Empresa cearense suspeita de desviar verbas da merenda escolar recebeu mais de R$ 60 milhões

A reportagem obteve levantamento da Polícia Federal e lista quais as prefeituras que mais repassaram verbas para empresa investigada.

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
A imagem mostra um policial federal, fardado e de costas, em frente à sede da Polícia Federal no Ceará.
Legenda: Os repasses milionários à empresa do ramo alimentício são investigados pela Polícia Federal.
Foto: Divulgação/ PF.

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre uma empresa suspeita de ligação com o saque de R$ 400 mil em espécie, em município da Região Sul do Ceará, no último dia 30 de dezembro, chegou a uma lista de prefeituras e outros órgãos públicos que mais repassaram verbas à empresa. O montante dos 20 maiores repasses à empresa do ramo alimentício chega a R$ 61,5 milhões, segundo a investigação da PF.

Dois suspeitos foram presos em flagrante pela PF, após o saque, por suspeita de levagem de dinheiro. A investigação da PF apontou que o saque foi feito a mando do empresário Diego Marcondes Cartaxo Tavares, proprietário da DLA Comercial de Alimentos EIRELI. 

A apuração da PF que resultou na prisão dos dois homens ainda está na fase de inquérito sigiloso. Por esse motivo, não é possível afirmar que os órgãos citados como tendo repassados verbas para a DLA Comercial são investigados ou que supostamente cometeram crimes

Conforme a investigação, a DLA Comercial de Alimentos movimentou mais de R$ 19 milhões nos últimos anos e é suspeita de desviar recursos públicos federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), repassados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

O suposto grupo criminoso realizava saques com cheques e se utilizava de 'laranjas', para realizar a lavagem de dinheiro proveniente dos desvios, segundo um relatório da PF.

Os investigadores concluíram, no relatório, que "a empresa DLA Comercial de Alimentos EIRELI possuía intenso fluxo de saques em espécie, indicando-se ainda que os envolvidos realizavam alternância entre quem provisionava os valores e quem efetivamente sacava".

O objetivo do grupo seria, "não somente a lavagem do dinheiro relacionado, mas também para que não houvesse a identificação e prisão dos envolvidos com altos valores em espécie".

A foto mostra quatro pilhas de R$ 40 e, atrás, outras pilhas de R$ 100, que totalizam R$ 400 mil, em cima de uma mesa de madeira.
Legenda: Valor de R$ 400 mil em espécie foi sacado pelos suspeitos em uma agência bancária em Iguatu, minutos antes da prisão em flagrante.
Foto: Reprodução.

A defesa de Diego Marcondes Cartaxo Tavares e da empresa DLA Comercial de Alimentos, representada pelos advogados Artur Feitosa Arrais Martins e Iolanda Medeiros, emitiu nota em que garantiu que os clientes não têm relação com o saque de R$ 400 mil.

A DLA trata-se de empresa idônea, atuante em diversos estados brasileiros, com mais de 70 colaboradores e múltiplas unidades empresariais, cumpridora de suas obrigações legais, fiscais e contratuais, inexistindo sanção civil, administrativa ou criminal que macule sua atuação." 
Artur Feitosa Arrais Martins e Iolanda Medeiros
Advogados de defesa

Segundo a defesa, "eventuais questionamentos sobre movimentações bancárias serão devidamente esclarecidos no curso da investigação, com a apresentação dos documentos e justificativas pertinentes".

Confira a nota da defesa do empresário e da empresa na íntegra:

"A defesa técnica esclarece que o Auto de Prisão em Flagrante lavrado em 30/12/2025 não teve como autuados o Sr. Diego Marcondes Cartaxo Tavares  nem a empresa DLA Comercial de Alimentos EIRELI. Os autuados foram Wallis Bernardo do Carmo e Antônio Oliveira Filho, em ocorrência relacionada a saque da em presa Comercial A WB LTDA.

Conforme registrado no próprio procedimento, o comprovante do saque foi apresentado em nome de empresa diversa (Comercial A WB LTDA), cujo sócio administrador é o Sr. Wallis, evidenciando tratar-se de pessoas e empresas distintas e independentes, sem relação entre s i. Qualquer associação automática entre tais agentes e a DLA, portanto, é indevida e induz a pré-julgamento, o que deve ser evitado em respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.

A DLA trata-se de empresa idônea, atuante em diversos estados brasileiros, com mais de 70 colaboradores e múltiplas unidades empresariais, cumpridora de suas obrigações legais, fiscais e contratuais, inexistindo sanção civil, administrativa ou criminal que macule sua atuação. Eventuais questionamentos sobre movimentações bancárias serão devidamente esclarecidos  no curso da investigação, com a apresentação dos documentos e justificativas pertinentes.

Por fim, informa-se que a defesa técnica já requereu o devido acesso aos autos e permanece inteiramente à disposição da Autoridade Policial, com o objetivo de colaborar e esclarecer os fatos, com a segurança de que, ao final, equívocos interpretativos serão esclarecidos e a inocência será confirmada."

Repasses sob investigação

O Núcleo de Análise e Informação da Delegacia de Polícia Federal em Juazeiro do Norte elencou os 20 maiores remetentes de verbas para a empresa DLA Comercial de Alimentos, sediada em Iguatu, no Interior do Ceará, nos últimos anos. 

Entre eles, estão 14 prefeituras; outros três órgãos municipais; um órgão do Governo do Ceará; um microempreendedor; e outra conta da DLA.

Segundo o relatório, "as contas da referida empresa foram ancoradouro de recursos oriundos de diversos entes públicos, inclusive recursos oriundos da de Secretarias de Educação, possivelmente envolvimento de recursos federais". 

Os investigadores destacaram "as remessas expressivas de recursos para as contas bancárias da empresa DLA Comercial, realizadas pelos município de Petrolina, cidade localizada no estado de Pernambuco, além do município do Crato e diversos outros municípios do interior do Ceará, em especial os municípios do Iguatu e Brejo Santo".

R$ 61,5 milhões
seria a soma dos 20 maiores repasses à empresa do ramo alimentício, segundo a investigação da Polícia Federal.

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Confira o ranking e a manifestação dos órgãos públicos:

1. Petrolina (PE) - R$ 9,4 milhões

A Polícia Federal recebeu informações que a Secretaria Municipal de Educação de Petrolina, em Pernambuco, fez o maior repasse à empresa DLA Comercial de Alimentos: mais de R$ 8 milhões.

Já a Prefeitura Municipal de Petrolina repassou mais R$ 1,4 milhão. Ao total, o Município teria pago mais de R$ 9,4 milhões à empresa.

O relatório da PF não dá detalhes sobre o objeto ou o contrato relacionados às transações financeira entre os órgãos públicos e a empresa do ramo alimentício.

A Prefeitura de Petrolina e a Secretaria Municipal de Educação foram questionadas pela reportagem, por e-mail, sobre a investigação e o repasse de verbas, na última quarta-feira (7), mas não emitiram respostas até a publicação desta matéria.

2. Iguatu - R$ 9,1 milhões

Conforme o relatório da PF, a Fundação de Saúde Pública de Iguatu, no Interior do Ceará, enviou mais de R$ 6,8 milhões à empresa do ramo alimentício.

Enquanto a Prefeitura Municipal de Iguatu enviou mais R$ 2,3 milhões. Somados os valores, a conta supera R$ 9,1 milhões.

Questionada sobre os repasses, a Prefeitura de Iguatu destacou que a atual gestão "não foi alvo de quaisquer medidas judiciais, fiscalização ou ação de autoridade que relacione o ente municipal com irregularidades na aplicação de recursos públicos".

O compromisso desta gestão é com a transparência, legalidade e a cooperação. Por fim, reafirmamos que permanecemos à disposição de todas as autoridades para prestar os esclarecimentos necessários, colaborar com as investigações em curso e assegurar o uso correto e responsável de recursos públicos, em conformidade com a legislação vigente."
Prefeitura Municipal de Iguatu
Em nota

Confira a nota da Prefeitura na íntegra:

"A Prefeitura Municipal de Iguatu vem a público, após contato do Jornal Diário do Nordeste, manifestar-se acerca de reportagem publicada sobre operação da Polícia Federal que menciona movimentação de recursos e investigação envolvendo empresa sediada neste município.

Inicialmente, importa dizer que a Prefeitura de Iguatu na atual gestão não foi alvo de quaisquer medidas judiciais, fiscalização ou ação de autoridade que relacione o ente municipal com irregularidades na aplicação de recursos públicos.

Conforme consta na própria reportagem, os valores citados, que teriam sido movimentados pela empresa em análise, referem-se a operações registradas até 20 de janeiro de 2025. Ou seja, período anterior a atual gestão.

O compromisso desta gestão é com a transparência, legalidade e a cooperação.

Por fim, reafirmamos que permanecemos à disposição de todas as autoridades para prestar os esclarecimentos necessários, colaborar com as investigações em curso e assegurar o uso correto e responsável de recursos públicos, em conformidade com a legislação vigente."

3. Crato - R$ 7,1 milhões

A Prefeitura Municipal do Crato, na Região do Cariri, também no Interior do Ceará, teria repassado mais de R$ 7,1 milhões à DLA Comercial de Alimentos.

Em resposta, a Prefeitura do Crato informou que "não foi notificada quanto à referida investigação. Caso seja oficialmente demandada, a Gestão Municipal coloca-se à disposição para quaisquer esclarecimentos". 

Reforçamos o compromisso permanente com a clareza das informações, boas práticas de gestão e respeito ao cidadão. Comunicamos que todas os contratos da Prefeitura Municipal do Crato seguem o já declarado compromisso inconteste com os princípios de Legalidade, Transparência e Publicidade que marcam a Administração Pública."
Prefeitura Municipal do Crato
Em nota

Confira a nota da Prefeitura na íntegra:

"A Prefeitura do Crato informa que não foi notificada quanto à referida investigação. Caso seja oficialmente demandada, a Gestão Municipal coloca-se à disposição para quaisquer esclarecimentos. Reforçamos o compromisso permanente com a clareza das informações, boas práticas de gestão e respeito ao cidadão. Comunicamos que todas os contratos da Prefeitura Municipal do Crato seguem o já declarado compromisso inconteste com os princípios de Legalidade, Transparência e Publicidade que marcam a Administração Pública."

4. Brejo Santo - R$ 6,8 milhões

A Prefeitura Municipal de Brejo Santo teria enviado quase R$ 3,8 milhões à empresa. Já o Fundo Municipal de Educação de Brejo Santo teria enviado mais de R$ 3 milhões ao mesmo destinatário. O repasse total do Município é superior a R$ 6,8 milhões.

Questionada pela reportagem, a Prefeitura de Brejo Santo confirmou que "houve contrato administrativo com a empresa DLA até o ano passado, regularmente formalizado e executado nos termos da legislação vigente".

Porém, segundo a Prefeitura, "não foi constatada qualquer irregularidade na execução do objeto contratado, tampouco no cumprimento das obrigações legais e contratuais assumidas pela empresa".

Confira a nota da Prefeitura na íntegra:

"O Município de Brejo Santo informa que houve contrato administrativo com a empresa DLA até o ano passado, regularmente formalizado e executado nos termos da legislação vigente.

Ressalta-se que o Município tomou conhecimento das investigações envolvendo a empresa exclusivamente por meio de reportagens veiculadas nos veículos de comunicação, não tendo sido, até o presente momento, oficialmente notificado ou demandado por qualquer autoridade investigante para prestar esclarecimentos ou encaminhar informações relativas aos contratos firmados.

Durante todo o período de vigência contratual, não foi constatada qualquer irregularidade na execução do objeto contratado, tampouco no cumprimento das obrigações legais e contratuais assumidas pela empresa.

O Município de Brejo Santo reafirma que todos os seus atos administrativos são pautados pelos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, observando rigorosamente a legislação aplicável às contratações públicas, bem como os mecanismos de controle interno e externo.

Por fim, o Município permanece à disposição dos órgãos de controle e autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que venham a ser formalmente solicitados, reafirmando seu compromisso com a transparência, a responsabilidade administrativa e a correta aplicação dos recursos públicos."

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5. Estado do Ceará - R$ 4,4 milhões

A Controladoria e Ouvidoria Geral do Ceará (CGE) aparece como um dos principais remetente de verbas para a empresa DLA Comercial de Alimentos, com o envio de mais de R$ 4,4 milhões, segundo o relatório da PF.

Entretanto, a Controladoria nega que tenha feito qualquer negociação com a empresa e alega que houve uma "interpretação equivocada de dados e sobre o papel do órgão de controle realizado, no caso, em especial, por meio do Sistema e-Parcerias, plataforma destinada ao registro, acompanhamento e gestão informatizada de parcerias, promovendo rastreamento e transparência de todas as informações".

"O Sistema e-Parcerias reúne informações sobre a execução de convênios e instrumentos congêneres firmados entre entidades públicas e seus convenentes, como prefeituras e organizações da sociedade civil. A CGE não contrata ou repassa recursos referentes a esses instrumentos", justificou a CGE.

Confira a nota da Controladoria na íntegra:

"A Controladoria e Ouvidoria Geral do Estado do Ceará (CGE) informa que não mantém e nunca manteve contrato, convênio ou qualquer instrumento congênere, e nunca efetuou nenhum pagamento para a empresa DLA Comercial de Alimentos EIRELI (CNPJ nº 24.334.945/0001-08).

A citação indevida do nome da CGE em notícias ou manifestações relacionadas ao caso decorre de interpretação equivocada de dados e sobre o papel do órgão de controle realizado, no caso, em especial, por meio do Sistema e-Parcerias, plataforma destinada ao registro, acompanhamento e gestão informatizada de parcerias, promovendo rastreamento e transparência de todas as informações. 

O Sistema e-Parcerias reúne informações sobre a execução de convênios e instrumentos congêneres firmados entre entidades públicas e seus convenentes, como prefeituras e organizações da sociedade civil. A CGE não contrata ou repassa recursos referentes a esses instrumentos.

A Controladoria atua na governança, gestão e evolução da plataforma tecnológica, garantindo seu funcionamento e a integridade das informações registradas. 

Os pagamentos efetuados no Sistema e-Parcerias são realizados por meio da emissão de Ordem Bancárias de Transferências (OBTs), de responsabilidade exclusiva das instituições beneficiárias dos convênios, como as prefeituras e organizações da sociedade civil sem fins lucrativos.

Por fim, a CGE reafirma seu compromisso com a transparência, a integridade, a boa governança e o fortalecimento dos mecanismos de controle na Administração Pública."

A foto mostra uma pessoa servindo um prato, com arroz e frango, em um contexto de merenda escolar no Brasil.
Legenda: O alvo da investigação policial é o repasse de verbas da merenda escolar.
Foto: Agência Brasil.

6. Campina Grande (PB) - R$ 3,1 milhões

A Prefeitura Municipal de Campina Grande, na Paraíba, teria enviado mais de R$ 3,1 milhões à empresa do ramo alimentício, segundo a Polícia Federal.

Questionada por e-mail, a Prefeitura de Campina Grande também não se manifestou até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

7. Mombaça - R$ 2,9 milhões

A Polícia Federal também identificou um repasse de R$ 2,9 milhões da Prefeitura Municipal de Mombaça, no Interior do Ceará, para a empresa DLA Comercial de Alimentos.

Em consulta ao Portal da Transparência de Mombaça, a reportagem ainda verificou um contrato entre a Prefeitura e a empresa, num valor superior a R$ 9,8 milhões, feito em 2025 e ainda vigente, para "aquisição de gêneros alimentícios destinados ao Programa de Alimentação Escolar do Município de Mombaça".

Questionada, a Prefeitura de Mombaça respondeu que "o valor de R$ 9.846.893,00 identificado no Portal da Transparência refere-se à Ata de Registro de Preços nº 20250185, cujo montante possui natureza meramente estimativa, correspondente ao limite máximo que poderia ser utilizado ao longo do prazo de vigência da ata, de até 2 anos, não se tratando de repasse automático ou integral de recursos".

"Conforme levantamento da Secretaria Municipal de Educação, no exercício financeiro de 2025, no âmbito do Pregão Eletrônico nº 001/2025-SME-PE, foram efetivamente pagos à empresa vencedora o montante de R$ 2.206.728,11, exclusivamente em razão de fornecimentos regularmente contratados e comprovadamente executados, nos termos da legislação de licitações e contratos administrativos", acrescentou a Prefeitura.

Confira a nota na íntegra:

"A Procuradoria-Geral do Município de Mombaça esclarece que o valor de R$ 9.846.893,00 identificado no Portal da Transparência refere-se à Ata de Registro de Preços nº 20250185, cujo montante possui natureza meramente estimativa, correspondente ao limite máximo que poderia ser utilizado ao longo do prazo de vigência da ata, de até 2 anos, não se tratando de repasse automático ou integral de recursos.

Conforme levantamento da Secretaria Municipal de Educação, no exercício financeiro de 2025, no âmbito do Pregão Eletrônico nº 001/2025-SME-PE, foram efetivamente pagos à empresa vencedora o montante de R$ 2.206.728,11, exclusivamente em razão de fornecimentos regularmente contratados e comprovadamente executados, nos termos da legislação de licitações e contratos administrativos.

Ressalta-se que não se trata de 'repasse de valores', mas de pagamentos decorrentes de serviços efetivamente prestados, precedidos de regular procedimento licitatório, liquidação da despesa e atesto da execução.

O Município de Mombaça não integra a investigação mencionada, tampouco esta Procuradoria-Geral foi formalmente demandada pela Polícia Federal ou por qualquer outro órgão de controle para prestar esclarecimentos sobre o tema até o presente momento.

A Procuradoria-Geral do Município permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais."

8. Jucás - R$ 2,8 milhões

O repasse da Prefeitura Municipal de Jucás, também no Interior do Ceeará, para a empresa DLA Comercial de Alimentos, teria sido de mais de R$ 2,8 milhões, segundo a investigação policial.

A Prefeitura de Jucás foi contactada, via assessoria de comunicação, mas não se manifestou sobre a investigação, até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

9. Lavras da Mangabeira - R$ 2,4 milhões

Já a Prefeitura Municipal de Lavras da Mangabeira teria enviado um valor superior a R$ 2,4 milhões para a empresa do ramo alimentício, conforme a Polícia Federal.

A Prefeitura de Lavras da Mangabeira foi contactada, via assessoria de comunicação, mas não se manifestou sobre a investigação, até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

10. Acopiara - R$ 2,2 milhões

Em seguida, vem o repasse de mais uma prefeitura cearense: Acopiara, com mais de R$ 2,2 milhões enviados para a empresa DLA, segundo o relatório da PF.

Questionada, a Prefeitura Municipal de Acopiara respondeu, em nota, que "os pagamentos realizados à empresa DLA Comercial de Alimentos EIRELI referem-se a contratos e processos licitatórios firmados em exercício anterior, com execução e pagamentos concentrados no ano de 2024, período correspondente a outra gestão municipal".

A atual gestão, iniciada em 2025, não participou da licitação, não ordenou os pagamentos realizados em 2024 e não responde por atos administrativos praticados pela administração anterior, sobretudo aqueles que hoje são objeto de apuração por órgãos de investigação."
Prefeitura Municipal de Acopiara
Em nota

Confira a nota da Prefeitura na íntegra:

"A Prefeitura de Acopiara esclarece que os pagamentos realizados à empresa DLA Comercial de Alimentos EIRELI referem-se a contratos e processos licitatórios firmados em exercício anterior, com execução e pagamentos concentrados no ano de 2024, período correspondente a outra gestão municipal. 

Até o encerramento daquele exercício, o montante pago à referida empresa foi de R$ 2.717.087,71, dentro de contratos celebrados à época, com base em procedimentos administrativos conduzidos pela gestão então responsável. 

A atual gestão, iniciada em 2025, não participou da licitação, não ordenou os pagamentos realizados em 2024 e não responde por atos administrativos praticados pela administração anterior, sobretudo aqueles que hoje são objeto de apuração por órgãos de investigação. 

A Prefeitura de Acopiara informa ainda que tomou conhecimento do caso exclusivamente por meio da imprensa, não tendo recebido, até o momento, qualquer notificação oficial da Polícia Federal ou de outro órgão de investigação, cabendo exclusivame e às autoridades competentes a apuração de eventuais irregularidades relacionadas à empresa investigada. 

A atual administração reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o correto uso dos recursos públicos, mantendo-se à disposição para colaborar com qua quer esclarecimento que venha a ser solicitado."

11. São Gonçalo do Amarante (RN) - R$ 1,9 milhões

O documento da Polícia Federal cita uma cidade de São Gonçalo do Amarante - nome de municípios no Ceará e no Rio Grande do Norte - como uma das principais remetentes para a empresa alimentícia. Entretanto, o documento não detalha qual o Estado da cidade.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, do Ceará, sustentou que não foi feito nenhum pagamento para a empresa DLA Comercial de Alimentos, na atual gestão (desde 2021). E, na gestão anterior, em 2019, foi celebrado um contrato de apenas R$ 20 mil.

Já a Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, firmou um contrato com a empresa no valor de R$ 3,7 milhões, em 2023, para a "aquisição de gêneros alimentícios destinados ao Programa de Alimentação Escolar", segundo o Portal da Transparência do Município.

A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, foi questionada pela reportagem, por e-mail, desde a manhã da última quarta-feira (6), mas não enviou resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

12. Juazeiro do Norte - R$ 1,9 milhão

Ainda conforme a investigação, a Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, também na Região do Cariri, fez um repasse superior a R$ 1,9 milhão à DLA Comercial de Alimentos.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Juazeiro do Norte confirmou que "manteve contrato administrativo com a referida empresa, decorrente de processo licitatório regular, realizado conforme a legislação vigente, com vigência iniciada em setembro de 2025 e término previsto para março de 2026".

Quanto à execução contratual, o Município informa que os contratos são acompanhados por rotinas permanentes de fiscalização e controle, nos termos da legislação aplicável, com monitoramento da entrega, conformidade dos produtos e regularidade da execução."
Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte
Em nota

Confira a nota da Prefeitura na íntegra:

"A Prefeitura de Juazeiro do Norte informa que tomou conhecimento, pela imprensa, da investigação conduzida pela Polícia Federal envolvendo a empresa DLA Comercial de Alimentos EIRELI, relacionada a supostos desvios de recursos federais do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Esclarece que o Município manteve contrato administrativo com a referida empresa, decorrente de processo licitatório regular, realizado conforme a legislação vigente, com vigência iniciada em setembro de 2025 e término previsto para março de 2026.

Quanto à execução contratual, o Município informa que os contratos são acompanhados por rotinas permanentes de fiscalização e controle, nos termos da legislação aplicável, com monitoramento da entrega, conformidade dos produtos e regularidade da execução.

Até o momento, a Prefeitura de Juazeiro do Norte não foi formalmente notificada pela Polícia Federal nem por outros órgãos de controle acerca da investigação mencionada, tampouco foi apontada qualquer irregularidade relacionada à execução do contrato no âmbito municipal.

A gestão municipal reforça que acompanha o andamento das apurações e mantém postura de transparência e colaboração institucional, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos caso seja oficialmente demandada."

13. Saboeiro - R$ 1,3 milhão

Já a Prefeitura Municipal de Saboeiro, no Interior do Ceará, teria realizado uma remessa de mais de R$ 1,3 milhão à empresa do ramo alimentício, conforme a investigação.

A assessoria de comunicação ou outro representante da Prefeitura de Saboeiro não foram localizados pela reportagem para comentar a informação. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

14. Itapipoca - R$ 976 mil

A Prefeitura Municipal de Itapipoca, na Região Norte do Ceará, fez o menor repasse à DLA Comercial de Alimentos, entre as 20 principais fontes, segundo a Polícia Federal: R$ 976 mil.

Em resposta, a Prefeitura de Itapipoca informou que "a empresa citada não é fornecedora do Município na atual gestão. Eventuais contratos mencionados referem-se aos anos de 2019 e 2020, período anterior à gestão do prefeito Felipe Pinheiro".

"A atual administração mantém compromisso com a legalidade, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos", concluiu a Prefeitura de Itapipoca.

Confira a nota da Prefeitura na íntegra:

"A Prefeitura de Itapipoca informa que a empresa citada não é fornecedora do Município na atual gestão. Eventuais contratos mencionados referem-se aos anos de 2019 e 2020, período anterior à gestão do prefeito Felipe Pinheiro. A atual administração mantém compromisso com a legalidade, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos."

Os outros repasses na lista da PF, que não envolvem órgãos públicos, foram remetidos pelo microempreendedor D. S. Andrade (no valor de R$ 1,4 milhão) e por outra conta da própria DLA Comercial de Alimentos EIRELI (R$ 1 milhão).

O microempreendedor D. S. Andrade não foi localizado para comentar essa transação. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

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