitão Wagner (Pros), que participou dos atos em apoio ao presidente no dia 7 de Setembro, foi procurado pela reportagem, mas não respondeu.


Assuntos Relacionados