Caso Kaianne: Justiça marca júri de marido acusado de planejar morte da esposa para ficar com seguro

O executor do crime também deve sentar no banco dos réus.

Escrito por
Emanoela Campelo de Melo emanoela.campelo@svm.com.br
marido leonardo e kaianne vitima
Legenda: Leonardo é apontado como o mentor do feminicídio da própria esposa.
Foto: Reprodução/Redes Sociais.

Os acusados de assassinar a contadora Kaianne Bezerra Lima Chaves, de 35 anos, agora têm data para sentar no banco dos réus. A Justiça do Ceará marcou o júri para os dias 1º a 3 de junho de 2026.

Os advogados assistentes da acusação, Jader Aldrin e Fernanda Cavalcante, destacam que a previsão de três dias para o julgamento é "em razão da grande quantidade de testemunhas que serão ouvidas em plenário. Somente os debates entre acusação e defesa podem ultrapassar nove horas de duração, o que demonstra a complexidade do processo".

Conforme o Ministério Público do Ceará (MPCE), Kaianne foi vítima de um crime 'friamente premeditado', pelo próprio esposo dela, o professor Leonardo Nascimento Chaves.

Além de Leonardo, o Tribunal do Júri também deve decidir se condena ou absolve o réu Adriano Andrade Ribeiro, apontado como executor direto do crime e responsável pela ação dentro da residência da própria vítima, a mando do professor. Ambos seguem presos. 

"Durante esse período, os jurados permanecerão incomunicáveis e hospedados em hotel, conforme determina a lei. A assistência da acusação apresentará um trabalho completo para que todas as provas sejam expostas à sociedade e para que a justiça em nome de Kaianne seja feita.” 
Jader Aldrin e Fernanda Cavalcante
Advogados assistentes da acusação

Um terceiro homem foi acusado por envolvimento no crime, mas restou impronunciado por a Justiça entender "ausência de indícios suficientes de autoria". As defesas dos réus não foram localizadas pela reportagem.

'O INIMIGO DORMIA AO LADO'

No fim de 2025, o Diário do Nordeste lançou a terceira temporada do Podcast Sigilo Quebrado com detalhes sobre a trama que resultou na morte da contadora.

Nas primeiras horas após a morte de Kaianne, o crime era 'tratado' como um latrocínio. No entanto, a atitude do marido sobrevivente, Leonardo Nascimento Chaves, professor concursado do Estado, levantou suspeitas imediatas, tanto de um membro da família quanto na Polícia Civil. O tio de Katiane, Luciano Moura, foi uma das primeiras pessoas a confrontá-lo diretamente.

A versão de Leonardo começou a apresentar falhas.

De acordo com a acusação, Leonardo e Kaianne eram casados, "sendo ele o responsável por arquitetar o crime de feminicídio, visando a obtenção de vantagem patrimonial, haja vista ser um dos herdeiros necessários de seguros contratados pela vítima".

Leonardo teria decidido que executaria a esposa "visando angariar fundos para arcar com suas dívidas pessoais, planejando o crime" e contratando Adriano Ribeiro para a ação criminosa. Após o assassinato, os envolvidos subtraíram bens da casa para simular que o crime se tratava de um latrocínio.

Montagem da capa do podcast Sigilo Quebrado com os rostos de Leonardo Chaves e Adriano Ribeiro
Legenda: Os dois réus devem sentar perante ao Tribunal Popular do Júri no primeiro semestre de 2026.
Foto: Kid Júnior

De início, a versão contada pelo marido da contadora ficou como principal linha investigativa da Polícia. O caso teve a primeira reviravolta duas semanas após o assassinato, quando Leonardo foi preso. 

Kaianne morreu aos 35 anos, no dia 26 de agosto de 2023.

SEQUÊNCIA DE AGRESSÕES

As primeiras investigações apontavam que a contadora foi morta com uma paulada na cabeça. No entanto, o laudo pericial elaborado pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) atestou que ela foi morta por "asfixia mecânica em decorrência de esganadura".

A Polícia Civil teve acesso ao conteúdo de câmeras de um estacionamento de um shopping, em Aquiraz. As imagens mostraram Leonardo Nascimento Chaves conversando com o motorista de veículos por aplicativos Adriano Andrade Ribeiro e um adolescente, por volta de 20h35 da noite de 26 de agosto, poucos minutos antes da morte de Kaianne Bezerra.

Conforme as investigações policiais, Leonardo foi para casa e simulou o assalto, junto da dupla contratada. O marido de Kaianne teria decidido ‘aguar plantas’ de fora da residência, com o intuito de ser abordado pelos supostos assaltantes.

Leonardo teria ainda deixado separados uma corda - para os "assaltantes" o amarrarem - e um pedaço de pau - para matarem a própria esposa. E ainda teria pedido para os comparsas o agredirem, para fortalecer a versão do latrocínio.

Após matarem Kaianne, os criminosos roubaram objetos da casa, como TVs, aparelhos celulares, outros aparelhos eletrônicos, bebidas alcoólicas e as alianças do casal. O próprio Leonardo Chaves teria ajudado a colocar os pertences no carro dos comparsas.

O serviço dos criminosos teria custado R$ 1,2 mil, pagos por Leonardo, com a promessa de um novo pagamento após o recebimento do seguro de vida da esposa.

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