Escândalo do banco Master: vem aí o supremo golpe do STF

Ministros da Suprema Corte julgarão, por iniciativa de Alexandre de Moraes, pedido do PT sobre a Lei da delação premiada

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Daniel Vorcaro (foto), dono do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, negocia uma delação premiada
Foto: Reprodução
Esta página é patrocinada por:

Alinharam-se os astros da mídia brasileira, a começar pelos veículos do Grupo Globo, seguidos pelo Estadão e a Folha de São Paulo, além das outras grandes e influentes redes de tevê, rádio e sites jornalísticos, como os do SVM, todos voltados para a investigação e a divulgação dos fatos ligados ao escândalo do Banco Master, o maior da história do mercado financeiro deste país escandaloso, mas bonito por natureza.  

Por que tanto interesse em torno de apenas mais um escândalo causado pela elite política, econômica e financeira do Brasil? Resposta óbvia: porque, desta vez, é uma parte relevante da elite jurídica da nação que, também, está envolvida até o pescoço com os malfeitos praticados pelo muito inteligente Daniel Vorcaro, o dono do Master, que, em troca de pecúnia, montou uma rede de proteção que – imaginou ele – o blindaria de qualquer operação da Polícia Federal ou de ações do jornalismo investigativo. Enganou-se.  

Nascido na Bahia, durante o governo de Rui Costa, que montou um projeto de distribuição de cestas básicas, o qual, em seguida, virou um banco para fazer empréstimos consignados para os servidores estaduais a juros altíssimos, o Master transformou-se numa máquina de fazer dinheiro ilicitamente, usando fundos de investimento que se multiplicaram a tal ponto que ficou impossível o seu controle. Deu no que deu. 

Os agentes da PF e os jornalistas acostumados à investigação de todo tipo de crime, inclusive os financeiros, descobriram, como diria Chico Buarque de Holanda, “tenebrosas transações” entre Vorcaro e pelo menos três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Alexandre de Moraes, cuja mulher e seu escritório de advocacia celebraram um contrato de R$ 129 milhões com o Master, que pagou, durante 22 dos 36 meses previstos, R$ 80,2 milhões pelos serviços prestados; Dias Toffoli, que recebeu perto de R$ 6 milhões pela venda de sua participação no resort Tayaiá, no Paraná, pagos por um fundo administrado pelo banco de Vorcaro; e Nunes Marques, cujo filho advogado, recém graduado e ainda tateando no Direito, também assinou contrato com o Master, ao qual prestou serviços igualmente pagos, conforme documentos de posse da CPI do Senado que investiga o crime organizado. E põe organizado nisso. 

Todos os brasileiros já sabemos quem fez o que, quem recebeu quanto, quem viajou nos jatinhos de Vorcaro e quem ganhou dinheiro no escândalo do Banco Master e no escândalo do INSS. As investigações apontam para nomes muito importantes dos três poderes da República: além dos três ministros do STF acima ditados, há o filho do presidente da República, os presidentes do Senado, David Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Mota; além do ex-ministro do STF e ex-ministro da Justiça, Ricardo Levandowsky; o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega; o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meireles; além de senadores e deputados, alguns dos quais presidentes de partidos políticos e mais uma penca de outras personalidades. 

Todos estão identificados, com CPF e endereço domiciliar. Mas paira sobre todo esse muito bem documentado escândalo a ameaça de que tudo terminará em pizza, como sempre terminaram, no Brasil, as investigações acerca dos crimes praticados pelo pessoal do andar de cima, como diria o mestre Élio Gáspari. Por proposta do ministro Alexandre de Moraes, o STF julgará, nos próximos dias, um requerimento, feito em 2021 pelo PT, que pede esclarecimentos sobre a Lei que criou a delação premiada.  

Essa decisão do ministro Moraes coincide, estranhamente, mas talvez de propósito, com o momento atual. Há hoje em desenvolvimento uma negociação que põe Daniel Vorcaro e seus advogados ao lado de delegados da Polícia Federal e membros da Procuradoria-Geral da República (PGR), todos tratando da delação premiada que o dono do Banco Master e seu cunhado Fabiano Campos Zettel pretendem fazer com o claro objetivo de abreviar a pena que lhes aplicará a Justiça, ou seja, o STF, se todo o processo for para julgamento. Esse processo, por filigranas jurídicas, poderá ser simplesmente anulado. 

Uma manobra da maioria dos ministros da Suprema Corte no sentido de anular ou dificultar a delação de Vorcaro decepcionará, frustrará e revoltará a sociedade brasileira, com repercussão imediata na campanha eleitoral deste ano.  

Se isso vier mesmo a acontecer, estará escancarado para o público interno e para o externo o maior esquema de corrupção que a civilização mundial já conheceu, no Ocidente e no Oriente. Esta coluna prefere desconsiderar essa hipótese, uma vez que ela é absurda até para o entendimento de uma criança.  

Se essa possibilidade acontecer, o Brasil poderá ser considerado não uma república de bananas, mas de macacos. 

A propósito, eis o que está publicando hoje o jornal O Estado de S. Paulo: “Empresário confessa fraudes em descontos do INSS e assina acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Acordo de Maurício Camisotti, preso desde setembro, foi encaminhado ao ministro do STF, André Mendonça”. 

A manchete de O GLOBO de hoje é a seguinte: " “Com oferta de pagamento de multas bilionárias, Vorcaro deve entregar delação semana que vem”. Esta é uma informação de sua colunista Malu Gaspar.

AECIPP reestrutura fóruns para nova fase do Pecém 

Uma informação curta, mas importante: diante do novo ciclo de expansão do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), impulsionado por grandes investimentos, a Associação das Empresas do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Aecipp) realizou nesta semana um encontro de planejamento para reestruturar a governança de seus fóruns temáticos.  

O processo envolveu a revisão e fusão dos 10 fóruns anteriormente existentes, que agora passam a ser sete, com o objetivo de torná-los mais estratégicos, eficientes e alinhados às demandas do setor produtivo. 

A revisão inclui novos direcionamentos, maior foco em resultados e a criação de mecanismos de mensuração de impacto, buscando fortalecer a capacidade da entidade de acompanhar o crescimento do complexo e atender às expectativas das empresas associadas.

Veja também