Trilhos, ares e cabos: Como o Ceará pode se tornar um oásis de crescimento

Estado experimenta convergência estrutural inédita em sua história e precisa aproveitar janela de oportunidade.

Escrito por
Victor Ximenes producaodiario@svm.com.br
Legenda: Ferrovia Transnordestina.
Foto: Kid Júnior.

O Ceará atravessa momento único com a convergência de ativos de infraestrutura (alguns já prontos e outros em construção) que podem abrir caminho para engatar novas marchas de crescimento. 

Entre estes, cita-se uma grande ferrovia em construção conectando outros pontos do Nordeste ao principal porto do estado; terminal do Pecém com recorde de movimentação e nova rota direta para a Ásia; aeroporto que bate marca histórica de cargas e mantém conexões com Europa e América do Norte; cabos submarinos que fazem de Fortaleza o maior hub digital das Américas; uma recém-inaugurada montadora de carros híbridos e elétricos; um data center multibilionário em construção na zona industrial portuária; e energias renováveis.

Esses distintos pilares estruturais nos campos industrial, logístico, energético e digital colocam o Ceará em uma posição singular.

Danilo Serpa, presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), comenta que "o Ceará é uma economia pulsante e se destaca cada vez mais no cenário de desenvolvimento econômico do país, com ambiente de negócios favorável, integração entre os setores público, privado e academia, além de segurança jurídica e infraestrutura robusta, conectando o estado ao mundo".

Logística fortalecida

A sinergia entre a Ferrovia Transnordestina, com conclusão prevista para 2027, e o Pecém tende a robustecer o Estado como um escoador relevante de mercadorias, gerando um trunfo especial para o agronegócio, que, aliás, vem sendo um grande impulsionador do PIB estadual nos últimos anos.

Convém lembrar que o Porto do Pecém encerrou 2025 com resultados históricos. Foram movimentadas 20.961.514 toneladas, crescimento de 7% em relação a 2024.

Uma nova rota para a China conferiu ainda mais musculatura ao terminal cearense, que conta com dezenas de indústrias estratégicas, com destaque para a siderúrgica da ArcelorMittal, que sozinha responde por metade das exportações do Ceará.

A Transnordestina, maior obra estrutural do País em andamento, prevê a instalação de portos secos, que podem dinamizar as economias de cidades como Missão Velha, Iguatu e Quixeramobim, além de seus entornos, com investimentos previstos acima da marca de R$ 1 bilhão.

Expansão do aeroporto

foto da fachada do Aeroporto Internacional de Fortaleza.
Legenda: Aeroporto Internacional de Fortaleza.
Foto: Renato Bezerra.

Pelo ar, o Estado também busca ampliar o protagonismo como um hub nordestino de voos e logística. A alemã Fraport tem planos de investimentos contundentes, com o objetivo de transformar o Aeroporto de Fortaleza em uma "aerotrópole", elevando o nível do empreendimento, assim como ocorre em grandes e complexos terminais no Brasil e no exterior.

A movimentação de passageiros ainda não recuperou os patamares pré-pandemia (a concessionária Fraport projeta que o aeroporto só deve retomar os níveis de 2019 por volta de 2028), mas o crescimento do fluxo de cargas aponta para uma outra função estratégica do Pinto Martins: a de plataforma de exportação ágil para produtos perecíveis e de alto valor agregado, com vantagem geográfica frente aos concorrentes regionais.

Cluster digital

Cabos submarinos na Praia do Futuro
Legenda: Atualmente Fortaleza possui 18 cabos submarinos conectados
Foto: Helene Santos/Diário do Nordeste

Abaixo da superfície do Atlântico, uma infraestrutura menos visível mas igualmente decisiva consolidou Fortaleza em uma posição única. A capital contempla 18 cabos submarinos de dados, sendo um hub global de conectividade e atraindo dezenas de data centers. Um deles é o megaprojeto da Omnia, que tem a ByteDance (Dona do TikTok) como cliente principal.

O investimento projetado é colossal, devendo abarcar em todas as fases mais de R$ 200 bilhões para a construção do complexo de dados no Pecém.

A atração do empreendimentonão veio por força do acaso. Pecém reúne uma gama de condições específicas, com ZPE, oferta de energia renovável, posição adjacente ao porto e proximidade com os cabos submarinos.

O que distingue o caso cearense de outros estados nordestinos é a sobreposição desses ativos de infra em um território relativamente compacto. Essas frentes tornam o Ceará um ponto de conexões e negócios não só do ponto de vista doméstico, como também internacional.