Acusado de crimes relacionados à Chacina das Cajazeiras é condenado, mas responderá em liberdade
Ayalla sequer ia a júri popular, mas o MPCE recorreu pedindo que ele fosse a julgamento
Mais um acusado na ação penal referente à Chacina das Cajazeiras, um dos maiores massacres no Ceará, foi a júri popular. Ayalla Duarte Cavalcante, conhecido como 'Zoião', sentou no banco dos réus nesta quinta-feira (18).
Ayalla foi condenado a dois anos e seis meses de reclusão pelo delito de incêndio, e a um ano e seis meses de detenção por fraude processual. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou que o réu foi absolvido da acusação de integrar organização criminosa armada com a participação de adolescente.
"Em virtude das duas penas não serem superiores a quatro anos, em atendimento ao artigo 44 do Código Penal, o réu teve a prisão substituída por duas penas restritivas de direito, que serão definidas, posteriormente, pelo Juízo de Execução Penal da Comarca de Fortaleza", conforme o Tribunal.
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Ayalla foi acusado de integrar a facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), responsável pelo ataque que deixou 14 mortos dentro e no entorno do Forró do Gago, no dia 27 de janeiro de 2018.
As decisões tomadas nesta quinta-feira (18) partiram do conselho de sentença formado por sete jurados populares, na 2ª Vara do Júri de Fortaleza.
Em maio deste ano, aconteceu o primeiro júri acerca deste caso. Denunciado como um dos mandantes do crime, Ednardo dos Santos Lima foi condenado a 790 anos e 4 meses de prisão. A defesa dele recorreu da sentença.
Não houve interrogatório de testemunhas na sessão desta quinta-feira (18). Ainda pela manhã, logo após a leitura da denúncia, o réu passou a ser ouvido e optou por responder as perguntas da defesa e da acusação.
REVIRAVOLTA NO PROCESSO
Ayalla Duarte chegou a ser impronunciado pela Justiça Estadual (ou seja, não seria levado a júri) pelos homicídios. Porém, o Ministério Público do Ceará (MPCE) recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), que acatou o pedido para o réu ser julgado.
Segundo as investigações da Polícia Civil do Ceará (PCCE), após as execuções, 'Zoião' e os comparsas teriam incendiado um veículo Volkswagen Golf.
O acusado negou participação direta na matança e admitiu apenas que incendiou um veículo, a mando de um homem, em troca de R$ 70.
Outros denunciados neste processo foram impronunciados: Auricélio Sousa Freitas, o 'Celim da Babilônia'; Francisco de Assis Fernandes da Silva, conhecido como 'Barrinha'; Deijair de Souza Silva, o 'De Deus'; e João Paulo Félix Nogueira, o 'Paulim das Caixas'.
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COMO O CRIME ACONTECEU
A “guerra” entre GDE e Comando Vermelho (CV), acirrada nas últimas semanas, começou há pelo menos oito anos no Ceará. As investigações policiais apontaram que a Chacina das Cajazeiras foi praticada pela GDE com o objetivo de intimidar rivais da facção carioca, que costumavam frequentar e confraternizar no Forró do Gago.
A festa foi interrompida por tiros, no bairro Cajazeiras, durante a madrugada de 27 de janeiro de 2018. 14 pessoas morreram e outras 15 ficaram feridas. A maioria das vítimas não tinha passagem pela Polícia.
Acusados que ainda devem ir a júri popular:
- Noé de Paula Moreira, o 'Gripe Suína';
- Misael de Paula Moreira, o 'Terrorista;
- Zaqueu Oliveira da Silva, o 'Macumbeiro';
- Fernando Alves de Santana, o 'Robin Hood';
- Francisco Kelson Ferreira do Nascimento, o 'Susto';
- Ruan Dantas da Silva, o 'RD';
- Joel Anastácio de Freitas, o 'Gaspar'.
Rennan Gabriel da Silva, o 'RG' ou 'Biel', morreu sob custódia do Estado (pois estava preso), no Hospital São José, em janeiro de 2019. Por isso, foi extinta a punibilidade.
Quem foram as vítimas da Chacina:
- Maíra Santos da Silva (15 anos)
- José Jefferson de Souza Ferreira (21)
- Raquel Martins Neves (22)
- Luana Ramos Silva (22)
- Wesley Brendo Santos Nascimento (24)
- Natanael Abreu da Silva (25)
- Antônio Gilson Ribeiro Xavier (31)
- Renata Nunes de Sousa (32)
- Mariza Mara Nascimento da Silva (37)
- Raimundo da Cunha Dias (48)
- Antônio José Dias de Oliveira (55)
- Maria Tatiana da Costa Ferreira (17)
- Brenda Oliveira de Menezes (19)
- Edneusa Pereira de Albuquerque (38)