Dançarinos colombianos que viajam pela América Latina de moto chegam ao CE para ensinar salsa caleña

Natalia Ramírez e Francis Diaz iniciaram a jornada há cerca de um ano e dois meses; Em Fortaleza, dupla se surpreende com o gosto do caranguejo

Escrito por Beatriz Rabelo , beatriz.rabelo@svm.com.br
Casal colombiano
Legenda: O casal já visitou o Theatro José de Alencar, em Fortaleza
Foto: Arquivo pessoal/@elbailadortravel

Com o sonho de expandir a cultura da salsa caleña, o casal Natalia Ramírez e Francis Diaz, ambos de 31 anos, saíram da Colômbia para viajar pela América Latina em uma moto: a "La Guarachera", como carinhosamente é chamada. Na estrada há mais de um ano e dois meses, os dois chegaram no Ceará na última terça-feira (2), onde devem permanecer até o final da próxima semana.

Nesse período, precisaram fazer uma pausa de oito meses, porque Francis sofreu com uma lesão no joelho. Ao todo, mais de 30 mil quilômetros foram percorridos, com passagem por países como Bolívia, Peru e Equador. Até o final de 2025, planejam visitar todos os países da América do Sul.

Colombianos dançarinos
Legenda: Nati e Francis buscam descobrir as culturas das cidades visitadas
Foto: Arquivo pessoal

Sem patrocinadores, eles viajam e realizam parcerias com entidades que queiram trabalhar com eles em prol da dança. Os custos dessa aventura são pagos com as aulas que fazem nas cidades visitadas. É um valor simbólico, que possibilita com que eles possam ir para a cidade seguinte.

"Queremos promover a cultura da salsa caleña em todas as cidades. Já demos aulas para vinte pessoas, outras para mais. Cada cidade é uma nova experiência". 
Francis Diaz
Dançarino colombiano

Mas, da mesma forma que ensinam, também aprendem. Foi somente depois que chegaram ao Brasil, em abril deste ano, que começaram a aprender danças típicas. "Estamos aprendendo a dançar forró, brega, carimbó, forró eletrônico e pé de serra", compartilhou Francis, em entrevista ao Diário do Nordeste.

Chegada ao Brasil 

Em solo brasileiro, já provaram açaí e brigadeiro. Mas foi no Ceará que experimentaram o caranguejo pela primeira vez. "A princípio foi trabalhoso, demorado, mas de todas aos animais marinhos, gostamos mais do caranguejo, tem um sabor muito bom. Delicioso", afirmou Francis. 

No Brasil, já visitaram Campo Grande, Tocantins, Palmas, São Luís, Fortaleza, entre outras tantas que vão percorrendo de moto. Para eles, o que mais se destaca é a recepção calorosa

"As pessoas são muito simpáticas. Quando falamos que somos da Colômbia e estamos viajando pela América Latina, elas já se interessam e param pra escutar."

"E o que a gente percebeu daqui é que toda celebração tem churrasco. Vocês têm esses espetinhos, e farinha. É um pouco diferente comer farinha com feijão. Não temos em nosso país, mas estamos nos acostumando com a 'crocância' da farinha".
Francis Diaz
Dançarino colombiano

A condição das estradas, também, foram destacadas como um ponto alto, em relação ao Peru e Bolívia. Porém, o calor no Brasil tem sido um desafio. "Usamos uns trajes que são bem grossos. A vantagem é que eles nos cobrem muito bem em caso de acidente, mas fazem muito calor".

Porém, da mesma forma que enfrentaram calor em terras brasileiras, passaram por frio de - 7ºC no Peru. Essas mudanças de temperatura, segundo Francis, fazem parte da aventura. 

Propósito da viagem

Para além de um turismo que só pretende riscar nomes das listas de "Lugares para Conhecer" ou marcar pontos turísticos de um álbum do Instagram, eles procuram desfrutar das cidades e ter trocas com as pessoas locais. "Um intercâmbio sem egoísmo. Queremos nos aliar, e conhecer os lugares para que as pessoas queiram vir ao Brasil e se deem conta de tudo que o Brasil tem a oferecer".

"O propósito é divulgar a cultura colombiana através da salsa caleña. É muito importante chegar em cada cidade, poder dançar e ensinar a dançar. Também aprender a cultura", ressaltou o dançarino. 

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A dança, ele explica, está presente na vida dos dois desde pequenos. Originários da cidade de Cali, a terceira maior da Colômbia, a salsa está no sangue. "Os pais, avós e tios sabem dançar. Desde pequenos estivemos imersos nessa cultura. Para onde você vai, estão escutando salsa, e a música incentiva a dança", afirma Francis.

O que começou como um sonho de dois jovens apaixonados por salsa caleña, se tornou algo que vem crescendo com a viagem. As descobertas, aventuras e partilhas com as pessoas que vão conhecendo pelo caminho são compartilhadas no perfil deles do Instagram e do YouTube, com o nome "elbailadortravel".

Desafio para encontrar aulas em Fortaleza

No entanto, de todas as cidades em que o casal parou, Fortaleza foi a primeira em que enfrentaram dificuldade de encontrar parcerias para as aulas de salsa.

"Estamos abertos para formar alianças, mas aqui são muito fechados. Contactamos várias escolas, mas nada deu certo. Algumas disseram que não davam aulas desse ritmo, outras que não ia dar certo mesmo", lamentou Francis.

Casal colombiano
Legenda: Casal chegou em terras brasileiras em abril deste ano
Foto: Arquivo pessoal

Porque, além da questão financeira que permite o andamento da viagem, eles também se divertem com as trocas com outros dançarinos.

Enquanto seguem buscando por escolas de dança e estúdios que tenham interesse em convidá-los, Nati e Francis aproveitam para conhecer Fortaleza. Os dois já foram ao centro da cidade e às praias. 

Rotas para percorrer

E quais são os planos futuros? Bom, após sair do Ceará, eles desejam descer com a moto para Natal, e ir parando nas praias do Nordeste. O destino final no Brasil será Foz do Iguaçu. "Para conhecer as cataratas. Depois vamos para Paraguai, Uruguai e voltamos para Argentina".

Eles pretendem ir para Buenos Aires e descer até Ushuaia, região mais ao sul da América. "Depois vamos subir trocando entre Brasil e Chile. A ideia é atravessar a Bolívia, ir para Manaus, depois subir para o Suriname, visitar as guianas e terminar na Venezuela", detalhou.

Em todo esse percurso, eles vão parando em algumas cidades para descansar, dar aulas, conhecer novas culturas e descobrir as belezas naturais da nossa América Latina. 

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