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Desemprego preocupa comércio de Quixadá

Economia da região sentirá os efeitos do fim das atividades da usina de biodiesel, anunciado pela Petrobras

Escrito por
José Avelino Neto - Colaborador producaodiario@svm.com.br
Legenda: Visto como uma esperança para a comunidade local, sobretudo pela quantidade de empregos diretos e indiretos que iria gerar, após oito anos de atividade, o setor de biocombustíveis em Quixadá deu lugar à decepção
Foto: Foto: José Avelino Neto

Quixadá. A notícia do fechamento da unidade de produção de biocombustíveis da Petrobras deste Município, distante cerca de 170 km de Fortaleza, já provoca tensão em funcionários e temor aos comerciantes da região. Pelo menos cerca de 120 trabalhadores terceirizados devem ser demitidos da unidade. O encerramento nas atividades deve acontecer por etapas, a partir do mês que vem, conforme informou a Petrobras em nota.

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Desde o último final de semana, a usina já tem a sua rotina e trabalho alterada. Funcionários que pediram para não ser identificados, disseram que o clima é de desespero entre trabalhadores. Muitos deles estariam na unidade desde que ela foi aberta. "Teve gente que chegou a chorar depois que recebeu a notícia porque sabia que seria demitido", revelou a fonte.

Reuniões internas

Segundo a reportagem apurou, na última quinta (6) e sexta-feira (7), dirigentes da Petrobras do Rio de Janeiro chegaram em Quixadá e iniciaram uma sessão de reuniões internas. O comunicado veio na sexta. Muitos ficaram abatidos com a decisão. Uma das razões para o encerramento das operações seria a seca, que castiga o Ceará já há cinco anos seguidos e que nas cidades da região Central, como em Quixadá, agem ainda mais forte.

Em junho, em reportagem especial, o Diário do Nordeste mostrou que apesar do incentivo dado aos trabalhadores rurais quixadaenses no início das atividades da PBio, o total de matéria prima oriunda de canteiros da região para fabricação de biocombustível não corresponderia nem a 1% do que era necessário. O fenômeno teria prejudicado a produção de matéria prima por trabalhadores locais.

Profissionais

Aqueles que são funcionários da própria empresa devem ser realocados para outras unidades, conforme esclareceu a Petrobras. Já os terceirizados, que correspondem pela maioria dos funcionários, a expectativa é que eles sejam demitidos. Rogério Pordeus Freire, 39, conta que trabalha na unidade de Quixadá desde quando o local era apenas um terreno plano. Com mais de dez anos de trabalho, ele diz ter conseguido comprar até a própria casa graças ao salário que ganha. "A gente não sabe como vai sobreviver aqui porque emprego é escasso. Isso daqui garantia o sustento de muita gente", diz Rogério.

Visto como uma esperança para a comunidade local sobretudo pela quantidade de empregos diretos e indiretos que iria gerar, após oito anos de atividade o setor de biocombustíveis em Quixadá deu lugar à decepção. "Esse ramo deu emprego a muita gente. Com o fim dessa unidade aqui, com certeza nós vamos ficar desempregados", diz o motorista Ranilson Dantas da Costa, 34, natural do Rio Grande do Norte. "Não vai ter mais o que carregar, então tem gente que já começou a ser colocado pra fora", explica o motorista.

Economia local abalada

Com as demissões que esperam acontecer, a economia local também deve sair prejudicada, já que a chegada da unidade ajudou a fortalecer e a crescer o comércio. Em Juatama, os comerciantes já aguardam uma queda no faturamento. "Eu tenho um lava jato aqui em Juatama e a maioria dos carros que a gente lava é de gente daqui. Quando for embora, a gente tem que procurar fazer outra coisa porque, carro de funcionário não vai ter mais", explica Valdércio Benízio de Moura.

Procurada, a gerência da unidade em Quixadá não quis conversar com a reportagem. A Petrobras não esclareceu como deve acontecer o processo de encerramento das atividades. Questões como o que deve ser feito no lugar em seguida, não foram respondidas.

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