Pimentas ardidas, doces ou picantes agradam diferentes paladares e ajudam na saúde

A nutricionista Grace Bezerra e o gastrônomo Fernando Mota Filho falam sobre as propriedades e o gosto de preparar alimentos utilizando diferentes tipos de pimentas

Malagueta, do-reino, biquinho, calabresa, de-cheiro e dedo-de-moça são as pimentas mais utilizadas na culinária nordestina. O tempero tanto enriquece o sabor dos alimentos como é indispensável na produção de molhos. Para saber como aplicar esse tipo de condimento, a nutricionista Grace Bezerra fala sobre suas especificidades e benefícios.

A versão dedo-de-moça, conforme a especialista, é a mais suave. Livre de ardência, ela confere apenas um cheiro diferenciado e sabor leve às refeições. O toque apimentado vem das sementes que devem ser retiradas antes mesmo das preparações.

Já a pimenta-do-reino é levemente picante e muito usada na culinária, tanto em pratos sólidos quanto em sucos. As versões malagueta e calabresa são as mais picantes. "Essas são recomendadas para quem gosta de pratos quentes e apimentados", avisa.

Por ser rica em vitaminas A, E, C, complexo B, ácido fólico, zinco, potássio, manganês, magnésio e ferro, além dos princípios ativos capsaicina e piperina, a profissional afirma que o consumo desse tempero disponibiliza diversos benefícios à saúde.

"O condimento é termogênico, por isso ele age como antioxidante, controlando os radicais livres, o envelhecimento, o apetite e, consequentemente, leva à perda de peso", destaca a nutricionista.

Pelo fato da capsaicina fazer o processo de conexão com os receptores responsáveis pela dor, a pimenta também tem efeito analgésico. Abundante em vitamina C, o consumo frequente da pimenta também estimula a formação de colágeno.

Por meio da produção de serotonina, melhora o humor. Já a ação anti-inflamatória, promovida pela capsaicina, fortalece o sistema imunológico e antibacteriano. "A ingestão da pimenta também ajuda na ativação de determinados mecanismos que podem induzir as células tumorais a se autodestruírem", revela.

Restrições

Apesar da variedade de benefícios para a saúde, o tempero pode ser contraindicado se usado em grandes quantidades por quem é hipertenso ou possui alguma sensibilidade à ardência. O consumo da pimenta também pode causar desconfortos gastrointestinais. Conforme a especialista, essa condição varia de acordo com a individualidade bioquímica e biológica de cada um.

Para quem ainda tem dúvidas sobre a ação afrodisíaca da pimenta, a nutricionista afirma, o tempero age diretamente no fluxo sanguíneo, aumentando a transpiração e os batimentos cardíacos. "É exatamente esse aquecimento que a pimenta causa no corpo, após o consumo, que configura o seu poder afrodisíaco" referencia Grace Bezerra.

Apreciador

Para o gastrônomo Fernando Mota, o gosto por pimenta vem da infância. "Minha família sempre gostou muito, principalmente a do Pará. As comidas lá em casa eram sempre condimentadas. E o uso do molho era frequente", confessa.

Legenda: A pimenta deve ser usada para dar um toque picante ao prato, sem excesso para não alterar o gosto da comida

Quando começou a cozinhar, Fernando foi testando os pratos, inserindo as pimentas e dosando as quantidades. Atualmente, o gastrônomo percebe que o paladar está muito aguçado. Por isso, procura conferir apenas um toque picante e saboroso sem tirar o gosto do alimento.

"Gosto da versão dedo-de-moça e do-reino no feijão e nas carnes. A malagueta e a do Pará para os molhos e geleias", ressalta Fernando Mota.

Todos os sabores

Tem pimenta para todos os paladares: ardidas, menos picantes ou adocicadas.

A BIQUINHO leva este nome em referência ao seu formato arredondado e estreito na ponta. Ela tem gosto adocicado e por isso é indicada para quem deseja iniciar o consumo;

COMO O próprio nome sugere, a pimenta-de-cheiro faz parte das que aromatizam a comida sem ardência. É uma das mais utilizadas na culinária nordestina, em especial no feijão e no baião de dois dos cearenses;

A MALAGUETA é picante e a preferida da cozinha baiana, sendo indispensável no molho da feijoada, no vatapá e no acarajé;

A EXEMPLO da dedo-de-moça, a malagueta pode realçar o gosto de alguns pratos quentes e diversas sobremesas;

CUMARI-DO-PARÁ, também conhecida como cumari-amarela, é uma especiaria natural da Amazônia. Garante um ardor incomparável a pratos típicos da região, especialmente no preparo do tucupi;

LEVEMENTE picante, a tradicional pimenta- do- reino é presença assídua no cardápio dos cearenses, tanto em alimentos como arroz, feijão e carnes quanto nos sucos;

POR SER uma das sugestões de pimenta mais picantes, a calabresa é uma boa recomendação para os adeptos de alimentos bem quentes e apimentados.
 

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