Neste feriado, é importante pensar na fadiga do material

Ensinam a física e o Google que, ao longo do tempo, todo material se desgasta, abrindo fissuras que podem levar à sua ruptura

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Assim como acontece na indústria de transformação, a fadiga do material ataca, também, governos longevos, exigindo adaptações
Foto: Arquivo Diário do Nordeste
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Hoje é feriado. Mais um. Na próxima terça-feira, 21, haverá outro, dedicado a Tiradentes. Na véspera, segunda-feira, 20, dia imprensado, será ponto facultativo para os servidores públicos federais (com certeza, sê-lo-á, também, para os estaduais do Ceará e os municipais de Fortaleza, afinal o ano é eleitoral e os servidores públicos, que são, igualmente, eleitores importantes, devem ser prestigiados).  

Abril tem 30 dias, só 20 dos quais úteis, ou seja, dedicados à produção que gera emprego e renda. E assim, de feriado em feriado, o brasileiro segue levando a vida, que está cada vez mais difícil de ser levada – é só ver o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado) que mede a inflação oficial do país: ele chegou em março aos 0,88%, bem mais do que o 0,70% previsto pelo mercado.  

Neste ano, a inflação acumula alta de 1,92%; anualizado, esse índice sobe para 4,14%, ou seja, ainda dentro da banda superior da meta, que é de 4,5%. O centro da meta, estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3% ao ano. 

Como a guerra no Oriente Médio ainda não acabou (houve e segue havendo um frágil cessar-fogo entre EUA e Irã, com chance de reinício das hostilidades por causa da fracassada tentativa de negociação pela paz realizada sábado, 11, em Islamabad, no Paquistão), é muito provável que o IPCA deste mês de abril venha com alta maior do que a de março. É que o preço internacional do petróleo, que beira os US$ 100 por barril e que influi no comportamento da economia mundial, poderá subir na abertura dos mercados nesta segunda-feira, 13 (e já subiu, passando dos US$ 101). 

Pois bem, um dia ocioso como o de hoje – as fontes de informação estão, desde sexta-feira, 10, em suas segundas residências nas praias ou nas serras, inalcançáveis porque desativam até seus telefones móveis para fugir, principalmente, de chatos jornalistas – leva-nos a reflexão sobre o que significa fadiga do material. Do que se trata? 

Segundo a física e o Google, fadiga do material “é um fenômeno de de falha estrutural que ocorre quando um material é submetido a cargas ou tensões cíclicas (repetidas) ao longo do tempo, mesmo que essas cargas sejam inferiores à sua resistência máxima ou tensão de escoamento. Esse processo causa danos localizados e progressivos, resultando em fissuras que se propagam e podem levar à ruptura repentina e inesperada da peça.” 

No Brasil, há empresas públicas e privadas que, neste momento, sofrem dessa fadiga. Esgarçaram-se, e sua gestão, por omissão ou, muito certamente, por incompetência, não notou esse desgaste no tempo preciso. Exemplo: os Correios, que até 2022 dava lucro bilionário, está hoje com uma dívida que passa dos R$ 6 bilhões.  

No lado privado, as empresas fatigadas pelos juros altos, pelo crédito escasso e por gestão deficiente estão recorrendo à via da Recuperação Judicial. As que não sofrem desse desgaste são a maioria, aquelas que, ao primeiro sinal de problema, tomam medidas para cortar despesas e, essencialmente, para se adequarem às exigências do mercado, investindo na atualização tecnológica e na inovação.  

Na última quinta-feira, 9, o empresário Everardo Telles, líder da quarta geração da família Telles, fundadora da Ypióca, que celebra 180 anos de plena atividade na agroindústria, disse para cerca de 100 colegas empresários e executivos de empresas, para os quais contou a sua e a vida da corporação, fundada no Século XIX: 

“O Grupo Telles não depende de bancos. Pelo contrário, aplica seus lucros na compra de ações de grandes empresas brasileiras.” 

No campo da política, a fadiga do material ataca, também, governos longevos e partidos cujas diretrizes e cujas ações são inadequados aos tempos atuais, aos anseios do povo, à geopolítica mundial. Há exceções, e a China e seu partido único, o Partido Comunista Chinês, são um bom exemplo, porque, desde 1978, com Deng Xiao Ping, e agora com Xi Jinping, descobriram as virtudes do capital, do livre mercado e da livre iniciativa, com base no que saíram da Idade da Pedra, onde estavam desde 1949, para ser o que são hoje, a segunda maior potência econômica e militar do mundo.  

Há boas e más notícias chegando: uma boa foi a eleição de Pèter Magyar, do partido Tisza, de centro direita, que ganhou a eleição na Hungria, derrotando Victor Órban, de extrema direita, aliado do russo Vladimir Putin e de posições ante europeias. Magyar disse ontem, falando para um milhão de pessoas reunidas numa praça de Budapeste para celebrar a vitória, que a Hungria voltará a ser um país democrático e plenamente aliado da Europa. O derrotado, numa atitude civilizada e democrática, parabenizou o vencedor. 

A má e preocupante notícia é a decisão do presidente dos EUA, Doald Trump, de bloquear, a partir de hoje, com sua força naval, o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial. De acordo com a ordem de Trump, nenhum navio entrará ou sairá do Estreito de Ormuz. É do petróleo produzido no Golfo Pérsico que se abastecem a China, a Índia, a Coreia do Sul e o Vietnã.  

Qual será a reação do Irã e dos chineses, indianos, coreanos e vietnamitas? Só o saberemos nas próximas horas. 

Caros leitores, desfrutem do feriado de hoje, que, dedicado aos 300 anos de nossa Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, só se repetirá daqui a um século. 

TERMACO PARTICIPA DA FEIRA INTERMODAL, EM S. PAULO 

Maior evento latino-americano dos setores de logística, transporte de cargas e comércio exterior, a Intermodal South America 2026, que se realizará a partirde amanhã, 14, em São Paulo, terá a participação do grupo cearense Termaco, que está celebrando 40 anos de atividades. 

Com trajetória consolidada no mercado, o Grupo Termaco aproveitará o ambiente da Intermodal para fortalecer relacionamentos e ampliar a visibilidade de suas operações em âmbito nacional. Como parte dessa estratégia, o Grupo terá um estande próprio no evento, em conjunto com sua associadaTecer Terminais 

Realizada anualmente, a Intermodal South America reúne empresas, especialistas e lideranças do setor e opera como vitrine para tendências, tecnologias e oportunidades de negócios. Para o Grupo Termaco, o evento representará oportunidade de troca de experiências e prospecção de parcerias, alinhada aos objetivos de crescimento sustentável da organização. 

“O ano de 2026 é especialmente significativo para o Grupo Termaco, pois celebramos quatro décadas de atuação no mercado. Estar presente em um evento da relevância da Intermodal South America reforça nosso compromisso com a evolução contínua, com a busca por inovação e a proximidade com clientes e parceiros estratégicos”, como disse à coluna o vice-presidente da empresa, Carlos Maia. 

Ao longo de sua trajetória, o Grupo Termaco tem ampliado sua atuação, investindo em soluções integradas, em sintonia com as transformações do setor logístico. A participação na Intermodal South America 2026 consolidará esse movimento e conectará a história da empresa às perspectivas do mercado. 

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