Consumo é repensado; consciência ganha espaço

Crise leva as pessoas a consumirem menos e adquirirem hábitos que devem permanecer após o fim da recessão

Escrito por Redação,

Negócios
Legenda: Com o cenário da recessão, cresceu a demanda por produtos usados, o que foi impulsionado por sites como OLX e Enjoei
Foto: Foto: Kléber A. Gonçalves

Sentindo menos dinheiro no bolso, os brasileiros estão precisando se revirar para conseguir deixar as contas pagas e a geladeira abastecida. De acordo com pesquisa da agência Dim&Canzian, os consumidores que compravam por impulso passaram a pensar duas vezes antes de adquirir supérfluos, priorizando itens básicos e criando um hábito de consumo mais consciente.

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O educador financeiro Gustavo Gaivota, diretor da Unidade DSOP Rio Grande do Norte, aponta que a falta de dinheiro na mão do consumidor foi o grande catalisador para essa atitude.

"Na maior parte das vezes, mesmo que inconscientemente, as pessoas consumiram menos porque, literalmente, não têm dinheiro para consumir como antes. Porque quando eles botam a mão em dinheiro, a primeira coisa que fazem é ir às compras", explica ele.

Mas essa atenção às despesas deve permanecer na consciência das pessoas mesmo após o momento atual de dificuldades. Gaivota avalia que os consumidores, por já terem passado pela turbulência da crise, tendem a pensar duas vezes antes de comprar mesmo depois da recuperação da economia. "Mesmo mais otimistas, as pessoas não sabem se, de repente, pode piorar de novo", avalia.

Mudanças

Com o cenário da recessão, a pesquisa mostra que também cresceu a demanda por produtos usados e a venda direta realizada entre amigos e vizinhos, o que foi impulsionado pela internet, com sites que oferecem produtos de segunda mão a preços convidativos. Há eletrônicos, eletrodomésticos, itens de decoração, roupas e outros produtos em sites como a OLX e Enjoei, por exemplo.

"Esse costume existe desde a antiguidade. O que impulsionou foi o desenvolvimento de plataformas na internet que facilitam essa troca", ressalta o economista. "É comum que os preços sejam bem atrativos, mas as pessoas precisam analisar o custo benefício das peças que pretendem adquirir. É realmente necessário? Está em bom estado?", alerta o educador financeiro. Além disso, o levantamento revela que o brasileiro tirou proveito da proliferação de vídeos e tutoriais na internet do tipo "faça você mesmo" para economizar.

Várias pessoas deixaram de comprar desde itens de decoração, móveis ou outras utilidades de casa e jardim para reaproveitar materiais e cortar custos, além de suspender saídas para restaurante por receitas caprichada feitas em casa.

"Essa é uma opção que, com certeza, pode se ter muita economia. Hoje, na internet, se encontra praticamente de tudo graças a pessoas que tinham essa capacidade e que disponibilizaram esse conhecimento para o público", aponta Gaivota, destacando casos de pessoas que deixaram de encomendar pratos para a ceia de Natal a cozinhar a partir de receitas da internet.

Mobilidade

A pesquisa também mostra que os carros estão sendo deixados de lado porque as pessoas não podem mantê-los, em um primeiro momento, e substituídos pelo transporte público, pela bicicleta e outras alternativas de deslocamento, como a promovida por aplicativos como o Uber. Conforme o estudo, a tendência é que as pessoas adotem esse novo paradigma de mobilidade.

Segundo Gaivota, o aumento de ciclovias nas grandes cidades também possibilitou o crescimento do uso desse modal. "As pessoas deixam o carro em um local, pega a bicicleta e vai até o trabalho, ou até a estação de metrô. É um hábito que economiza muito no final do mês, tendo em vista os atuais valores do combustível e o alto custo de manutenção", pontua. (YP)