A importância da função paterna no desenvolvimento dos filhos

Pai não está restrito ao pai biológico ou à figura masculina, mas se trata da função paterna, que pode ser desempenhada também por um tio, avô, pela própria mãe, enfim, qualquer pessoa próxima da criança, independente de gênero.

Foto: shutterstock

Todos os anos comemoramos o Dia dos Pais, uma homenagem a essa figura tão importante na vida dos filhos, na esfera familiar e social. Entretanto, apesar da tradição, observamos uma evolução, uma mudança do papel paterno, especialmente nas últimas décadas, devido às transformações culturais que atravessamos.

Antes, um pai dominante, único provedor, proprietário de bens e da família, que impunha a sua autoridade e colocava-se mais afastado afetivamente dos filhos, encerrando-se numa função mais disciplinadora e educadora. Com o ritmo acelerado da transformação de valores, marcado pela inserção da mulher do mercado do trabalho no século passado, os costumes e hábitos vão se transformando, mesmo que num ritmo mais lento. Acompanhamos uma mudança na hierarquia familiar e o questionamento da autoridade paterna. Hoje, vemos um pai com maior participação doméstica e afetiva dentro da família.

É indiscutível a importância do pai no desenvolvimento dos filhos, e é importante que, aqui, entendamos que pai não está restrito ao pai biológico ou à figura masculina, mas se trata da função paterna, que pode ser desempenhada também por um tio, avô, pela própria mãe, enfim, qualquer pessoa próxima da criança, independente de gênero.

A função paterna é complementar à materna, e tem papel estruturante na formação do ego dos filhos e na inserção destes na sociedade, onde eles poderão desenvolver sua agressividade, sua autoestima e sua capacidade de explorar o ambiente.

Uma figura paterna presente é decisiva para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social de uma criança, e uma boa interação com a função paterna gerará no filho uma melhor autoestima e uma estrutura psicológica mais forte para tomar decisões como a escolha da profissão, por exemplo.

Já a ausência paterna tem potencial para gerar conflitos no desenvolvimento psicológico e cognitivo dos filhos, bem como influenciar o desenvolvimento de distúrbios de comportamento e até causar depressão.

Neste Dia dos Pais, para além da marca comercial da data, o convite é para relações cada vez mais ricas de interação afetiva e presença entre pai e filho. Então, aos pais casados, solteiros, mães que são também pais, pais adotivos e a toda forma de exercer a paternagem: participem da vida dos seus filhos, troquem a fralda, levem ao médico, brinquem, acompanhem os estudos, eduquem, orientem para a vida e ofereçam a eles um modelo de apoio e de segurança. Fazer parte da vida do filho se trata de construir seu ambiente interno, sua visão de mundo, e é o que faz de alguém um Pai com P maiúsculo. Feliz Dia dos Pais!

Érica Bandeira Machado
Psicóloga Clínica de orientação junguiana