Chikungunya: com aumento de infecções e mortes, saiba quem tem mais riscos para casos graves

Pessoas com sistema imunológico enfraquecido ou doenças crônicas têm maior vulnerabilidade a complicações da doença

Escrito por Nícolas Paulino , nicolas.paulino@svm.com.br

Ceará
Casos de Chikungunya crescem no Ceará
Legenda: Busca por atendimentos nas unidades de saúde do Ceará aumentou, e já foram confirmados quase 18 mil casos e 16 óbitos por Chikungunya
Foto: Thiago Gadelha

A chikungunya voltou a trazer preocupação no Ceará, cinco anos após a epidemia de 2017. Até o momento, neste ano, foram confirmados quase 18 mil casos e 16 óbitos pela doença infecciosa. Nesse cenário, há parcelas da população que apresentam maior risco para o desenvolvimento de casos graves.

“Pessoas idosas, crianças e gestantes têm risco maior de complicações, assim como pessoas com comorbidades, como a diabetes”, detalha André Siqueira, infectologista e pesquisador da Fiocruz e coordenador da Rede de Pesquisa Clínica Aplicada a Chikungunya (Replick).

Os mesmos grupos são descritos em notas técnicas do Ministério da Saúde. Contudo, o pesquisador também aponta que, “sabendo que a chikungunya tem possibilidade de sequelas, as dores podem persistir por meses mesmo em pessoas sem problemas de saúde”.

Segundo as recomendações do Ministério, os pacientes dos grupos de risco necessitam de observação diferenciada nas unidades de saúde pelo risco de desenvolvimento de formas graves da doença, motivo pelo qual devem ser “acompanhados diariamente até o desaparecimento da febre e ausência de sinais de gravidade”.

Entenda os motivos da classificação de risco:

Comorbidades

As formas graves da infecção pelo vírus Chikv acometem, com maior frequência, pacientes com comorbidades. A união de dois ou mais fatores está associada ao maior risco de descompensação das doenças de base e evolução para óbito.

Estão mais vulneráveis pacientes com:

  • história de convulsão febril 
  • diabetes
  • asma
  • insuficiência cardíaca
  • alcoolismo
  • doenças reumatológicas
  • anemia falciforme
  • talassemia (anemia grave)
  • hipertensão arterial sistêmica
  • uso de aspirina, anti-inflamatórios e paracetamol em altas doses, devido ao risco de complicações renais e de sangramento aumentado

Apesar desse detalhamento, especialistas e guias técnicos  ressaltam que, para algumas complicações, não há comorbidades prévias, logo a doença independe de enfermidades associadas. 

Bebês

Para recém-nascidos de mães infectadas, há um risco de transmissão de aproximadamente 50% no período do parto. O recém-nascido é assintomático nos primeiros dias, mas o quadro pode evoluir para febre, dores, recusa da mamada, descamação, vermelhidão e edema de extremidades.

Legenda: Mosquito Aedes aegypti é responsável por transmitir dengue, zika e chikungunya.
Foto: Alexandre Carvalho

As formas graves são frequentes nesta faixa etária, incluindo o surgimento de complicações neurológicas, hemorrágicas e cardíacas. 

Gestantes

A infecção durante a gestação não está relacionada a alterações fetais, mas há relatos raros de aborto espontâneo. 

Mães que adquirem chikungunya no período intraparto (entre os dois dias que antecedem o parto e dois dias após) podem transmitir o vírus aos bebês por via transplacentária. O vírus não é transmitido pelo aleitamento materno.

Idosos

Na população acima dos 65 anos, infecções tendem a ser mais graves por causa do sistema imunológico mais comprometido e da redução de algumas funções fisiológicas. Além disso, as dores articulares podem ser mais intensas devido a problemas osteomusculares crônicos.