Vencendo preconceitos, o agro cearense pede passagem

Ainda há quem, no Ceará, olhe de soslaio para os que, na agricultura e na pecuária, produzem alimentos para a população

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: O agro cearense avança graças a tecnologias modernas, como a do cultivo protegido que cresce na região da Ibiapaba (foto)
Foto: Divulgação
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Havia até poucos anos atrás, aqui no Ceará, provavelmente também em outros estados, um grande preconceito contra o agricultor e o pecuarista. Esse preconceito, que se reduziu bastante, ainda hoje permeia alguns estratos da sociedade cearense, principalmente os incrustrados na academia, onde vige uma ideologia que condena a economia de livre mercado e elege, como única solução, a alternativa estatal. Para esses estratos, deve ser o Estado o dono de tudo, até da liberdade de opinião e de qualquer iniciativa social e, também, política. 

Em países em que esse radical modelo estatal vigora – como Cuba, Nicarágua, Coreia do Norte e Venezuela – o povo passa fome, é castigado se pensar em voz alta e preso se discordar do regime. A China, governado por partido único, o Partido Comunista Chinês (PCC), tem um exótico, sofisticado, distinto e até admirado socialismo: permite hoje a livre empresa, integra a Organização Mundial do Comércio (OMC), deixa funcionar as bolsas de valores, deixa chegar e sair turista de qualquer procedência, mas pune com prisão perpétua ou a morte quem ousar desafiar o seu governo e o seu regime político. 

O preâmbulo acima é para dar sustentação ao comentário que fez à coluna, ontem, um antigo e muito respeitado empresário da indústria, mas com forte ramificação na agropecuária. Ele disse:  

“Tenho frequentado diferentes ambientes no setor industrial, na área do comércio e, também, nas escolas de ensino superior, e ouço opiniões desfavoráveis ao agro do Ceará. Algumas pessoas chegam a exibir um claro preconceito contra quem produz no campo. Ora, produzir alimento para a população é uma atividade importante, essencial e digna que deveria merecer o aplauso de todos.” 

Este colunista acompanha, há 20 anos, que serão completados no próximo mês de maio, a atividade de um grupo de agricultores, pecuaristas e agroindustriais dos mais diferentes ramos da economia primária estadual que pode ser citado como responsável pela radical mudança por que passou, desde o início deste século, e segue passando, o agro do Ceará.  

Antes da existência desse grupo, a força política e econômica do produtor rural cearense era zero. Zero! Agora, o quadro é outro. Agricultores, pecuaristas e agroindustriais cearense tornaram-se fontes de referência pelo trabalho abnegado de todos e de cada um deles e pelos altos investimentos que fizeram e continuam fazendo em pesquisa, tecnologia e inovação. Esse esforço de grandes e médios empreendedores vem sendo replicado, também e graças a Deus, por pequenos produtores, incluindo os da Agricultura Familiar, de cuja horticultura chegam à mesa de todos nós os legumes e as verduras. 

Vale repetir, aqui e agora, algumas boas informações como contribuição para que esse preconceito desapareça de vez:  

Estão no Ceará as maiores empresas produtoras e exportadoras mundiais de melão e melancia; é cearense o maior produtor de camarão do país; é cearense o maior produtor e exportador brasileiro de banana para a Europa; o Ceará é o estado do Nordeste que mais investe na cultura protegida, o que pode ser visto na Ibiapaba, onde pimentões coloridos, tomates de vários tipos e brócolis são produzidos sob estufas, sem defensivos agrícolas; estão no Ceará algumas das mais modernas fazendas nordestinas de criação de gado leiteiro; entre os 100 maiores produtores de leite do Brasil, três são do Ceará; empresas estrangeiras estão chegando aqui para introduzir culturas de alto valor agregado, como os “berrys” (mirtilo, morangos, fambroesa e amora). O Ceará já produz cacau e chocolate na Chapada do Apodi. 

Por causa do crescimento e do prestígio que ganhou seu agro, o Ceará promove, anualmente, em junho, a maior feira indoor do agro brasileiro, a Pecnordeste, que a partir deste ano passará a denominar-se PecBrasil. Foi a força do agro cearense que levou a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) a convocar para uma de suas vice-presidências o presidente da Federação local, a Faec, Amílcar Silveira, que já se tornou presidente do Instituto CNA, o braço de inovação do agro brasileiro. Não é pouca coisa. 

Para esta coluna, que acompanha o dia a dia da economia do Ceará, com foco na indústria, na agropecuária, na infraestrutura, na tecnologia e na inovação, o preconceito contra o agro cearense arrefece à medida que avançam, por exemplo, as feiras e exposições que a Faec, em parceria com o Sebrae, o governo do Estado, o BNB e as prefeituras, promove em municípios de várias regiões. Esses eventos, máxime a PecBrasil e a ExpoCariri, alcançaram tamanha dimensão, que hoje são referências nacionais pelo profissionalismo que incorporaram.  

Resumindo: assim como a indústria, que cresce à medida que novas empresas chegam ao Ceará, a agropecuária estadual também mostra sinais de mais crescimento, e o mais forte deles é a notícia da próxima implantação do grande e moderno frigorífico que o Grupo Masterboi implantará em Iguatu.