Ceará tem média de 1,2 mil casos de dengue por mês; veja sintomas e cidades mais afetadas

Lotes de vacina estão disponíveis para crianças e adolescentes na primeira fase de imunização contra a doença

Escrito por Lucas Falconery , lucas.falconery@svm.com.br
Legenda: Além de evitar criadouros do mosquito da dengue, população deve buscar vacina conforme público prioritário
Foto: Fabiane de Paula

Apesar de o Ceará não estar incluído no mapa brasileiro mais afetado pela dengue, o Estado tem uma média de 1,2 mil casos por mês – são 7.603 diagnósticos, com 2 mortes causadas pela doença, até o momento. No primeiro semestre do ano passado, o Estado registrou 8.469 casos de dengue e 5 óbitos.

Neste ano, numa situação mais delicada, 15 pacientes tiveram a forma grave da doença, quando entre 3 e 7 dias após o início dos sintomas há uma piora crítica do estado de saúde – com dor abdominal intensa e até sangramento – e risco de vida, como explica o Ministério da Saúde.

Os dados são da Secretaria da Saúde do Ceará, disponibilizados na plataforma Integrasus, com atualização feita na terça-feira (2). Em geral, o primeiro semestre concentra os números da doença devido à quadra chuvosa, entre fevereiro e maio.

Existem 4 sorotipos de dengue, mas o Ceará está com a circulação apenas do DENV-1 e DENV-2. No Brasil, o aumento de casos da doença acontece devido ao sorotipo 3, como explica o superintendente da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP) Luciano Pamplona.

“Apesar do País estar vivendo a maior epidemia de dengue em sua história, o cenário epidemiológico do Ceará não seguiu essa tendência. Em parte, porque os sorotipos circulantes já haviam causado epidemias anteriores no Nordeste”, completa.

Na análise do epidemiologista, o Ceará teve um “número de casos menor que o esperado, principalmente considerando que o pico de transmissão ocorre no primeiro semestre de cada ano”.

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A dengue é a arbovirose com a maior proporção de casos confirmados (20,3%), na frente da chikungunya (7,57%) e zika (0,17%). No Estado, Brejo Santo (2.273), na Região do Cariri, e Fortaleza (1.469) concentram os casos confirmados até o momento.

“Tivemos municípios com número de casos importante, mas com impacto apenas na rede de atenção local e que não impactaram na Rede de Atenção Estadual”, observa Luciano.

Os casos confirmados de dengue estão em queda desde 2022, quando o Ceará teve 40.511 diagnósticos da doença, seguido por 14.150 casos no último ano. O pico da doença, na série histórica acompanhada pela Sesa, aconteceu em 1994 com mais de 47 mil casos.

Para evitar novos episódios de alta transmissão, o Brasil começou a aplicar vacinas contra a dengue. Em abril deste ano, o Ministério da Saúde repassou 42,3 mil doses de vacinas contra a dengue para 4 municípios do Ceará. A imunização começou em maio com objetivo de imunizar apenas 25% da população entre 10 e 14 anos de idade.

“O número de doses disponibilizadas pelo laboratório fabricante e a forma de distribuição no País não será capaz de impactar na transmissão da doença. A vacina deverá impactar no momento em que for possível imunizar uma parcela maior da população”, completa o especialista.

Quais são os sintomas da dengue?

A dengue é uma doença classificada como arbovirose, causada por um vírus transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. O inseto está dentro e ao redor de moradias, escolas e igrejas, por exemplo, conforme o Ministério da Saúde.

Um dos primeiros sintomas da doença é a febre alta, de início repentino, que geralmente dura de 2 a 7 dias, com dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações. O paciente também apresenta fraqueza, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas na pele.

Sintomas comuns da dengue

  • Febre alta;
  • Dor no corpo e nas articulações;
  • Dor atrás dos olhos;
  • Mal-estar;
  • Dor de cabeça;
  • Manchas vermelhas no corpo.

Sinais de alarme da dengue

  • Dor abdominal intensa e contínua;
  • Vômitos persistentes;
  • Acúmulo de líquidos;
  • Sangramento de mucosa;
  • Irritabilidade.

O diagnóstico clínico pode ser feito por exames laboratoriais para identificação do vírus até o 5° dia de início da doença e pela pesquisa de anticorpos a partir do 6° dia de início da doença.

O tratamento tem foco na reposição de líquidos e repouso dos pacientes. O Ministério da Saúde frisa a orientação para não se automedicar e para procurar imediatamente o serviço de urgência em caso de sangramentos ou surgimento de pelo menos um sinal de alarme.

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