Eleições: entre empresários, clima é de medo e susto

Medo por causa da política fiscal gastadora, que aumenta a dívida e seus juros; susto pela clara insegurança jurídica

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: O eleitoe irá às urnas em outubro em clima de tensão: há corrupção, impunidade, política fiscal gastadora e clara insegurança jurídica
Foto: Thiago Gadelha / SVM
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Esta coluna conversou ontem com alguns dos grandes empresários da indústria e da agropecuária do Ceará. Eles estão impressionados com o que chamam de “contradições deste país”, que é carente de governantes competentes e intelectualmente preparados; desprovido de políticos comprometidos com o interesse público e não com os seus próprios interesses; e pobre de líderes capazes e com coragem para dar “um basta a esse sistema que se apropriou da máquina pública e a tornou o pai da privilegiada casta do seu funcionalismo”.  

Os empresários concordam com esta coluna, que já o disse e o repete agora: o estado brasileiro é grande demais, custa muito caro, é ineficiente e só produz déficits. Sua dívida já superou a casa dos R$ 10,2 trilhões e os juros dela passaram de R$ 1 trilhão em 2025, não havendo superavit primário capaz de parar o crescimento desse rombo, que hoje é de cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, a soma de todas as riquezas produzidas pelo país.  

A última contradição é a seguinte: o pacote de bondades que o governo do presidente preparou e já publicou para ter vigência neste ano eleitoral (ou reeleitoral) faz explodir essa dívida. A política fiscal foi para o espaço, porque a prioridade, neste momento e até outubro e novembro, é a reeleição do presidente, e para isto a gastança está sendo catapultada. 

Esse pacote de bondades eleitoreiras inclui medidas de redução ou isenção de impostos para o enfrentamento dos efeitos da guerra no Oriente Médio (a Petrobras já deveria ter aumentado o preço dos combustíveis, tendo em vista a explosão do preço internacional do petróleo; em vez disso, o governo da União, com o apoio dos estaduais e com o dinheiro do contribuinte, isentou-os dos impostos federais e do ICMS, mas essa conta chegará, dependendo do tempo que durar o conflito, que, graças a Deus, foi suspenso ontem por duas semanas, mas com viés de perenidade). 

Esqueçam as heranças malditas do passado, pois todas elas são muito menores do que será a que o próximo governo (ou o atual) receberá no dia primeiro de janeiro de 2027. Em linguagem de arquibancada: o Brasil quebrou, e não tem dinheiro para nada, além do obrigatório pagamento da folha da Previdência privada e pública, da folha dos servidores ativos e dos juros da dívida. Só aí vão mais de 100% da receita federal.  

Está escrito nas estrelas que o restante das despesas será, como vem sendo, coberto pelo dinheiro do agiota, que, vendo o devedor respirando por aparelhos, exigirá juros ainda maiores do que os atuais, sob pena de apertar o torniquete do respirador mecânico.  

Se o governo a ser eleito (ou reeleito) neste ano tiver o mínimo de responsabilidade com o presente e o futuro do país, terá de aplicar um cavalo de pau na política fiscal, sem o que a economia brasileira irá para o brejo, na beira do qual já se encontra. E a primeira medida a ser tomada terá de ser a redução do tamanho da máquina pública, pois há ministérios em excesso, funções gratificadas em excesso, penduricalhos em excesso, isenção fiscal em excesso, impunidade em excesso e corrupção em excesso.  

O Supremo Tribunal Federal (STF) poderia dar uma grande ajuda para o êxito desse cavalo de pau, mas, infelizmente, ele foi atingido, em cheio, pelo vírus da corrupção. O pior é que, diante do que se lê, do que se ouve e do que se vê, nada é feito para que a Suprema Corte recupere o respeito e a imagem de organismo acima de qualquer suspeita que teve até o início deste século 21.  

No STF, vida ilibada e reconhecido saber jurídico não fazem mais parte do currículo dos seus ministros atuais e dos futuros, de que é exemplo o mais novo indicado, alguém que não demonstra o menor preparo para integrar a corte julgadora dos casos que dizem respeito ao Direito Constitucional. Estamos mal, muito mal. Por esta razão, há uma clara e visível sensação de insegurança jurídica, e isto assusta. 

O quadro piora quando, além da liderança jurídica, se examina a liderança política. Os comandantes do Executivo e do Legislativo estão, direta ou indiretamente, envolvidos nos dois escândalos que assustam o país: o do INSS, no qual é citado o filho do presidente da República, e o do Banco Master, que, além de 3 dos 10 ministros do STF, inclui o presidente do Senado Federal, David Alcolumbre, e o da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, além de dezenas de parlamentares dos vários partidos.  

Alcolumbre é citado várias vezes nas conversas de Daniel Vorcaro com sua noiva. Foi ele quem indicou o diretor do Instituto de Previdência do estado do Amapá, sua base política, que aplicou R$ 400 milhões em títulos podres do Master, em troca do que não se sabe, ainda.  

É neste ambiente de corrupção, de delação premiada prometida e ainda não realizada, de economia enfraquecida, de impunidade resistente, de desconfiança na Justiça, de investigações da Polícia Federal, de graves divergências internas no STF, de medo do STE (Superior Tribunal Eleitoral) e de temor da influência estrangeira na eleição presidencial brasileira, que o eleitorado está sendo chamado a ir às urnas daqui a seis meses para eleger o presidente, os governadores, dois terços dos senadores e todos os 513 deputados federais. 

 Que Deus abençoe as eleições e os eleitores.   

SEBRAE PROMOVE TENDÊNCIAS & ESTRATÉGIAS 2026 

Fortaleza sediará nesta quarta-feira,8, o encontro Tendências & Estratégias 2026, promovido pelo Sebrae Ceará, reunindo empresários e gestores para discutir os rumos do varejo diante de um cenário de transformação acelerada.  

Entre os principais temas que serão abordados estão inovação, posicionamento competitivo e mudanças no comportamento do consumidor, fatores que vêm redesenhando a dinâmica do setor e exigindo respostas mais estratégicas das empresas. 

Um dos participantes do evento será Bosco Nunes, especialista em experiência do consumidor, que apresentará uma análise sobre a nova lógica de consumo e seus impactos diretos no desempenho dos negócios. Ele é CEO da Aisiki Customer Experience, consultor parceiro do Sebrae e diretor de Planejamento da CDL Jovem. 

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