Ruas de Fortaleza são recapeadas e estão há mais de um mês sem ciclofaixas

Ciclistas disputam espaço com motos e carros, aumentando a insegurança e vulnerabilidade

Escrito por
Clarice Nascimento producaodiario@svm.com.br
Ciclistas e motociclistas aguardam no cruzamento de uma avenida urbana, próximos a um semáforo, com prédios residenciais ao fundo e muros pichados
Legenda: Na Avenida Eduardo Girão, o recapeamento apagou a ciclofaixa e a faixa de pedestres
Foto: Foto: Kid Jr

Ciclistas de Fortaleza denunciam que o recapeamento de ruas e avenidas da cidade está apagando as ciclofaixas e aumentando a insegurança dos usuários do modal. Trechos das avenidas José Jatahy, Eduardo Girão e Coronel Carvalho já estão com novo asfalto, mas permanecem sem a sinalização adequada há mais de um mês. 

A reportagem do Diário do Nordeste esteve nos locais e constatou que as vias não apresentam a sinalização correta de tráfego, bem como as ciclofaixas e as faixas de pedestres apagadas. As marcas viárias são elementos de segurança para organizar o tráfego, delimitar espaços e orientar motoristas, ciclistas e pedestres. 

João Lustosa, arquiteto e artista plástico, costuma trafegar de bicicleta pela Avenida Coronel Carvalho para chegar ao Terminal do Antônio Bezerra, na Av. Mister Hull. “Para chegar lá, já não existe uma conexão direto e agora o mínimo que tinha foi apagado”, afirma. 

Ele explica que o trânsito na região costuma ser inseguro para os ciclistas, mas agora, sem o espaço delimitado corretamente, a situação se agrava. Ele detalha que em um trecho da rua os veículos podem fazer uma conversão à esquerda e, sem a ciclofaixa, os condutores de moto invadem o espaço e deixa os ciclistas mais inseguros. 

“Como não tem a sinalização, os problemas que já existiam, eles se agravavam. Então se as pessoas invadem a faixa, agora elas invadem cinco vezes mais”, reitera. 

“Os carros e as motos querem passar [a frente]. A Coronel Carvalho em si, mesmo a parte que não é a que tem a ciclofaixa, já não é tão bem cuidada”, diz. Além disso, os ônibus também avançam o espaço onde deveria estar a ciclofaixa. 

Mateus Barboza, estudante de Arquitetura e Urbanismo e integrante do Ciclourb, denuncia que a demora para a sinalização atinge diversos grupos de ciclistas, como mães que levam os filhos para a escola e idoso. 

“É um percurso que as pessoas costumam fazer diariamente para ir para o trabalho ou para a faculdade e, de um dia para o outro, a infraestrutura deixa de existir”, afirma. O estudante pontua a necessidade de outras sinalizações enquanto não ocorre a pintura das ciclofaixas. “A gente sente que deveria ter alguma coisa preventiva, como cones, enquanto a sinalização não chega”, diz. 

Malha cicloviária de Fortaleza

Segundo o Observatório Cicloviário de Fortaleza, as ciclofaixas representam 64.08% de toda a malha cicloviária de Fortaleza. Hoje, a cidade possui 496,9 quilômetros de rede cicloviária, sendo 318.4km destes de ciclofaixas. 

Em junho deste ano, a Prefeitura de Fortaleza iniciou o programa “O Trabalho Tá na Pista”, voltado à recuperação da malha viária, com a requalificação do asfalto e reparos emergenciais na cidade. Segundo informações da gestão, cerca de 100 km de vias serão recapeadas, considerando o alto fluxo de veículos e o transporte coletivo. 

Questionadas sobre o andamento das ações de recapeamento e sinalização, Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP) e a Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf) responderam, via nota, que as ciclovias estão inseridas no plano de recapeamento das vias. 

“Quando uma via passa por recapeamento, o trabalho contempla toda a sua extensão, incluindo a ciclovia, quando existente. Após a execução, a via entra na programação de sinalização e repintura”, afirma. 

Nas avenidas José Jatahy e Eduardo Girão, recém-recapeadas, a Seinf prevê para próxima segunda-feira (15) o início da pintura da nova sinalização da ciclovia em ambas vias. O prazo para conclusão do serviço é de 15 dias. 

No caso da Avenida Coronel Carvalho, a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) informou que está prevista a substituição de um trecho da ciclofaixa por uma ciclovia. A nova estrutura separa fisicamente os ciclistas da faixa de trânsito utilizada por carros e motos. 

O órgão municipal está em fase de conclusão do novo projeto de sinalização para ser executado posteriormente. Por isso, não há prazo de início do serviço. 

“A Prefeitura reforça que não houve retirada de ciclofaixas em Fortaleza. Ao contrário, a cidade ganhará novas e mais seguras estruturas para ciclistas, além da transformação de algumas ciclofaixas em ciclovias, como está sendo implementado na Rua Pinto Madeira, no Centro”, completa a nota. 

A SCSP também reforça que a população pode registrar solicitações de manutenção e outros serviços públicos pela Central 156 (telefone ou aplicativo) ou nas Centrais de Acolhimento das Secretarias Regionais.

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