Humorista Rossicléa estreia no cinema em "Cabras da Peste" após 30 anos de palco

No filme, a atriz interpreta uma delegada de uma cidade do interior do Ceará. A produção estreia nesta quinta (18) na Netflix

Ela é uma imagem de Rossicléa e Victor Alen no filme Cabras da Peste
Legenda: Rossicléa estreia como atriz em "Cabras da Peste" ao lado de Victor Alen
Foto: Reprodução/Instagram

Da Valéria Vitoriano, nasceu Rossicléa há 32 anos. O sucesso da personagem, que se tornou símbolo do humor cearense, é responsável por confundir os limites entre as duas personalidades que habitam o mesmo corpo. Nesta quinta-feira (18), no entanto, nasce uma nova personagem, que não é Rossicléa nem Valéria. O nome dela é Vitória Regina, uma delegada que marca a estreia da atriz nos cinemas, com o filme “Cabras da Peste”, de Vitor Brandt, na Netflix. 

A produção apresenta a história do resgate de Celestina, uma cabra considerada patrimônio de uma cidade do interior do Ceará. No enredo, Edmilson Filho interpreta Bruceuilis, um policial cearense que viaja para São Paulo para investigar o sequestro. Lá, ele faz amizade com o escrivão Trindade (Matheus Nachtergaele), que resolve ir a campo, mesmo não sendo sua especialidade. 

“A delegada é muito mais Valéria do que Rossicléa. O Edmilson me conhece muito bem, sabia o que eu podia entregar e me deu muitos toques, (como) posicionamentos de interpretação e ação. Foi realmente maravilhoso”, conta a humorista. 

O sonho de ser eternizada nos cinemas foi vislumbrado antes, com o filme "Cine Holliúdy" (2013), de Halder Gomes. A atriz lembra que na época não conseguia participar de produções audiovisuais devido a sua intensa rotina de shows em uma casa de humor de Fortaleza.

A humorista finalizou as gravações no final de 2018, ao lado dos cearenses Victor Alen, Falcão, Bolachinha e Emerson Ceará. Rodeada dos conterrâneos, Valéria compartilha que estava imersa em universo já conhecido, o do humor cearense, o que tornou possível brincar com isso de forma diferente, sem precisar buscar referências em outros atores. 

“Às vezes, é preferível ter uma pessoa que está crua, que já tem uma vivência em uma coisa paralela e está querendo se jogar e não tem já os vícios que alguns atores têm. Eu acho que o fato de eu querer muito, de eu querer agradar e dar o meu melhor foi fundamental”, conta. 

A estreia nos cinemas acontece hoje (18), mas Valéria Vitoriano já prepara outro personagem para a Sétima Arte. A atriz também faz parte do elenco de “Bem-vinda a Quixeramobim”, de Halder Gomes, gravado no fim de 2020 em Juatama, no interior do Ceará. A produção ainda não tem data prevista para chegar aos cinemas.  

Humor 

Mas o primeiro encontro de Valéria Vitoriano com a arte aconteceu lá atrás, aos 17 anos. Aluna de uma escola de freiras, o humor se fortaleceu durante sua passagem pelo colégio. Ela costumava ligar para uma rádio para enganar o locutor, já fazendo a voz do que se tornaria a Rossicléa. O trote era gravado para mostrar aos colegas de turma no dia seguinte. 

Ao lado de sua prima Karla, a Meirinha, ela compartilhava suas referências humorísticas: Renato Aragão, Chico Anysio e as empregadas domésticas que trabalhavam na casa de sua avó. O nome “Rossicléa”, inclusive, surgiu de uma conversa na mesa da cozinha, inspirado em uma funcionária de sua avó.

A estreia nos palcos aconteceu 1988 durante uma campanha de apresentações  na Praia de Iracema, onde foi montado um tablado no chão para apresentação de vários artistas. A dupla “Rossicléa e Meirinha” subiu no palco em agosto daquele ano, dando início a uma carreira de sucesso.

32 anos depois, a humorista celebra a possibilidade de fazer as pessoas rirem de outra forma: por meio do cinema. 

“Apesar de ter sido uma apresentação, uma personagem que foram poucos dias de gravação e tudo, participar desse processo todo e ver um material que vai ficar pra sempre, vai ficar registrado, é maravilhoso. Pra mim, foi um divisor de águas”, completa. 

 

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