Valor da produção agrícola cearense cresce 28% em 2020 e atinge R$ 3 bilhões, diz IBGE

O montante é referente à colheita de todas as lavouras temporárias e permanentes do Estado

Legenda: O milho e o feijão de corda de 1ª safra continuam sendo os principais produtos, plantados em todos os municípios.
Foto: Waleska Santiago

A quadra chuvosa obtida no Ceará em 2020 - 12,9% acima da média - foi a principal responsável pelo crescimento da produção agrícola do Estado. Apesar de a área plantada ter tido variação de apenas 0,97%, o rendimento por hectare aumentou, fazendo o valor das colheitas subir 28,41% e atingir R$ 3,73 bilhões.

Os dados são da pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM) divulgada esta quarta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A supervisora estadual de estatística agropecuária do IBGE, Regina Feitosa, explica que as chuvas do ano passado apresentaram uma melhor distribuição ao longo dos meses e em todo o Estado, o que gerou melhores condições para o setor.

"O Ceará tem a característica de ser 92% formado por semiárido, que é marcado por irregularidade no tempo e espaço das chuvas. Em 2020, essa irregularidade foi mais amena", afirma.

O milho e o feijão de corda de 1ª safra continuam sendo os principais produtos, plantados em todos os municípios. 

No caso do milho, foram plantados 538,2 mil hectares do grão, obtendo uma produção de 633,3 mil toneladas e somando R$ 530,4 milhões. O grão é o primeiro lugar do ranking tanto em área plantada quanto em valores.

De feijão, foram plantados 375,3 mil hectares, que resultaram em 124,7 mil toneladas colhidas e R$ 439,3 milhões.

Confira as 10 principais lavouras do Estado em 2020 (por valor):

  1. Milho R$ 530,4 milhões
  2. Tomate R$ 502,8 milhões
  3. Feijão R$ 439,3 milhões
  4. Banana R$ 433,8 milhões
  5. Maracujá R$ 390,4 milhões
  6. Castanha de Caju R$ 280,6 milhões
  7. Mandioca R$ 245,5 milhões
  8. Coco da Baía R$ 203,2 milhões
  9. Mamão R$ 149 milhões
  10. Batata-doce R$ 132,5 milhões

Rendimento

Feitosa pontua que nem sempre as maiores áreas plantadas geram os melhores resultados em valores. Isso acontece por conta do rendimento por hectare.

Ela lembra que o tomate, por exemplo, contou com apenas 2,5 mil hectares de produção em 2020 - apenas o 15º nesse quesito. No entanto, com um rendimento de 71,08 quilos por hectare, a produção somou R$ 502,8 milhões, garantindo o segundo lugar em termos de valores.

"Lembrando que esse preço é a média do valor praticado na porteira, livre de frete, embalagem, tudo. É importante frisar isso, porque nem sempre os aumentos que a gente vê nos supermercados chega para o produtor", ressalta a supervisora.

Lavouras temporárias e permanentes

A PAM ainda divide a produção agrícola em lavouras temporárias e permanentes. Feitosa explica que essa classificação tem a ver com o tempo de obtenção da colheita e com o replantio.

As temporárias podem ainda serem subdividas em temporárias de curta duração e longa duração. 

  • O primeiro grupo representam aqueles produtos que precisam ser replantados sempre que o produtor desejar uma nova safra e que são colhidos no mesmo ano. 
  • As temporárias de longa duração também precisam se um novo plantio a cada safra, mas demoram mais para serem colhidas, cerca de 18 meses, como é o caso da cana de açúcar, da mamona e do abacaxi.
  • Já as lavouras permanentes são aquelas que dão novas safras por vários anos sem precisar de um novo plantio, caso das frutas em geral.

"A maior regularidade das chuvas observada em 2020 impulsionou principalmente as lavouras temporárias", pontua Feitosa. Dessa forma, a área plantada do milho cresceu em 45% e a do feijão, em 14%.

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