Cadela sobrevive a atropelamento e anda em cadeiras de rodas de baixo custo

Vênus, adotada há cerca de três anos, sempre gostou de passear pela vizinhança. Por essa razão, a dona e um vizinho resolveram construir uma espécie de cadeira de rodas de baixo custo

foto cadela
Legenda: Karen Lima conheceu Vênus há 3 anos, próximo a empresa que trabalhava na época. Depois de um tempo, ela resolveu levá-la para casa
Foto: Arquivo pessoal

A cadela Vênus ganhou uma cadeira de rodas feita pela dona, Karen Lima, com a ajuda de um vizinho, após sofrer sobreviver a um atropelamento que a deixou paraplégica. O acidente aconteceu no passado em Fortaleza. A ideia surgiu depois que a tutora percebeu que o animal sentia falta de passear pela vizinhança e que sofria sem os movimentos. .

“Após o acidente, quando ela descia a escada, o joelho dela ficava em carne viva. Quando eu olhava, ela já estava atravessando a avenida. Aí eu e meu vizinho olhamos na internet uma maneira de ela continuar ativa. Ele comprou o material, nós olhamos na internet como fazia com madeira, qualquer coisa que tivesse um custo bom. Dividimos o dinheiro e começamos a montar o carrinho. A princípio, claro, ela não queria ficar no carrinho. Agora não, quando eu pego no carrinho, ela quer logo sair”, diz a tutora.

Karen conta que não sabe como o acidente aconteceu porque não estava em casa no momento. “Eu saí e no kitnet que eu morava tinha um portão que ela conseguia passar pela grade. Quando eu cheguei, ela estava estendida no chão, acho que o impacto foi tão grande que ela não estava chorando nem nada. Ela ficou totalmente paraplégica”, desabafa. 

A condição financeira da tutora, porém, impediu que ela pudesse iniciar um tratamento adequado em uma clínica veterinária. “Quando eu passei pelo veterinário, eu pedi para ele fazer a consulta e expliquei que não tinha dinheiro. Aí eles aplicaram duas injeções e, a partir daí, disseram que os ossos dela calcificaram por causa do tempo. Com o pouco que eu ganho, eu compro a ração dela e adotei também um gato para fazer companhia a ela enquanto eu saio para resolver algumas coisas pessoais”, relata Karen.

A orientação profissional ajudou para que Vênus pudesse iniciar exercícios de fisioterapia em casa mesmo. “É tanto que, quando ela está com muita vontade de sair, ela se esforça e consegue levantar um pouco”.

História de amizade

Karen conheceu Vênus há três anos, próximo à empresa que trabalhava na época. Ela acredita que a cadela tinha um primeiro dono e que ficava esperando por ele no bairro Jardim das Oliveiras. Depois de um tempo, ela resolveu levá-la para casa. “Eu perguntei de quem ela era para uma moça que sempre ficava por lá e ela disse que a Vênus tinha aparecido lá. Ela tava cheia de carrapato, muito triste. Ainda pensei duas, três, quatro vezes antes de levar ela para casa porque moro em kitnet”, conta.

A amizade cresceu por meio do carinho, já que essa foi a forma que Karen encontrou de conquistar a cadela. “No primeiro momento, ela não quis vir, acho que ela estava esperando o primeiro dono. Aí, eu fui fazendo mais carinho nela. Ela é daquelas que necessita de muito carinho. Às vezes, ela nem fala comigo quando eu fico 1h na rua (risos). Quando eu volto, ela vira a cara, não come, parece uma pessoa”, brinca.

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