Museu da Fotografia Fortaleza reabre para visitação do público após seis meses

Reabertura será nesta terça-feira (22). O equipamento seguirá os protocolos necessários para garantir a segurança de funcionários e frequentadores

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Legenda: Atualmente, o Museu da Fotografia Fortaleza conta com três exposições disponíveis para a apreciação do público
Foto: Divulgação/Museu da Fotografia Fortaleza

Desde que os espaços culturais de Fortaleza foram fechados devido à pandemia do novo coronavírus, a fotógrafa Alice Frota, 33 anos, viu 80% de suas atividades perdidas. “São os lugares onde faço meu lazer, estudo, pesquiso, encontro e faço amigos”, relata. Frequentadora assídua do Museu da Fotografia Fortaleza (MFF), ela comemora, nesta terça-feira (22), seis meses após a suspensão das atividades presenciais, a reabertura deste equipamento para o público, seguindo todos os protocolos de segurança recomendados pelo decreto governamental e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O museu terá medição de temperatura e totens com álcool disponíveis nas galerias, e só será permitida entrada com máscara. Os funcionários farão uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Serão recebidas, no máximo, 40 pessoas simultaneamente, respeitando as regras do distanciamento. Já para as visitas mediadas/educativas, o equipamento aceitará grupos de até dez pessoas, com agendamento pelo site (museudafotografia.com.br). 

Por ter perdido a abertura das mostras “O olhar não vê. O olhar enxerga” e  “Não danifique os sinais”, realizada no começo de março, quando ainda não estavam confirmados casos do novo coronavírus no Ceará, Alice Frota já se programa para a visita dessas exposições de longa-duração. Com curadoria de Diógenes Moura, elas fazem uma releitura do acervo de mais de 2.500 imagens do museu, por meio de uma seleção de 370 fotografias distribuídas no térreo e no primeiro andar. 

Em “O olhar não vê. O olhar enxerga”, estão registros de diversidade religiosa, cultural e artística; e em “Não danifique os sinais”, narrativas de conflitos. A mostra “Bob Wolfenson: Retratos”, com fotos históricas de celebridades, também estará disponível para apreciação no segundo andar. “Eu já estava ansiosa, inclusive tinha até falado sobre isso na semana passada. Estou muito animada pelo retorno, porque é um espaço onde eu me sinto muito bem”, admite a Alice, que também coordena atividades formativas na Galeria Mariana Furlani Arte Contemporânea.

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Legenda: Maria Bethânia, São Paulo, 1989.
Foto: Bob Wolfenson

Com os estudos em fotografia iniciados em 2018, o MFF configurou-se como um espaço de formação para a fotógrafa, incorporado a sua rotina mesmo quando isso só estava sendo possível on-line. Durante a pandemia, ela chegou a fazer o tour virtual para rever algumas imagens, mas reconhece que se tratam de imersões bem diferentes. 

“Eu acho que a arte precisa da presença, dessa experiência sensorial. O virtual, creio que não vai atingir esse ápice da experiência, de você estar olhando o quadro presencialmente ao vivo e a cores, mas ajudou muito a manter a cabeça ocupada, sem pensar na pandemia, e ao mesmo tempo dar uma aliviada na ansiedade, de não poder estar presente lá como sempre estou”, conta.

Acolhimento

Para garantir a boa recepção do público, que passou meses sem poder visitar o museu, a equipe de funcionários tem se preparado com afinco. A educadora e coordenadora do Núcleo Educativo do MFF, Keli Pereira, observa a importância desse retorno. “Eu acredito na arte como uma aliada, principalmente em momentos como esse, de grande estresse coletivo pelo qual estamos passando. A ideia é que nós consigamos abrir para diálogos, criar narrativas que de alguma forma façam com que o visitante consiga se sentir compreendido e acolhido naquele espaço”, aponta.

Nessa fase de transição do isolamento para o distanciamento social, ela vê o museu como aliado. “É um espaço para onde a pessoa vai justamente para ser feita essa reaproximação, respeitando todas as regras de segurança, para que ela consiga se reaproximar não só das pessoas, mas também da arte e da cultura”, defende.

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Legenda: Alice Frota em visita à exposição "Bob Wolfenson: Retratos", em outubro de 2019
Foto: Denise Marçal

Keli reforça que essa reabertura também é gradual. Inicialmente, o MFF estará disponível apenas para visitação, mas oficinas, workshops e projetos continuarão de maneira remota até que seja seguro retornar com essas atividades presenciais. A educadora recorda algumas ações virtuais desenvolvidas pelo equipamento nesses seis meses, e que reforçam a capacidade de oferecer serviços com criatividade.

“Fizemos lives, oficinas, indicações de fotógrafos, livros, filmes, documentários relacionados à fotografia. Desenvolvemos uma série de vídeos com dicas de como fotografar com celular, e também fizemos nosso primeiro Concurso de Fotografia, que foi bem legal, porque aproximou muito nosso público”, lista.

A frequentadora Alice Frota descreve a boa relação que desenvolveu com os funcionários do equipamento desde que começou a visitá-lo, há dois anos. “Como eu estou sempre lá, com muita frequência, eles passaram a ser colegas, pessoas que já me conhecem. Sou sempre muito bem recebida por todos. Acho muito bacana a dedicação que a equipe tem ao museu, o fato deles estarem sempre propondo muitas atividades”, diz. 

A fotógrafa reforça o convite de ida até lá, especialmente para aqueles que nunca visitaram o MFF. “Se você entrar, pode conhecer várias histórias por meio das fotografias. Isso é muito importante, muito rico, muito positivo para a imagem da nossa cidade, do nosso Estado, ter um espaço cultural como esse. Estou bem animada para retornar ao Museu”, conclui.


Serviço

Museu da Fotografia Fortaleza
Reabertura nesta terça-feira (22). Visitação: Rua Frederico Borges, 545, Varjota. Funcionamento: De terça a domingo, de 12h às 17h. Gratuito. Uso obrigatório de máscara. Mais informações: Instagram @museudafotografiafortaleza e site: www.museudafotografia.com.br

 

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