Vale a pena instalar energia solar na sua empresa? Confira valor e mais pontos

De acordo com dados da Absolar, 15,1% dos sistemas fotovoltaicos no País estão instalados no comércio ou serviços e outros 2,2% estão na indústria

Legenda: Produção de energia fotovoltaica permite a transferência de créditos excedentes para outra unidade consumidora de energia
Foto: Natinho Rodrigues

Da mesma forma que é possível instalar um sistema fotovoltaico para garantir a energia elétrica a partir da luz captada pelas placas solares em uma residência, também é possível - e cada vez mais recomendado por especialistas - a utilização desse equipamento em empresas, sobretudo em um momento em que manter as contas do negócio no azul está cada vez mais difícil.

Conforme dados da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), dos 520.596 sistemas fotovoltaicos existentes no Brasil, 75,2% (ou 391.678) estão instalados em residências e 15,1% (75.591) estão no setor de comércio e serviços. Outros 7,1% (37.030) estão em área rural e apenas 2,2% (11.292) estão instalados em indústrias.

As placas fotovoltaicas funcionam captando a luz solar e a produção é injetada na rede da distribuidora de energia elétrica (no caso do Ceará, a Enel Distribuição Ceará). Aquela energia é traduzida em créditos na conta do consumidor.

A ideia é que a produção de energia solar compense o consumo daquela empresa (ou residência), por isso o porte do sistema fotovoltaico a ser instalado levará em consideração o consumo do estabelecimento.

A produção de energia solar, no entanto, varia de acordo com a época do ano (quadra chuvosa, por exemplo, influencia nisso). De acordo com o gerente comercial de uma distribuidora de sistemas fotovoltaicos, Mário Viana, o payback (tempo necessário para que o investimento "se pague") é de quatro anos e meio.

"Cada projeto é único e a geração é relativa, porque um sistema assim em Fortaleza gera mais, em Gramado ou Guaramiranga gera menos", pontua Mário Viana. Segundo ele, um projeto para instalação de sistema fotovoltaico de R$ 13 mil consegue gerar 200 quilowatts-hora (kWh).

Manutenção

Mário Viana também reforça que a manutenção do equipamento é simples e normalmente consiste na limpeza, que pode ser realizada por qualquer pessoa, desde que feita cuidadosamente. O gerente atenta, porém, para o fato de que normalmente esses sistemas ficam nos telhados, e que o cuidado precisa ser redobrado.

Legenda: Um sistema fotovoltaico para gerar 200 kWh custa em torno de R$ 13 mil
Foto: Natinho Rodrigues

"A manutenção é mínima, porque não existem partes móveis. O dono só não esquece das placas solares ali porque ele tem o prazer de pagar menos", destaca Viana.

Perda de produtividade

Mário também pontua que o cálculo do payback já considera a redução de eficiência das placas solares, que é de cerca de 20% a cada 25 anos.

"Não significa que, após esse tempo, as placas vão parar de gerar energia. E esse dado já é considerado no cálculo do payback do sistema fotovoltaico"
Mário Viana
Gerente comercial de uma distribuidora de sistemas fotovoltaicos

Novo mercado?

Na avaliação dele, com a forte expansão do mercado observada nos últimos anos, é possível que a venda de sistemas fotovoltaicos ganhe um mercado paralelo de usados.

"Imagino que em dez ou 15 anos já teremos equipamentos mais modernos e surgirá um mercado de usados, assim como vemos com os carros, porque as placas solares de fato possuem uma vida útil muito longa", avalia Mário Viana.

Utilização de créditos

Assim como no caso da energia fotovoltaica gerada nos telhados de residências, também é possível transferir os créditos da geração de energia solar em placas instaladas em empresas para outra unidade consumidora de energia.

Por exemplo, se o proprietário possui placas instaladas em seu negócio, pode usar os créditos excedentes em outro endereço dentro da mesma área da distribuidora e que esteja relacionado ao mesmo CNPJ da unidade que é responsável pela geração.

Pagamento de ICMS 

Este ano, quem tem a energia gerada a partir de sistema fotovoltaico passou a ter que pagar Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em cima da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (Tusd).

De acordo com Mário Viana, antes da cobrança, o payback seria de quatro anos. "O ICMS na parcela Tusd não é uma novidade. Tem estados que cobram isso há mais tempo e a diferença que fez é que o payback, que antes era de quatro anos, passa a ser em quatro anos e meio".

Para o consultor de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis, Jurandir Picanço, de fato a cobrança do ICMS dificulta, mas não inviabiliza o setor e a utilização da ferramenta para compensar a conta de energia continua sendo atrativa.

"O setor de energia fotovoltaica está em um desenvolvimento muito grande. Em um momento no qual a economia quase não cresce, esse setor está crescendo, com um potencial muito grande", avalia Picanço.

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