Intenção de compra dos fortalezenses atinge pior nível desde o início da pandemia, diz Fecomércio

Indicador da Fecomércio registrou apenas 24,5% dos fortalezenses propensos às compras

Escrito por Ingrid Coelho, ingrid.coelho@svm.com.br

Negócios
Legenda: Confiança do consumidor caiu 1,2% na passagem entre o primeiro e o segundo bimestre deste ano
Foto: Fabiane de Paula

O consumidor de Fortaleza está mais cauteloso em relação às compras diante das incertezas provocadas pela segunda onda do coronavírus. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Ceará (Fecomércio-CE), apenas 24,5% se mostraram propensos a adquirir bens em março e abril de 2021.

Este é o menor patamar registrado pela Fecomércio em 14 meses. De acordo com a entidade, o dado "revela extrema cautela por parte da população e preocupa o comércio de bens, serviços e turismo".

Na última semana, em entrevista ao Sistema Verdes Mares, o presidente da Fecomércio-CE, Maurício Filizola, havia revelado que a primeira semana de reabertura do comércio após o segundo lockdown foi aquém do esperado.

No primeiro bimestre deste ano (janeiro e fevereiro), 45,8% dos consumidores estavam propensos às compras, maior nível em 14 meses de pandemia.

"Portanto, houve uma reversão na tendência de gradual recuperação e ganho de maior tração para o consumo", diz a entidade.

Entre os que têm intenção de adquirir algum artigo neste segundo bimestre de 2021, os itens mais desejados são os de vestuário (30,3%) e celulares/smartphones (26,8%).

Veja a lista completa de itens:

  • Vestuário (30,3%)
  • Celular/smartphones (26,8%)
  • Calçados (16,5%)
  • Televisão (13,3%)
  • Tablet (8,5%)
  • Móveis (7,5%)
  • Computador/notebook (5%)
  • Geladeira (5%)
  • Micro-ondas (4%)
  • Fogão (4%)
  • Freezer (3%)
  • Máquina de lavar roupa (2%)

Confiança

Em linha com o resultado da intenção de compra, a confiança do consumidor também caiu no segundo bimestre de 2021. Houve retração de 10,6% do índice ante o bimestre anterior.

Com o resultado, a confiança do consumidor passou a marcar 96,8 pontos.

"No segundo bimestre de 2021, o indicador de confiança voltou praticamente ao mesmo patamar registrado em mai-jun/21, período em que houve a retomada gradual da economia, ocorrida após o primeiro lockdown, quando marcou 96,1 pontos. Na atividade produtiva, setores que vinham buscando se ajustar e retomar buscando fôlego, voltaram a viver o quadro negativo", diz a entidade.

Perfil

A intenção de compra no segundo bimestre de 2021 se mostrou maior entre as mulheres com idade entre 25 e 24 anos. Considerando a escolaridade, os que possuem nível superior se mostraram mais propensos a comprar.

A Fecomércio também observou maior intenção de compra entre aqueles que recebem entre cinco e 10 salários mínimos mensais.

Expectativas futuras

O índice que mede as expectativas dos consumidores em relação ao futuro também recuou, passando de 119,9 pontos em janeiro e fevereiro para 118,4 pontos em março e abril.

"Fatores como a espera para a retomada do auxílio emergencial, ampliando o contingente da população vulnerável, pressão sobre os preços e maior taxa de desemprego, bem como um novo lockdown, determinam a perda de renda, sem perspectivas imediatas de melhora", diz a Fecomércio.

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