Desemprego chega a 15,1%, bate recorde e afeta 549 mil cearenses, diz IBGE

O resultado indica que 15,1% da população com mais de 14 anos estava à procura de trabalho no 1º trimestre de 2021

Legenda: Desemprego bate novo recorde no Ceará
Foto: Arquivo

Em meio à segunda onda da pandemia, o desemprego subiu 10,6% em um ano no Estado e alcançou 549 mil cearenses no primeiro trimestre desse ano. Com o resultado, a taxa de desocupação estadual chegou a 15,1%, patamar recorde da série histórica iniciada em 2012.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mesmo com o aumento do desemprego, a média de rendimento permaneceu estável em R$ 1.748 mensais.

Taxa de ocupação cai 14,6%

Enquanto os indicadores de população desocupada aumentaram, os de ocupação caíram. A estimativa é que 3,08 milhões de cearenses exerciam alguma atividade econômica entre janeiro e março, número 14,6% menor que em igual período do ano passado.

Os empregados do setor privado somavam 1,26 milhão, representando uma queda de 19,1% ante o primeiro trimestre de 2020. Destes, 697 mil possuíam carteira assinada, indicando uma retração de 25%. O volume de trabalhadores sem carteira assinada também reduziu 10,6% no período, para 570 mil.

O contingente de trabalhadores domésticos também sofreu baixas de 37,5% em um ano, chegando a 167 mil pessoas no Estado. A maioria (86,8%) continua na informalidade, totalizando 145 mil trabalhadores, enquanto apenas 21 mil têm a carteira assinada nesta categoria.

Durante a pandemia, a perda de postos de trabalho doméstico formais chegou a 43,7%, ritmo superior aos 36,4% dos informais.

Mesmo o volume de empregados do setor público reduziu 8,9% no período, para 436 mil, sendo 31 mil com carteira assinada, 317 mil de militares e funcionários públicos estatutários e 88 mil sem carteira assinada.

Número de empregadores cai 6,8%

Assim como o número de empregados, o volume de empregadores cearenses também caiu no último ano. No primeiro trimestre desse ano, eram 137 mil nessa posição, 6,8% a menos que no mesmo período de 2020.

Apesar da crise econômica causada pela pandemia, aqueles formalizados com CNPJ cresceram 2,2%, para 105 mil, enquanto os informais caíram 27,5% (32 mil).

Os que trabalham por conta própria também sofreram baixa de 6,1%, totalizando 988 mil cearenses. A maioria esmagadora (83,5% ou 825 mil) ainda na informalidade, apesar da redução de 11,5% dos autônomos informais em um ano.

Setor de alojamento e alimentação sofre maior queda

Entre os segmentos de atuação, o de alojamento e alimentação - que engloba estabelecimentos como hotéis, bares e restaurantes - foi o que mais perdeu postos de trabalho no último ano. Com uma queda de 38,8%, o setor agora emprega 161 mil cearenses. Em seguida, os serviços domésticos também apresentam impacto significativo: queda de 35,9%, para 172 mil empregos.

Em volumes totais, o comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas ainda é o líder em geração de postos de trabalho, com 663 mil empregados. Ainda assim, o número é 16,2% menor que entre janeiro e março do ano passado.

Confira a quantidade de empregos das demais atividades:

  • Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura - 336 mil (-9,3%)
  • Indústria geral - 400 mil (-12,4%)
  • Construção - 219 mil (-3,6%)
  • Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas - 663 mil (-16,2%)
  • Transporte, armazenagem e correio - 104 mil (-19,9%)
  • Alojamento e alimentação - 161 mil (-38,8%)
  • Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas - 299 mil (+6,7%)
  • Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais - 576 mil (-10,7%)
  • Outros serviços - 150 mil (-14,4%)
  • Serviços domésticos - 172 mil (-35,9%)
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