Pedro Guimarães, presidente da Caixa, deixa cargo após denúncia de assédio sexual

Ex-chefe do banco oficializou seu pedido de demissão em carta entregue ao presidente Jair Bolsonaro

Escrito por Redação, negocios@svm.com.br

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Pedro Guimarães deixa comando da Caixa Econômica
Legenda: Guimarães estava no comando do banco desde o início do governo Bolsonaro
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pedro Guimarães deixou o cargo de presidente da Caixa Econômica Federal na manhã desta quarta-feira (29), um dia após a repercussão da denúncia de assédio sexual supostamente praticado por ele contra funcionárias do banco estatal. Guimarães oficializou seu pedido de demissão em carta entregue ao presidente Jair Bolsonaro durante um encontro nesta tarde. (Leia na íntegra abaixo)

No documento, o ex-chefe da Caixa diz que não pode "prejudicar a instituição ou o governo sendo um alvo para o rancor político em um ano eleitoral".

Guimarães ainda cita na carta diversas premiações pela Caixa durante sua gestão. Ele também nega as denúncias de assédio e afirma que "não refletem a minha postura profissional e nem pessoal". 

Alvo de denúncias

O caso está sendo investigado sob sigilo pelo Ministério Público Federal (MPF). O órgão, porém, informou que não comenta apurações nessa condição. 

Fontes da base aliada do governo de Jair Bolsonaro já haviam adiantado, ainda nessa terça-feira (28), que a permanência de Guimarães no cargo ficou "insustentável". A informação é do colunista Valdo Cruz, do G1. 

Segundo relato de pelo menos cinco vítimas ao portal Metrópoles, Pedro Guimarães tinha comportamentos inadequados no ambiente de trabalho, como convites, frases constrangedoras e até toques em partes íntimas das funcionárias.

O chefe do banco tinha um  "conceito deturpado de meritocracia", que acreditava ser possível garantir ascensão na carreira para as funcionárias que aceitassem as investidas.

Uma das funcionárias relatou ter sido tocada nas nádegas. "Nunca precisei disso na minha vida para ganhar cargo. Prefiro até não ter cargo, mas nunca precisei disso", disse.

A Caixa Econômica disse não ter conhecimento das denúncias e citou haver protocolos de prevenção contra comportamentos indevidos de seus funcionários.

"O banco possui um sólido sistema de integridade, ancorado na observância dos diversos protocolos de prevenção, ao Código de Ética e ao de Conduta, que vedam a prática de 'qualquer tipo de assédio, mediante conduta verbal ou física de humilhação, coação ou ameaça'", acrescentou, em nota ao site.

Leia a íntegra da carta de demissão de Pedro Guimarães:

“À população brasileira e, em especial, aos colaboradores e clientes da CAIXA:

A partir de uma avalanche de notícias e informações equivocadas, minha esposa, meus dois filhos, meu casamento de 18 anos e eu fomos atingidos por diversas acusações feitas antes que se possa contrapor um mínimo de argumentos de defesa. É uma situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade.

Foi indicada a existência de um inquérito sigiloso instaurado no Ministério Público Federal, objetivando apurar denúncias de casos de assédio sexual, no qual eu seria supostamente investigado. Diante do conteúdo das acusações pessoais, graves e que atingem diretamente a minha imagem, além da de minha família, venho a público me manifestar.

Ao longo dos últimos anos, desde a assunção da Presidência da CAIXA, tenho me dedicado ao desenvolvimento de um trabalho de gestão que prima pela garantia da igualdade de gêneros, tendo como um de seus principais pilares o reconhecimento da relevância da liderança feminina em todos os níveis da empresa, buscando o desenvolvimento de relações respeitosas no ambiente de trabalho e por meio de meritocracia. 

Como resultados diretos, além das muitas premiações recebidas, a CAIXA foi certificada na 6ª edição do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), além também de ter recebido o selo de Melhor Empresa para Trabalhar em 2021 – Great Place To Work®️, por exigir de seus agentes e colaboradores, em todos os níveis, a observância dos pilares Credibilidade, Respeito, Imparcialidade e Orgulho.

Essas são apenas algumas das importantes conquistas realizadas nesse trabalho, sempre pautado pela visão do respeito, da igualdade, da regularidade e da meritocracia, buscando oferecer o melhor resultado para a sociedade brasileira em todas as nossas atividades.

Na atuação como Presidente da CAIXA, sempre me empenhei no combate a toda forma de assédio, repelindo toda e qualquer forma de violência, em quaisquer de suas possíveis configurações. A ascensão profissional sempre decorre, em minha forma de ver, da capacidade e do merecimento, e nunca como qualquer possibilidade de troca de favores ou de pagamento por qualquer vantagem que possa ser oferecida.

As acusações noticiadas não são verdadeiras! Repito: as acusações não são verdadeiras e não refletem a minha postura profissional e nem pessoal. Tenho a plena certeza de que estas acusações não se sustentarão ao passar por uma avaliação técnica e isenta.

Todavia, não posso prejudicar a instituição ou o governo sendo um alvo para o rancor político em um ano eleitoral. Se foi o propósito de colaborar que me fez aceitar o honroso desafio de presidir com integridade absoluta a CAIXA, é com o mesmo propósito de colaboração que tenho de me afastar neste momento para não esmorecer o acervo de realizações que não pertence a mim pessoalmente, pertence a toda a equipe que valorosamente pertence à CAIXA e também ao apoio de todos as horas que sempre recebi do Senhor Presidente da República, Jair Bolsonaro.

Junto-me à minha família para me defender das perversidades lançadas contra mim, com o coração tranquilo daqueles que não temem o que não fizeram.

Por fim, registro a minha confiança de que a verdade prevalecerá".