Monte Rinjani: veja por que o vulcão onde Juliana Marins morreu desafia operações de resgate

Nos últimos cinco anos, a trilha registrou oito óbitos e 180 acidentes

Escrito por
Raísa Azevedo raisa.azevedo@svm.com.br
(Atualizado às 23:02)
Montagem de fotos do Monte Rinjani, trilha de vulcão onde a Juliana Marins morreu e, agora, família aguarda resgate do corpo da brasileira
Legenda: Juliana Marins percorria a trilha do vulcão Rinjani com um grupo de turistas, na ilha de Lombok, quando se desequilibrou e caiu de uma altura de aproximadamente 300 metros
Foto: Shutterstock / Reprodução

Com mais de 3.700 metros de altitude, o Monte Rinjani é o segundo maior vulcão da Indonésia. Foi em um trecho dessa trilha, conhecida pelo terreno extremamente íngreme e condições climáticas adversas, que a brasileira Juliana Marins foi encontrada morta nesta terça-feira (24).

A publicitária de 26 anos estava fazendo um mochilão por países asiáticos desde fevereiro. Na última semana, ela percorria a trilha do vulcão Rinjani com um grupo de turistas, na ilha de Lombok, quando se desequilibrou e caiu de uma altura de aproximadamente 300 metros, na última sexta-feira (20).

Caminhos estreitos e cercados de penhascos tornam a trilha uma das mais desafiadoras da região até para os mais aventureiros. O solo arenoso e escorregadio também aumenta o risco de quedas.

Todos esses fatores contribuem para que acidentes aconteçam no percurso. Circunstâncias de natureza climática, geográfica e logística dificultam também ações de busca e resgate, como o vivido no caso de Juliana Marins.

Ao longo dos últimos cinco anos, além da morte de Juliana, oito óbitos foram registrados e outras 180 pessoas ficaram feridas devido a acidentes ocorridos no Parque Nacional do Monte Rinjani. Dentre as principais causas de fatalidades no local, estão descumprimento de normas de segurança, despreparo físico e desconhecimento do terreno.

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Motivos que dificultam ações de resgate no Monte Rinjani

Terreno íngreme

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas equipes de resgate é devido ao solo extremamente íngreme. A região de penhasco, de grande declive, também é um obstáculo para a ação de salvamento.

Condições climáticas

Além do difícil acesso, a região do vulcão Rinjani é composta de muita névoa, especialmente nesta época do ano, dificultando a visão da equipe de resgate.

A neblina deixa o terreno íngreme ainda mais escorregadio, o que fez com Juliana deslizasse a mais de 300 metros do penhasco. Pedras que compõe a trilha também dificultam o equilíbrio.

Conforme relatos da comunidade local de montanhistas, a trilha do Monte Rinjani não é indicada para a prática de iniciantes. A combinação de terreno íngreme, névoa, baixa visibilidade, areia solta e pedras escorregadias desafiam os trilheiros.

Mortes e acidentes na trilha para vulcão 

Antes da morte da brasileira Juliana Marins, oito óbitos foram registrados no Parque Nacional do Monte Rinjani, na Indonésia, ao longo dos últimos cinco anos. 

Nesse período, além dos falecimentos, outras 180 pessoas ficaram feridas devido a acidentes ocorridos no local, conforme dados divulgados em março pelo governo indonésio, e detalhados pelo portal g1.

Dos 180 acidentados, 44 eram turistas estrangeiros, como Juliana Marins. A maioria dos acidentes (134 casos) envolve quedas e torções. 

Dentre as principais causas dos acidentes, são citadas:

  • Descumprimento de normas de segurança pelos próprios turistas; 
  • Falta de equipamentos adequados;
  • Despreparo físico;
  • Desconhecimento do terreno;
  • Desrespeito às trilhas demarcadas. 

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Lembre o caso de Juliana Marins

Juliana Marins estava fazendo um mochilão por países asiáticos desde fevereiro. Na última semana, ela percorria uma trilha com um grupo de turistas, próximo ao vulcão do Monte Rinjani, na ilha de Lombok, na Indonésia, quando se desequilibrou e caiu de uma altura de aproximadamente 300 metros, na última sexta-feira (20).

"Durante a trilha, tínhamos diferença de nível. No momento do acidente, eu estava bem na frente, ela estava sozinha atrás, com o guia. Era muito cedo, antes do sol nascer, em condição de visibilidade ruim, com uma simples lanterna para iluminar terrenos difíceis e escorregadios", contou um dos integrantes do grupo ao "Fantástico", da TV Globo.

Nessa segunda (23), uma equipe de resgate operou um drone para localizar a brasileira e a encontrou imóvel, presa a um paredão rochoso, a uma profundidade de cerca de 500 metros.

A demora para o resgate chegou a ser bastante criticada por brasileiros. No último sábado (21), autoridades da Indonésia chegaram a noticiar que a jovem tinha recebido comida, água e agasalhos, o que foi desmentido por familiares da publicitária no dia seguinte.

"Todos os vídeos que foram feitos são mentiras, inclusive o do resgate chegando nela. O vídeo foi forjado para parecer isso, junto com essa mensagem associada a ele", chegou a dizer Mariana Marins, irmã de Juliana. 

A operação, que envolveu equipe de alpinistas, enfrentou terreno difícil e condições climáticas instáveis, que dificultaram a visibilidade e aumentaram os riscos para os voluntários.

A jovem já havia passado por países como Filipinas, Tailândia e Vietnã. A trilha que ela fazia iria de 20 a 22 de junho, por três dias e duas noites.

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