Parques tecnológicos atraem investimentos a Fortaleza

Empresas, academia e poder público começam a trabalhar para fazer da Capital referência em inovação tecnológica

Legenda: Até o fim de 2017, será inaugurado o Polo Industrial e Tecnológico de Saúde
Foto: FOTO: KID JUNIOR

Conscientes de que os investimentos em tecnologia da informação e comunicação (TIC) são fundamentais para estimular o avanço econômico de determinada região, empresas, academia e poder público estão unindo forças e conhecimentos para fazer do Ceará referência no setor. Nesse sentido, as atenções se voltam principalmente para a criação e desenvolvimento de parques tecnológicos, tendo em vista a estrutura que começa a ser desenhada em Fortaleza para estimular a atividade, como o Data Center da Angola Cables na Praia do Futuro.

Parque tecnológico é uma concentração geográfica de empresas, incubadoras de negócios, centros de pesquisa e laboratórios que criam um ambiente favorável à inovação tecnológica. Companhias, universidades e investidores compartilham o mesmo ambiente, gerando benefícios para a comunidade e polos de desenvolvimento social e econômico. O número de parques tecnológicos, como o famoso Vale do Silício, na Califórnia (EUA), cresceu rapidamente em todo o mundo a partir da década de 1990.

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Caminho da inovação

Em julho deste ano, a Universidade de Fortaleza (Unifor) deu mais um passo importante no caminho da inovação, ao inaugurar oficialmente o seu Parque Tecnológico (TEC), cujas empresas estão instaladas no campus da instituição.

O empreendimento é incentivado pelo Programa de Apoio a Parques Tecnológicos e Criativos da Prefeitura de Fortaleza (ParqFor) e abriga os setores de pesquisa e desenvolvimento das empresas de base tecnológica, laboratórios de pesquisa e uma incubadora.

Incentivos

No âmbito do ParqFor, o Município oferece para as empresas isenção 60% no Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN), até 100% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e de até 100% para o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). O benefício está ligado ao Programa Fortaleza Competitiva, lançado pela Prefeitura no mês passado.

Por meio de projetos conjuntos, as empresas do TEC são beneficiadas pela capacidade científica e técnica dos pesquisadores da Unifor, criando soluções para problemas correntes e inovações capazes de conquistar novos mercados. Atualmente, estão instaladas no parque as seguintes empresas: Eletra Energy; Esmaltec; G4Flex; Mob Telecom; Ivia, Nacional Gás; Nuteral; Serttel; Softtek e Pathfind.

Por sua vez, o Espaço de Desenvolvimento de Empresas de Tecnologia (Edetec) da Unifor tem como objetivo geral promover, incentivar e apoiar a criação de novos empreendimentos e o desenvolvimento de empresas que atuam em segmentos de mercado competitivo, priorizando propostas inovadoras derivadas de pesquisas desenvolvidas ou em desenvolvimento pela Universidade de Fortaleza. Atualmente, estão incubadas no Edetec as seguintes empresas: On The Go Mobile; TotalCross; Imafe Tecnologia; Nextech Engenharia; Informar e FortGen Genética.

Além das empresas ligadas diretamente ao TEC Unifor e ao Edetec, existem ainda as empresas parceiras que desenvolvem projetos específicos em conjunto com a Unifor usando outros espaços de inovação como laboratórios e núcleos de pesquisa.

Primeiro passo

Há cerca de uma semana, o governo estadual deu o primeiro passo para consolidar a implantação do Parque Tecnológico do Ceará, lançando edital para a elaboração do projeto básico a fim de construir o equipamento. O empreendimento ocupará inicialmente uma área de 56,5 mil metros quadrados (m²) na Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec), no Campus do Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O parque tecnológico será coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará (Secitece), à qual a Nutec está vinculada.

Conforme o edital de licitação, a elaboração e desenvolvimento do projeto básico para construção do parque tem o valor estimado em R$ 1,2 milhão, que será pago com recursos do Tesouro Estadual.

Concebido como um parque urbano, a unidade terá articulação com a Unifor, Universidade Estadual do Ceará (Uece) e com a Prefeitura de Fortaleza. O projeto ainda contempla possíveis expansões para a instalação de institutos, núcleos de pesquisa e desenvolvimento e empresas.

Interior

No Interior, o parque poderá ter articulação com a UFC, UVA, IFCE, Inta, Faculdade Luciano Feijão e Embrapa (Sobral); Fiocruz, Inpe e CTI Renato Archer (Eusébio); UFCA, Urca, IFCE, Unileão e Fatec (Região Metropolitana do Cariri); UFC, Uece, IFCE e Polo de TI de Quixadá (Sertão Central).

Embora ainda não haja um prazo estipulado para a conclusão do equipamento, que certamente ficará para próxima gestão estadual, as empresas que compõem o parque, por enquanto, podem atuar nos laboratórios da UFC, Unifor e Uece.

A sede administrativa do empreendimento compreende uma área total de 4,2 mil m² que inclui escritórios de gerência do Parque Tecnológico, área de exposição, salas para coworking, espaço para convivência com disponibilização de cafeteria e outros serviços, como academia de ginástica e salão de beleza, além de um minicentro de conferências, com quatro salas de reunião e para teleconferência, área livre e auditório.

Os edifícios compartilhados para incubação e aceleração de empresas terão 2,2 mil m². Ao todo, o parque tecnológico disponibilizará 1,8 mil m² de área para aluguel pelas empresas. O complexo também contará com espaço para implantação de centros de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento).

Saúde

Até o fim deste ano, também será inaugurado no município de Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza, o Polo Industrial e Tecnológico da Saúde (Pits) do Ceará, equipamento com área de aproximadamente 73 hectares e importante nesse cenário de transformação tecno-científica no Estado.

As indústrias selecionadas para o Pits serão beneficiadas com incentivos fiscais diferenciados de até 99% no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). As duas empresas âncoras do polo são a Fiocruz e o Centro de Plataformas Vegetais da Fiocruz (Bio-Manguinhos).

No mês passado, governo estadual e Fiocruz assinaram termo de cooperação científica e educacional.

Entre as empresas do segmento de pesquisa em saúde que o Estado busca atrair está o Instituto Pasteur. A expectativa é que a empresa francesa se instale no Pits até o fim de 2018. 

Opinião do especialista

No Ceará, cultura da inovação está se fortalecendo

Há um grande movimento no Ceará, tanto da academia como de empresas e do setor público, em prol da inovação tecnológica. O Estado acompanha a tendência do Brasil, que está acordando para a necessidade de mais investimentos na área de TIC. E uma das formas de inovar é buscar conhecimento da academia e aplicá-lo no setor produtivo. Isso ocorre no Parque Tecnológico da Unifor (TEC), onde trabalhamos para que a tecnologia e seus benefícios estejam, cada vez mais, à disposição de todos

Em parceria com a Esmaltec, por exemplo, no âmbito da Internet das Coisas, estamos desenvolvendo eletrodomésticos inteligentes. O Estado, assim como o País, ainda tem um longo percurso pela frente, mas a cultura da inovação vem se fortalecendo, algo que nos deixa muito otimistas. Há um ecossistema favorável ao desenvolvimento do setor.

Vasco Furtado
Diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Unifor (DPDI)

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