Cearense lança aplicativo para guardar e compartilhar trechos de livros

O “Seeds” está disponível gratuitamente para Android e iOS

Nara Barreto segura livros com marcações
Legenda: A psicóloga Nara Barreto também guarda trechos de livros com pequenos marcadores autocolantes

De quantas maneiras diferentes você guarda um trecho especial de alguma leitura que realiza? A psicóloga Nara Barreto (@dropsdeleitura), 36 anos, por exemplo, tem o hábito de anotar frases num caderninho, feito a bisavó dela fazia. Já o professor Ricardo Rodrigues Miranda (@livrosemdoses), 29 anos, antes de aderir ao post-it, decorou quase um capítulo inteiro de “Dom Casmurro”, do escritor Machado de Assis.

Ambos acreditam que essas estratégias influenciam positivamente na experiência de leitura e foi exatamente pensando nisso que o cearense Victor Falcão, 31 anos, resolveu lançar um aplicativo que otimizasse tal processo. Gratuito e disponível para Android e iOS, o “Seeds” nasceu de uma necessidade própria. 

“A ideia veio quando eu estava conversando com um amigo sobre um determinado assunto e, durante a conversa, tentei lembrar de um trecho que havia lido. Além de não ter conseguido lembrar direito o que o trecho falava, aconteceu o pior: ao chegar em casa, o procurei nos livros e simplesmente não encontrei!”, relembra o administrador, residente em São Paulo há oito anos.

A frustração logo deu lugar a idealização de uma ferramenta útil à coletividade.

Grifamos trechos porque eles têm algum significado e/ou utilidade para nós. Não deveríamos perdê-los. Não deveríamos não poder usá-los quando precisamos. Eles deveriam estar sempre disponíveis, mesmo quando os livros (ou revistas, jornais, qualquer que sejam as fontes) não estiverem ao nosso alcance”, reforça.

Deste pontapé, vieram as pesquisas, observações e conversas com outras pessoas para entender a relação delas com o ato de grifar trechos e a leitura em si. Essas etapas foram compartilhadas com os sócios Adriano Sá (BA) e Heitor Nakayama (SP).

“Assim o produto foi ganhando forma e, depois de diversas etapas de testes com grupo de convidados, correções e ajustes, disponibilizamos no mês passado a primeira versão pública”, conta Victor, resumindo um processo de pouco mais de um ano.

Equipe Seeds
Legenda: Equipe responsável por desenvolver o aplicativo "Seeds": Adriano, Heitor e Victor

Funcionalidades

A plataforma recém-lançada permite aos usuários guardarem e organizarem de maneira prática os trechos mais importantes das leituras para que possam encontrá-los com facilidade sempre que precisarem. Tudo funciona em uma estrutura de rede social, permitindo assim, que as pessoas compartilhem entre si seus trechos favoritos e interajam com eles.

“Tudo começa com um novo trecho. Não importa se ele está num livro físico ou digital, em uma foto na galeria de fotos do smartphone, ou em um site, é possível guardá-lo independentemente do formato da fonte”, introduz Victor.

feed do seeds
Legenda: Feed do "Seeds"

“Para livros físicos, por exemplo, é só tirar uma foto do trecho e, em seguida, selecionar apenas a parte que você quer guardar. Também é possível utilizar fotos de trechos que já existam em sua galeria de fotos, colar trechos copiados de outros lugares (como sites) e até mesmo escrever um trecho”, completa.

O passo seguinte, e opcional, é atribuir tags. Elas ajudam a organizar a biblioteca de trechos, além de facilitar a busca quando necessária. “São como etiquetas que colamos para vermos rapidamente do que se trata. Eu, por exemplo, gosto de colocar os assuntos do trecho como tags”, sugere o administrador.

Por fim, Victor destaca o mais importante: é preciso indicar a fonte. “Esse é um passo obrigatório, afinal, sem os autores, os trechos e as obras sequer existiriam!”, lembra.

Conhecimento partilhado

Para o administrador cearense, embora o objetivo principal da plataforma seja fazer com que as pessoas não percam mais os trechos que são importantes para elas, o fundamento da iniciativa é tornar o conhecimento sempre disponível, seja facilitando o acesso, incentivando o consumo ou oferecendo curadoria de conteúdo relevante.

E com isso, Ricardo e Nara também concordam. "Os livros nos marcam, nos identificamos com os sentimentos universais que os autores trazem em suas obras, e há passagens e até capítulos que parecem que foram feitos sob encomenda, pois sintetizam emoções e, muitas vezes, transformam em palavras o indizível. É sempre bom ter guardado, seja onde for, os momentos que nos marcam, assim como fazemos com as fotografias”, afirma o professor, recém-graduado em Letras.

Livros do professor Ricardo
Legenda: Após um longo período sem marcar os livros físicos, Ricardo aderiu ao post-it

A psicóloga por sua vez, acredita que ferramentas como essa ajudam a assimilar e a incorporar a leitura.

“É um apontamento importante para a compreensão do que foi lido e para a compreensão de nós mesmos no mundo. Ruminamos várias vezes aquelas palavras e elas passam a fazer parte de quem somos”, defende.

Ricardo observa ainda que foi a tecnologia que o permitiu marcar mais trechos de livros sem ficar com a consciência pesada de “ter maculado” uma obra amiga.

Tenho a ideia do livro como um objeto amado, que desejo inteiriço; e também que eu possa emprestar para outra pessoa tirar suas próprias conclusões, ou até mesmo em uma leitura futura minha, desfrutar de uma nova visão do enredo. Enfim, parece meio contraditório, pois hoje em dia faço marcações com post-it com mais frequência, mas qual a paixão que existe sem contradição?”, finaliza.

Cadernos de Nara Barreto
Legenda: Assim como a bisavó fez um dia, Nara também escreve trechos especiais de livros em caderninhos

Serviço

Aplicativo "Seeds"
Disponível para Android e iOS
Instagram @seedsappoficial

 









 

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